Com cinco quarteirões de extensão, indo da Praça dos Andradas à Praça Barão do Rio Branco, a Rua XV de Novembro, no Centro de Santos, segue como uma das vias mais importantes da cidade e já foi conhecida como a ‘Wall Street Brasileira do Café’. O título simbólico veio no século XIX, quando a via se consolidou como um dos principais polos da economia cafeeira, concentrando negociações do grão e reunindo grandes nomes ligados à elite do setor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Palco de origem do maior filho ilustre da cidade, José Bonifácio de Andrada e Silva, a via foi inicialmente nomeada como Rua Direita, ainda no período colonial. Na época, funcionava como um importante eixo de circulação entre o Valongo e o bairro dos Quartéis, reunindo casas comerciais relevantes e templos religiosos, como a antiga Matriz — tornando-se passagem quase obrigatória para os santistas, como destaca o jornalista e pesquisador da história de Santos, Sérgio Willians. “De alma nobre, a Rua Direita abrigava casarões dos mais abastados e, com o tempo, as melhores e mais importantes casas comerciais, agências bancárias e escritórios de toda sorte. Era ali, na confluência com a Rua Frei Gaspar, que ficava o que os santistas chamavam de ‘Quatro Cantos’, o espaço mais garboso da cidade, onde desfilavam elegantes homens trajados de terno e gravata e chapéu panamá. Com a Proclamação da República, a via teve a honra de ser rebatizada com o dia que transformou o país, sinalizando novos e promissores tempos para os brasileiros”, conta o historiador. A Rua XV de Novembro não decepcionou, segundo ele. Ao longo dos anos, ganhou tamanha relevância que se consolidou como o principal centro econômico da cidade, a ponto de ser conhecida como a “Wall Street” santista por ser cenário das negociações internacionais do café, então principal produto do Brasil. Por ali, estavam estabelecidas algumas das principais instituições financeiras da época, como a Casa Bancária Ribeiro Carvalho, o Royal Bank of Canada, o Banco Português do Brasil, o Banco de Comércio e Indústria de São Paulo, o London & Brazilian Bank Limited, o Brasilianische Bank für Deutschland e o British Bank of South America. Também marcavam presença a Associação Comercial, a Bolsa do Café e a Bolsa de Valores de Santos, além de confeitarias e bares entre os mais frequentados da cidade. Para quem buscava lazer, a região também não deixava a desejar. Era possível frequentar o cinema Excelsior, instalado no nº 88, ou o ‘Salon Bijou’, no nº 94, que contava com mais de 400 lugares. Havia ainda o ‘Salão Smart’, no nº 46, e o ‘Pathé’, conhecido por exibir filmes mais ousados vindos da França. “Ao longo do dia, a movimentação era intensa, como a de um verdadeiro formigueiro humano, só interrompida ao passar do bonde. Em 1929, com a crise instaurada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque e a consequente queda do comércio do café, a Rua XV de Novembro passou a testemunhar uma lenta queda de sua aura nobre. Sobreveio a 2ª Grande Guerra e, com ela, mais desalento e tempos negros. Parecia que os bons tempos não retornariam, como de fato jamais foram retomados como no auge. A via entrou em decadência, assim como seus símbolos”, explica Sérgio Willians. Virada de chave No entanto, no fim dos anos 1990 e na virada para o novo milênio, um novo fôlego pareceu impulsionar novamente a Rua XV de Novembro, conforme explica o historiador. Um processo de revitalização estética devolveu à via traços de sua grandiosidade, resgatando a atmosfera dos seus tempos áureos. “Foi o pontapé que faltava para estimular a revitalização dos imóveis que abriga, como o prédio do antigo Banco Italiano, ocupado pela Construtora Phoenix; o prédio da Associação Comercial, entre outros. Até a Câmara Municipal de Santos passou a ocupar espaços na velha rua que orgulha os santistas”, conta Willians.