[[legacy_image_115140]] "No Outubro Rosa, fala-se muito do autoexame e da prevenção ao câncer de mama, mas pouco vejo sobre o que a mulher passa durante o tratamento e o quanto é importante o marido, o pai, a mãe, os filhos e os amigos estarem ao lado dela, prestando apoio". O alerta é do despachante aduaneiro Nilson Jonas Júnior, de 47 anos, que passou um ano e quatro meses ao lado da esposa, Carla, na luta contra um câncer de mama, que a vitimou em fevereiro de 2020. Mais de um ano e meio depois da morte, ele ainda se impressiona com a falta de apoio às mulheres e aos parentes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nilson e Carla se conheceram em 1990, quando tinham 15 anos. Com 17, ela engravidou do primeiro filho e, no mesmo ano, eles se casaram. Nilson conta que a esposa fazia exames regularmente até que, em 2018, descobriu um caroço no seio. Apesar da anormalidade, Carla não imaginava que esse seria o sinal de um câncer de mama, até receber o diagnóstico da doença, em outubro do mesmo ano. Para piorar, tratava-se de um câncer triplo negativo, o tipo mais agressivo da doença. "Não havia mais tratamento e o lado emocional da minha esposa estava muito frágil. Se eu falasse sobre a gravidade desse câncer, ela iria se entregar, então guardei essa informação comigo, não conversei nem com meus filhos, para não vazar a informação, e prometi que iria honrar o compromisso de ficar com ela até o fim". Em meio à batalha travada por Carla e acompanhada por Nilson em exames e tratamentos, ele percebeu que muitas pacientes compareciam sozinhas aos hospitais e, depois de conversar com profissionais da saúde, descobriu que a situação era até certo ponto comum. "A gente ama a pessoa pelo que ela é e escolhe um companheiro pelo caráter, porque isso não vai mudar". Apesar da expectativa de vida de Carla ser inicialmente de oito meses, ela conseguiu conviver com o câncer por um ano e quatro meses. Para a família, essa diferença só reforçou que apoio oferecido à paciente foi decisivo para que ela continuasse lutando, apesar do prognóstico. Nilson se emociona até hoje ao lembrar que, pouco antes de ser internada pela última vez, a esposa preparou uma surpresa no banheiro de casa, com mensagens de agradecimento pela parceria na luta contra o câncer. [[legacy_image_115141]] Apoio psicológico O apoio psicológico aos pacientes e seus familiares chama atenção de Nilson. Para ele, é necessário haver uma grande rede de apoio a todos que lidam com o câncer. "Eu não tive ajuda psicológica, só o carinho dos meus filhos e do pastor". Por isso, sempre que pode, lembra às pessoas que passam por problemas como o que ele viveu a necessidade de cuidar da mente. [[legacy_image_115142]] Para o médico oncologista André Perdicaris, a família tem um papel fundamental para que as pacientes consigam enfrentar o tratamento. "Os familiares são importantes no apoio emocional e nas medidas de precocidade diagnóstica com considerável aumento da sobreviva e da qualidade de vida". A importância do apoio familiar às pessoas com câncer é reforçada pela psicóloga Renata Persike. Segundo ela, ter a família por perto diminui a sensação de solidão. "Faz com que o paciente não se sinta tão sozinho para enfrentar o tratamento, isso influencia no emocional do paciente, faz com que seja menos doloroso passar por esse processo". Ela também ressalta que é importante ter uma rede de apoio aos cuidadores dos pacientes oncológicos. "Quase sempre, quando um familiar recebe a notícia de que um ente querido está com câncer, o primeiro pensamento é o medo de perder a pessoa, seguido do medo de não conseguir dar o suporte a quem ama e se pode ou não demonstrar seu medo. Fora que, muitas vezes, os familiares mudam suas vidas para dar o suporte necessário aos pacientes. Todo cuidador precisa ser cuidado".