[[legacy_image_15880]] Famílias que perderam tudo no incêndio que atingiu ao menos 60 barracos no Caminho da Divisa, no Rádio Clube, Zona Noroeste de Santos, na madrugada de segunda-feira (20), querem ficar abrigadas em escolas próximas ao local onde vivem e pedem a liberação do auxílio-aluguel. Muitos estão passando os dias em locais cedidos pela comunidade ou em casa de parentes. Felipe Guilherme Alonso, 23 anos, e a mulher dele, Samantha Bock de Souza, 26 anos, estão alojados, com o filho de 9 meses, de forma improvisada, em um salão de festas cedido por uma associação do bairro. O casal perdeu tudo, inclusive os documentos, e foram levados para a associação. De acordo com eles, o local ficará disponível somente até domingo. Depois, não sabem para onde irão. Ela está desempregada e ele é autônomo. Mas o trabalho está difícil por conta das medidas de isolamento social. “A nossa casa foi uma das primeiras a queimar. Foi muito rápido. Os vizinhos nos acordaram e não deu tempo de salvar nada. Saímos com a roupa do corpo”, conta Samantha. Ela afirma que foi oferecido pelo Município um abrigo para as famílias. “Mas é longe daqui e teríamos que ficar separados. A gente não aceitou. Se a comunidade não tivesse conseguido esse espaço, até domingo, estaríamos na rua. Acho que o prefeito (Paulo Alexandre Barbosa) podia deixar a gente em uma escola. Não está tendo aula”. Dificuldade O salão é pequeno e, em tempos de pandemia do novo coronavírus, pelo menos sete famílias dividem o espaço. Há só dois banheiros (feminino e masculino) e mesmo assim não estão preparados para atendê-los de forma adequada, com espaço suficiente para banho, por exemplo. Não há ainda como não ficar aglomerado, diz a doméstica Suelen da Silva Sena, 33 anos, que também perdeu tudo no incêndio. Ela morava em um barraco com três filhas, de 4, 10 e 13 anos. “Aqui estão nos ajudando, mas não tem espaço e só podemos ficar até domingo. Depois, não tenho para onde ir. Estamos nas mãos de Deus”. Tristeza Erlisson Pereira de Deus, 45 anos, nem consegue olhar direito para os escombros onde até segunda-feira tinha seu cantinho e morava com a mulher. Ele também está desempregado e não faz ideia de como recomeçar. "Perdi documento, móveis, celular. Tudo comprado ao poucos, com muita dificuldade. Era um barraco. Mas era meu. Saía e tinha para onde voltar. Agora estou no salão, que virou abrigo, e não sei como será o amanhã. É muito triste”. O ajudante de motorista Fabrício Aparecido dos Santos, 39 anos, conta que já ajudou a apagar outros incêndio na comunidade. Mas, dessa vez, a casa dela foi atingida. “Estou dormindo na casa da minha mãe. É inviável ir para o abrigo que nos ofereceram. Espero que a Prefeitura nos dê o auxílio-aluguel para a gente recomeçar”. Ajuda As famílias ainda precisam de doações de itens de higiene, incluindo papel higiênico, pasta e escova de dentes, além de absorvente. Também podem ser doados alimentos. Local para entrega: Bar do Bigode (Rua Caminho da Divisa, 24A). Quem quiser pode entrar em contato pelo 98819-4990 (falar com Vanessa).