[[legacy_image_171246]] Ao menos 70 quilos de lixo foram recolhidos em duas ações do Instituto Sea Shepherd Brasil no costão do Deck do Pescador, na Ponta da Praia, e na Praia do Boqueirão, em Santos, entre sábado (23) e domingo (24). A grande maioria é do chamado microrresíduo, que inclui elementos como bitucas de cigarro, pequenas embalagens plásticas, canudos e pedaços de isopor. “É impressionante, porque é um lixo muito leve, mas muito essencial que seja retirado para manter a saúde do oceano”, afirma a diretora-executiva da Sea Shepherd Brasil, Nathalie Gil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O instituto é um braço da Sea Shepherd Conservation Society, organização sem fins lucrativos para proteger a vida marinha no mundo todo, fundada em 1977 pelo canadense Paul Watson. Entre suas ações, estão parcerias com organismos como a Interpol, para investigar ações que possam prejudicar os oceanos e a vida marinha no mundo. Houve atividades ontem em praias de Santos, em conjunto com a Prefeitura. Espalharam-se cinco tendas, do Gonzaga à Ponta da Praia, para coleta de lixo com voluntários e esclarecimentos sobre conservação do oceano e vida marinha. Exposições e palestras também compuseram o dia. Cerca de 60 a 70 pessoas participaram, por sessão, diz Nathalie, no primeiro da organização durante a pandemia. Resíduos Nathalie explica que há três principais tipos de lixo na praia: dos frequentadores que reproduzem comportamentos de jogar bitucas de cigarro no chão e lacres de latinha; esgoto (nem sempre da cidade); e o que vem do mar, de duas fontes: do esgoto e das embarcações. “Hastes flexíveis também são comuns, pois são descartadas no vaso sanitário e o seu formato, dependendo do ângulo, passa na rede de captação dos esgotos. É muito comum achar, não só no Brasil, mas no mundo todo”, relata. Nathalie afirma também que muitas embarcações descartam resíduos no mar antes de entrar no Porto porque a retirada do lixo tem custo. “É difícil fiscalizar, mas não, impossível. Porque, se as embarcações estão chegando vazias em portos, é provável que jogaram (lixo antes). Se elas passaram dias viajando...” Repensar Os voluntários do Instituto passaram mais de uma hora recolhendo lixo. E o tipo mais encontrado, em volume, é a bituca de cigarro, de acordo com o coordenador de Mídias do instituto, Vinícius Paceka. Entretanto, há também outros tipos de resíduos, como canudos e garrafas PET. O plástico, segundo ele, é um dos grandes problemas, por ter pouca reutilização. “Tem um estudo mostrando que, todos os anos, cada ser humano ingere (o equivalente a) um cartão de crédito de plástico a partir do consumo de animais marinhos, que se alimentam do microplástico que vai parar nos oceanos”, afirma Paceka. Nesse sentido, cada pessoa pode fazer sua parte repensando seu tipo de consumo. O isopor utilizado em marmitas e que teve seu uso aumentado durante a pandemia, por exemplo, não pode ser reutilizado. “É só pensar no nosso consumo diário, na forma como consumimos cada coisa. Pense nos cafés e na água que nós tomamos em qualquer escritório por aí. As pessoas o fazem sem pensar como aquilo vai afetar o meio em que elas mesmas vivem.”