Metas abusivas são cobradas desde novembro de 2024, segundo uma profissional (Divulgação) Agentes de saúde que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de São Vicente estão sendo submetidos a cobranças veladas, aumento excessivo de metas e vigilância constante no ambiente de trabalho, de acordo com denúncia de uma profissional da cidade. O relato aponta que as unidades de saúde enfrentam um cenário de assédio moral, desgaste psicológico e sobrecarga desde novembro do ano passado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Somos coagidos a aumentar as produções. As cobranças são feitas de maneira velada, em reuniões e atas, mas nunca de forma oficial, para que não se gere provas contra eles mesmos”, afirmou uma agente de saúde que preferiu não se identificar. Segundo ela, houve ameaça de abertura de relatórios contra funcionários cujos índices de atendimento não crescem. De acordo com a profissional, a pressão para alcançar metas está ligada à chegada de uma verba prevista para maio. “Cada UBS tem equipes responsáveis por cadastrar a população da área de cobertura. O governo paga por pessoa cadastrada no SUS. Então, quanto mais nomes registrados e atendidos, maior o repasse”, explica. Para isso, cada agente precisa manter vínculo ativo com 750 pessoas. O problema, segundo ela, é que a exigência de visitas domiciliares aumentou de forma desproporcional. Antes, era solicitado que cada agente visitasse cerca de 200 pessoas por mês. A partir de novembro de 2024, a cobrança passou a ser por domicílio: são exigidas 200 casas visitadas por mês, o que pode representar contato com até 600 pessoas — número praticamente impossível de ser alcançado, segundo a servidora, devido às limitações do cotidiano das famílias. “Tem domicílio com 10 pessoas. A gente tenta visitar todos, mas nem sempre estão em casa. E agora querem que a gente colete telefones para que liguem confirmando se estivemos lá”, disse ela. Além das visitas, os agentes continuam com outras atividades simultâneas, como acolhimento na unidade, entrega de senhas, pesagem do Bolsa Família, palestras, atividades com idosos, entre outras. O impacto emocional também tem influenciado no trabalho dos agentes de saúde. “Estamos sem saúde mental. Já pensei em pedir demissão diversas vezes. Este ano, vários colegas se desligaram ou foram exonerados injustamente”. Segundo ela, o sentimento entre os mais de 200 agentes de saúde do município é o mesmo: de desrespeito e silenciamento. “Se quisermos mais, a gente ouve que é só prestar concurso para ser chefe”, desabafou. Resposta Em nota, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), esclareceu que a gestão preza pelo diálogo com as equipes e pelo respeito às atribuições dos profissionais de saúde. Segundo a Administração Municipal, as metas são orientadas por parâmetros do Ministério da Saúde e discutidas previamente com as chefias das unidades locais. "Não há qualquer orientação para cobranças abusivas ou não formalizadas". As metas, de acordo com a Prefeitura, seguem diretrizes do Novo Financiamento da Atenção Primária do Governo Federal e do IGM SUS Paulista. A periodicidade e o volume de visitas domiciliares são definidos considerando critérios populacionais e territoriais, respeitando as particularidades de cada região. Atualmente, a recomendação é que os ACSs acompanhem uma média mensal proporcional à área de atuação, sendo avaliada continuamente para evitar sobrecarga. A Administração Municipal afirma que há acompanhamento técnico por parte das equipes gestoras e das coordenações da Atenção Básica, com foco em orientações e suporte, e não em punições. A auditoria dos dados enviados ao Ministério da Saúde também segue normas federais, podendo haver revisões internas e externas, conforme os critérios estabelecidos pelo SUS. "Nenhum ACS foi exonerado nos últimos meses. Esclarecimentos individuais sobre casos específicos devem ser solicitados por meio dos canais oficiais da Ouvidoria", diz o município. Além disso, a Sesau reforçou seu compromisso com um ambiente de trabalho ético e saudável. "Toda denúncia recebida é apurada com rigor por meio dos canais internos competentes, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa. Casos que envolvam suspeita de assédio moral são encaminhados às instâncias legais e, quando necessário, à Procuradoria Geral do Município", finaliza a Prefeitura.