Onde havia semáforos indicando quanto faltava para atravessar sobram situações de risco, como cruzar a rua a pé com sinal aberto a veículos, no Centro de Santos (Alexsander Ferraz/ AT) Em diferentes pontos do Centro de Santos, no litoral de São Paulo, pedestres reclamam da ausência de semáforos exclusivos para travessia. Em esquinas que antes dispunham de equipamentos com contagem regressiva, hoje resta observar o sinal para veículos para tentar atravessar antes que abra repentinamente. A situação tem gerado queixas, especialmente em cruzamentos de grande fluxo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os locais citados, estão as confluências das ruas João Pessoa e Braz Cubas e da Praça José Bonifácio com a Avenida São Francisco. Sem a referência do tempo de travessia, muitos pedestres relatam insegurança e demora para cruzar as vias. O aposentado Sérgio Luiz de Oliveira Martins, de 59 anos, afirma que tal situação pode resultar em acidentes. Uma vez em que tentou atravessar precisou voltar ao meio-fio ao perceber a aproximação dos veículos. Para ele, a contagem regressiva traz mais segurança. “Quando tem semáforo contando os segundos, me sinto muito mais seguro para atravessar.” O despachante aduaneiro Elizeu Oliveira, de 54 anos, também aponta dificuldades. “É muito ruim para o pedestre. A gente tem que ficar esperando o semáforo de carros passar. Um idoso ou um deficiente não consegue atravessar com facilidade”, relata. Segundo ele, no Centro, os semáforos para pedestres se tornaram raros. Oliveira associa a mudança à abertura da segunda linha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que agora chega ao Centro, e defende que a sinalização seja reinstalada — e tem razão, como se lerá adiante. “Com a contagem, é bem mais seguro e mais rápido, tanto para o pedestre quanto para o motorista.” Martins: há perigo de acidentes; Oliveira: ruim para os pedestres; Aparecido Afonso: travessia difícil (Alexsander Ferraz/ AT) O analista de sistemas Aparecido Afonso, de 47 anos, diz sentir falta dos sinais, principalmente em pontos que considera mais arriscados. “Acaba dificultando a travessia”, afirma. Ele também pensa que, com a chegada do VLT, o fluxo de veículos se intensificou, e atravessar ficou mais difícil. “Quando tem o tempo de travessia (indicado em um semáforo), me sinto mais seguro.” A reportagem de A Tribuna constatou que parte dos pedestres tentava atravessar vias com sinal aberto para carros e precisava correr para evitar um acidente ou tinha de retornar para a calçada. Adaptação A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) Santos informou, por nota, que a sinalização de trânsito nas regiões Intermediária (por exemplo, em bairros como Macuco e Encruzilhada) e Central precisou ser adequada à implantação do segundo trecho do VLT. De acordo com a Administração, durante as obras, foi necessário remover parte dos conjuntos semafóricos por causa da remodelação da geometria dos cruzamentos. Também segundo a Prefeitura, a Agência de Transporte do Estado (Artesp), responsável pelo projeto do VLT, estaria instalando nova sinalização ao longo das vias, incluindo a semaforização dos cruzamentos no trajeto do veículo leve. Ainda de acordo com a Prefeitura, cruzamentos como os da rua Amador Bueno com a Braz Cubas e com a Avenida Senador Feijó, além das intersecções da Rua João Pessoa com a Amador Bueno e com a Avenida Senador Feijó, têm recebido conjuntos de sinalização semafórica, incluindo semáforos para pedestres. Na nota, se acrescenta que a sinalização semafórica foi modernizada e que prossegue a troca dos conjuntos por modelos mais apropriados a características do Litoral — a salinidade, que oxida metais —, fabricados com materiais como o policarbonato.