Viagem à Coreia do Sul (na foto, a capital, Seul) foi cancelada após organizador receber pagamentos (Fábio Pires/ TV Tribuna) A história de Danielle Toledo, de 47 anos, moradora de Santos, no litoral de São Paulo, é o ponto de partida de um caso que reúne vítimas de diferentes estados: um suposto golpe na organização de uma viagem para a Coreia do Sul, na Ásia. Os resultados foram prejuízos financeiros e emocionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Danielle passou a estudar o coreano após perder o filho, em 2021. Sua mãe a apresentou doramas e ela ficou apaixonada pela cultura da Coreia do Sul. Foi nesse contexto que encontrou um grupo de conversação em coreano nas redes sociais. Nesse ambiente, conheceu o responsável pelos pacotes de viagem. Meses depois, surgiu a proposta de uma viagem em grupo para a Coreia do Sul. Convencida, ela aderiu ao pacote e iniciou os pagamentos em abril de 2024. Ao longo do processo, porém, passou a desconfiar. “Ele pedia dinheiro para coisas que não eram da viagem, eram pessoais. Mas já tinha investido muito e ia continuando”, relata. Danielle afirma ter pago R\$ 30,9 mil, sem nunca receber contrato formal. A viagem, inicialmente prevista para outubro último, foi adiada para março sob a justificativa de que a mulher do organizador teria um bebê. Próximo da nova data, segundo Danielle, não havia passagens, hospedagem, nem qualquer confirmação. “Ele dizia que estava monitorando os preços por causa de um show de k-pop, depois falou de guerra, depois inventava outro motivo”. A situação levou vítimas a exigir respostas. “Ele falava separadamente com cada uma para evitar que a gente se organizasse. Chegou a pedir para eu parar de falar com outra vítima”, conta a moradora de Santos. Danielle registrou boletim de ocorrência por estelionato no 3º Distrito Policial (DP) da cidade da Baixada Santista. “Hoje, somos um grupo de vítimas em vários estados. Algumas já têm processos na Justiça. A gente quer uma ação criminal coletiva”. Mais vítimas A servidora pública Vanessa Ferreira, de 46 anos, de Itaperuna (RJ), conheceu o investigado no mesmo grupo de estudos e decidiu comprar um pacote em fevereiro do ano passado. “Eu paguei com um ano de antecedência. Foram R\$ 29,5 mil”, diz. A viagem estava marcada para março deste ano. Mas, segundo ela, houve mensagem de cancelamento a menos de dois meses do embarque. Uma vítima de Sorocaba (SP), sob anonimato, diz ter pagado cerca de R\$ 37 mil. Segundo ela, a confiança veio da recomendação dentro do grupo. Ela relata que a viagem foi cancelada após a gravidez da mulher do organizador, mas o dinheiro não foi devolvido. Denunciado justifica que era 'na confiança' O homem apontado pelas denúncias, que pediu anonimato, afirma que as viagens não eram organizadas por uma empresa formalizada, mas em nome dele. Segundo ele, havia apenas um perfil em rede social, mas nunca houve a abertura de um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Ele diz que a ideia surgiu enquanto ajudava um conhecido em um projeto relacionado ao ensino da língua coreana. A partir disso, segundo ele, surgiu a proposta de organizar viagens culturais à Coreia do Sul. “Eu já morei na Coreia”, onde disse estar ao conceder entrevista. O acusado admite falhas na condução do negócio, principalmente pela ausência de contratos em alguns casos. Segundo ele, no início, a relação com as clientes era baseada em proximidade. “Foi na base da confiança. Eu tratava como amizade, não só como cliente”. O homem alega que não houve recusa em fornecer contratos, mas falta de estrutura no início das atividades. Ele também confirma que os valores das viagens variavam entre os clientes. “Eu vendia se valia a pena pra mim, dependendo da forma de pagamento”, explica. Quanto a relatos de cobranças extras, nega ter solicitado dinheiro para benefício próprio, mas admite episódios pontuais. Segundo ele, em uma situação específica, pediu ajuda para um gasto imediato. “Meu cartão não passou, pedi ajuda para encher o tanque, foi isso. Não foi um cenário criado para conseguir dinheiro”. Sobre a emissão de passagens, o acusado comentou casos em que não havia bilhetes comprados no prazo esperado. Porém, observou ter registrado ocorrências contra denunciantes por difamação e que pretende buscar reparação judicial.