[[legacy_youtube_4SIgp0I6sXs]] Passar horas à procura do filme perfeito, olhar sinopses, capas e pedir dicas para atendentes de videolocadoras parecem hábitos antigos e nostálgicos. Porém, em Santos, a Video Paradiso, que tem 29 anos de existência, rema contra a atual predominância do streaming no mercado audiovisual e segue sobrevivendo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! [[legacy_image_30757]] Inaugurada em 1991, a Paradiso é um negócio familiar, criado pelo casal Marcelo Rosendo e Rosana Castro, no ano do casamento dos dois, na garagem e sala da casa de ambos. Desde sua criação, a Paradiso, como é conhecida na cidade, enfrentou todas as mudanças de hábito de consumo de filmes – vivenciou o auge da VHS na década de 90, a chegada do DVD nos anos 2000, o início da ameaça da pirataria em meados de 2005, a chegada do Blu-ray e o declínio de clientes com a popularização dos serviços de streaming. Marcelo explica que a diferença da sua loja para o que é ofertado nas opções digitais é a quantidade e diversidade de obras disponíveis, estas geralmente raras. Atualmente, há cerca de 20.000 filmes disponíveis. Para ele, mesmo com o enfrentamento a todos os picos crescentes e decrescentes, as videolocadoras não foram substituídas pelo streaming e dificilmente serão. “Não está sendo uma substituição total do mercado de vídeo. Essa substituição não foi plena, como eu até achei que ia ocorrer, porque demanda [tempo] para as plataformas adquirirem os direitos dos filmes. Então o planejamento deles [os serviços de streaming] é esse. É ter um planejamento de filmes pequeno”, afirma. Ele também destaca que os clientes atuais buscam são não só filmes clássicos e alternativos, mas também a relação de troca com os atendentes e a sensação de pegar nas mãos a capa de uma produção audiovisual. [[legacy_image_30758]] É o caso, por exemplo, do advogado Rodrigo Costal, que não dispensa as sugestões do Marcelo, Rosana e do único funcionário da loja, Vinícius Barroso Araújo. “Eu sou cinéfilo e aqui a gente encontra o que não tem em lugar nenhum. É muito comum, inclusive, eu pegar um filme e pedir a opinião dos atendentes”. Já para Maurício Triano, cliente e mergulhador profissional, o que diferencia as videolocadoras do streaming é o contato físico. “Tem a caixinha para você poder olhar sobre o que é o filme e gosto de conversar com o pessoal que aluga as obras". Outro ponto que Marcelo destaca é o caráter de renovação da videolocadora, que além de raridades, voltadas para o público nichado, como exemplares nacionais, da Nouvelle Vague e documentários, o espaço também busca se renovar, nutrir o acervo com novidades do mercado - há filmes novos, como Nasce Uma Estrela, Parasita, A Forma da Água e Vingadores – Ultimato. [[legacy_image_30759]] Contudo, apesar das tentativas do proprietário de manter a videolocadora funcionando, mesmo não sendo mais sua principal renda, ele desabafa ao dizer que se sente desanimado com a falta de fidelidade do público. Em contrapartida, se empolga com a parcela dos clientes que notam a singularidade de seu acervo. Mas, mesmo com o cenário decrescente do negócio, ao ser perguntado sobre seu filme predileto, Cinema Paradiso, que inspirou o nome da locadora, seus olhos brilham ao falar da obra que conta a história de encantamento de um menino por uma sala de cinema, em uma cidadezinha da Itália. “É um filme maravilhoso, tem muita sensibilidade. Há muitos picos emocionais”. Por fim, ao comentar sobre o futuro da videolocadora, disse que jamais venderia seus filmes, como outros colegas fizeram ao fecharem as portas. “Vou trancar tudo aqui e ninguém vai pegar”, finaliza.