Novo trecho que vai até o Valongo completa hoje três meses e tem agradado a maioria dos passageiros (Alexsander Ferraz / AT) Aproximadamente 72 mil passageiros utilizaram o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) nos três primeiros meses de operação do trecho entre as estações Conselheiro Nébias e Valongo, em Santos. O dado é da BR Mobilidade, concessionária responsável pelo sistema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os usuários do novo trecho, a avaliação é majoritariamente positiva. A dona de casa Andrea Marques Gonçalves, de 49 anos, afirma que o VLT facilitou sua locomoção pelo Centro, mas aponta a necessidade de melhorias. “Para ficar melhor, só falta fechar as estações e o VLT andar um pouco mais rápido”, disse. A professora Judith Fernandes Lopes, de 68 anos, também elogiou o serviço. “Achei uma ideia muito boa. É um transporte fantástico, limpo e confortável. Espero que façam outras linhas”, afirmou. Ela ainda sugeriu a implantação de estações fechadas e wi-fi a bordo. Já a dona de casa Nara Elizabete Gomes, de 71 anos, utilizou o novo trecho pela primeira vez e acredita que o sistema facilitará seus deslocamentos. “Você entra e vai direto, sem trânsito”, comentou. Atualmente, a segunda linha do VLT funciona de segunda a sábado, das 9h às 15h, com tarifa gratuita. Aos domingos, não há operação. A média registrada é de cerca de 920 passageiros por dia nesse trecho. A BR Mobilidade informou que a linha segue operando em horário reduzido e com gratuidade enquanto avança no cumprimento das obrigações contratuais, sem prazo definido para mudanças. Sobre a sinalização e a sincronização semafórica, a concessionária destacou que a instalação está em andamento, conforme termo aditivo assinado em 2025, com conclusão prevista para este mês de março. A instalação das portas nas estações deve começar nos próximos meses, com término estimado para novembro. Segundo a empresa, também houve melhora no compartilhamento do espaço público, com redução gradual de veículos estacionados sobre os trilhos. “Essa adaptação se reflete na ausência de acidentes desde o início da operação no trecho Conselheiro Nébias–Valongo. Esse resultado é fruto do intenso treinamento que nossos condutores recebem”, informou a concessionária. Comerciantes citam dificuldades com a implantação do modal Entre comerciantes do Centro ouvidos pela Reportagem, a avaliação desses três meses não é positiva. Um lojista da Rua Amador Bueno, que preferiu não se identificar, disse que a chegada do VLT prejudicou o comércio local. “Não teve melhoria, só piorou. O movimento da minha loja caiu cerca de 40% (desde que ele começou a funcionar). Se observar, havia vários estacionamentos na rua; pelo menos quatro fecharam”. Opinião semelhante tem a gerente de uma loja próxima à Estação Mauá, Maria Luiza Oliveira Cardoso, de 23 anos. Segundo ela, o VLT trouxe leve aumento no movimento no fim do ano passado, mas o impacto ainda é pequeno. “Hoje mesmo está vazio. O horário, das 9h às 15h, não é de pico. De manhã até passa mais gente, mas ao meio-dia e no começo da tarde o fluxo é baixo. Quando funcionar em horário integral, acredito que fará diferença”, disse Maria Luiza, na última quarta-feira. Ela também aponta que a estação em frente à loja prejudica a visibilidade da fachada e dificulta a logística. “Desde as obras já ficou complicado descarregar mercadorias. É difícil estacionar e nossos caminhões são grandes. Às vezes precisam parar a duas quadras daqui ou na quadra de trás”. Outra comerciante da Rua João Pessoa, que não quis se identificar, afirmou que não notou melhora no movimento e que também enfrenta problemas com a descarga de produtos. Segundo ela, a loja precisou pagar um espaço exclusivo para realizar o transbordo de mercadorias. De acordo com a comerciante, o VLT tem atrapalhado o trânsito de veículos.