Zé das Batidas ficou conhecido na noite santista devido à preparação de suas bebidas (Reprodução Redes Sociais / Arquivo AT) Morreu nesta quarta-feira (11), em Santos, o comerciante José Dias de Andrade, conhecido como Zé das Batidas, aos 73 anos. Figura histórica da boemia santista, ele ficou famoso por suas receitas de batidas e pelo carisma no atendimento ao público ao longo de décadas atrás do balcão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ele estava internado desde segunda-feira na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, onde permanecia entubado e sedado após ser diagnosticado com edema pulmonar e problemas renais. De acordo com pessoas próximas, ele já havia passado por outra internação em meados do ano passado. O velório ocorrerá na Santa Casa de Santos, das 17h às 23h desta quarta-feira (11). O sepultamento está marcado para quinta-feira (12), às 7h30, no Cemitério da Areia Branca. Conhecido por sua simpatia e pelo jeito acolhedor com clientes e amigos, Zé construiu uma relação próxima com frequentadores de diferentes gerações. Nas redes sociais e entre admiradores, ele foi lembrado como alguém que “sempre proporcionou momentos de alegria para a rapaziada”. De lavrador na Bahia a referência em Santos Natural de Euclides da Cunha, José Dias de Andrade trabalhou desde cedo na lavoura com o pai. Aos 16 anos, em 1971, decidiu deixar a cidade natal e buscar novas oportunidades em São Paulo. Na capital paulista, conseguiu seu primeiro emprego em um bar na região da Vila Olímpia, onde começou a aprender o ofício na noite. Depois de cerca de um ano, decidiu descer a serra e tentar a vida no litoral. Foi em Santos que sua história ganhou força. Ele começou a trabalhar em um bar no tradicional Super Centro Boqueirão, inicialmente ajudando no atendimento e limpando mesas. Com o tempo, conquistou a confiança do proprietário e passou a trabalhar atrás do balcão. A origem das famosas batidas Quando começou a preparar os drinques da casa, o talento de Zé rapidamente chamou atenção. Ele passou a adaptar receitas já conhecidas e criar novas combinações, que logo ganharam fama entre os frequentadores. Entre suas criações mais conhecidas estava a batida de morango com vinho, que acabou se tornando uma das marcas registradas do bar. Outra receita famosa foi a chamada “Paraguela”, mistura de frutas da estação, leite condensado e ingredientes mantidos em segredo. O sucesso foi tão grande que, em 1978, ele comprou o próprio bar de seu antigo chefe e passou a comandar o local, consolidando a reputação como um dos nomes mais conhecidos da noite santista. Ponto de encontro de gerações Durante décadas, o bar de Zé se tornou ponto de encontro de universitários, moradores e turistas. O espaço reuniu histórias, amizades e momentos que ficaram na memória de muitos frequentadores da cidade. Após deixar o Super Centro Boqueirão em 2006, ele abriu outros bares e manteve a tradição das batidas. Em um desses estabelecimentos, encontros informais de amigos aos domingos acabaram se transformando em rodas de pagode que atraíram cada vez mais público. Entre os grupos que passaram pelo local estava o Karametade, que viria a fazer sucesso nacional nos anos 1990. Ativo até os últimos anos Mesmo após fechar alguns de seus bares, Zé continuou trabalhando e mantendo contato com os clientes. Em 2016, ele preparava suas batidas no Bar do Jorge, onde seguiu recebendo antigos frequentadores e novos admiradores, que encerreu suas atividades no ano passado. Mais recentemente, estava atuando no Bar do Ramiro, localizado na Avenida Pedro Lessa.