[[legacy_image_328387]] “Não surgiu do nada, foi um amor que veio, nos vimos uma primeira vez e ficamos juntos para sempre, sempre se amando, sempre se adorando”. É assim que o aposentado Jorge Veríssimo de Oliveira França, de 76 anos, costuma contar a sua história de amor durante as corridas que faz pelas ruas de Santos como motorista de aplicativo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conhecido como ‘Vovô do Uber’, o motorista ficou conhecido nas redes sociais ao compartilhar a sua história com Marilea Mehl de Oliveira França, seu grande amor da adolescência, com quem construiu um relacionamento de 52 anos. A mulher, entretanto, morreu há seis anos, após um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O inícioA história de Jorge e Marilea começou em meados da década de 1960. Com apenas 16 anos, o homem diz que estava no colégio, em uma quinta-feira, quando viu a mulher, na época com 15, pela primeira vez, e que na hora soube que se casaria com ela um dia. “Quando ela estava andando, uns 10 metros ou 12 metros (de distância), eu falei para ela: 'um dia você vai ser minha esposa'. Aí ela deu um sorriso maroto e foi embora”. Mas, ele se voltou aos amigos - que haviam duvidado que ela poderia se atrair por ele - e disse que já havia a conquistado. “Eu falei: ‘gente, presta atenção, eu olhei nos olhos dela, eu vi o brilho de apaixonada. Ela vai voltar, eu tenho certeza”, comentou. E por dois dias ele ficou perdidamente apaixonado. Até que, no sábado, em uma festa americana, ele a viu novamente, no cantinho. Nesta altura, Jorge já sabia: a moça tinha um namorado, ele só não esperava ouvir que ela havia terminado. E direto, como no primeiro cruzamento de olhares, ele disse: “Fiquei dois dias apaixonado pensando em você e você tem namorado. E ela falou, ‘eu terminei’. Aí eu perguntei, ‘por minha causa?’ Ela deu aquele sorriso e disse que não, que ele não gostava de festa, não gostava de praia, não gostava de nada. Então, eu falei: ‘faz assim, eu já estou pedindo você em namoro, termina com ele, porque eu gosto de tudo’”, lembra. Apesar de apaixonados, o primeiro beijo só foi ocorrer duas semanas depois, à beira do mar, em Guarujá. Eles foram até à cidade de Maria Fumaça, comeram uma pizza e se sentaram na praia. “O nosso amor, apesar de ser uma história, ele foi maior do que Romeu e Julieta. Só que a morte nos separou”, diz, saudoso. Após quatro anos de um namoro sério à época, Jorge e Marilea se casaram, cumprindo a promessa que ele fez à ela, na primeira vez que se viram. “No dia do casamento eu falei para ela: ‘não falei que você seria a minha esposa? Agora você está sendo’”, conta. Da união, nasceram três filhos, sete netos e um bisneto. Jorge diz que ao longo do relacionamento, eles foram muito felizes e amigos. Para ele, o segredo está no amor, no respeito e na confiança - e é isso que ele aconselha nas suas corridas pelas ruas de Santos. “Eu quero dizer sempre para as pessoas, tudo envolve o amor, tudo envolve o respeito e tudo envolve a confiança. Esses três unidos, eles vão longe. Não adianta, se morrer o amor, acabou. Se o respeito cair, acabou. Então, se um respeita o outro, não se deve querer mandar na vida do outro. Ninguém é dono de ninguém. Você se une para ter uma família”, diz. [[legacy_image_328388]] A partidaApesar de comparar a sua história com a obra de William Shakespeare, o final dela aconteceu em uma noite de segunda-feira. Era 27 de março de 2017 e Jorge estava trabalhando pelas ruas de Santos. “Eu falei ‘vou para casa’, era umas 20h e eu trabalho até, no máximo às 21h, mas naquele dia me deu uma coisa (...). Eu cheguei em casa e ela ainda brincou comigo”, lembra. Jorge foi tomar uma ducha. Marilea, esquentar a comida. Essa foi a última vez que estiveram em casa juntos. A mulher começou a passar mal e foi direto para o hospital. O diagnóstico veio rápido: Acidente Vascular Cerebral (AVC). Marilea ficou 7 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na terça-feira, 4 de abril, partiu. “No último dia dela, eu falei para o meu filho: ‘a mãe vai subir’, ele me perguntou como eu sabia e eu disse: ‘ela vai subir hoje, pode ter certeza, porque ela está muito bonita. A feição dela está muito bonita (...) Quando eu cheguei em casa, era meia-noite, a enfermeira me ligou”. Naquele dia, ao receber a notícia, o motorista diz que se sentiu vazio. “Até hoje eu sinto falta dela… Mas, a gente procura não ficar lembrando muita coisa, né? Só as coisas boas. Às vezes eu passo num lugar, lembro onde a gente se conheceu, onde a gente ia, isso e aí me traz saudade”. [[legacy_image_328389]] Vida após a morteE a vida seguiu… Um novo neto e um bisneto nasceram desde que Marilea morreu. Jorge continuou as corridas de Uber e se apegou cada vez mais à família. Mas, ele nunca abriu mão de contar para as pessoas que viveu um grande e verdadeiro amor. Para ele, tudo foi o destino, desde a maternidade, porque ambos nasceram no Rio de Janeiro e se mudaram para Santos, e porque também estavam no local certo e na hora certa. “Era para ser”, afirma. Viúvo, o Vovô do Uber lembra de Marilea todos os dias e faz menção da amada sempre que pode. “Meu grande amor tá aqui. Esse foi o meu verdadeiro amor. Foi uma coisa diferente, sabe? Eu não sei o que nem explicar. Foi a primeira vez, a primeira vista”. Ele acredita que todos devem e podem viver uma história de amor, e aconselha os passageiros a também acreditarem. [[legacy_image_328390]]