Pesquisa do órgão sindical, ainda não concluída, indica que 74% dos consumidores entrevistados pretendem comprar ovos de chocolate (Vanessa Rodrigues/AT) Mesmo com o reajuste médio de 15% nos preços dos ovos de Páscoa neste ano, a expectativa é de vendas 4% maiores do que em 2024. Os índices foram apresentados pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista, Omar Abdul Assaf, apesar de o preço do cacau ter subido 189% em um ano — também de acordo com ele. As projeções de Assaf incluem caixas de bombons, barras de chocolate e itens da ceia, como o bacalhau. “A Páscoa, ao longo dos últimos anos, tem visto uma redução na quantidade de ovos produzidos. Isso já é uma tendência, para não sobrar, para não perder. E o calor não tem ajudado muito, o que estimula ainda mais essa redução. Mas a Páscoa ainda é uma das três ou quatro melhores datas de venda do ano”, afirma. Pesquisa do sindicato, ainda não finalizada, dá conta de que 74% dos consumidores entrevistados pretendem comprar ovos de chocolate. Porém, parte deles deve esperar o clima esfriar e comprar mais perto da data, a ser celebrada em 20 de abril. Indústria A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), que reúne fabricantes de chocolates e doces, declara que o setor está otimista para este ano. “A Páscoa é a primeira data comemorativa com troca de presentes, e o setor de chocolates mantém um ritmo produtivo acelerado, garantindo o abastecimento tanto do mercado interno quanto do internacional. A produção brasileira de chocolate segue forte, e o Brasil se destaca pela alta qualidade de seus produtos”, cita. O preço do chocolate é impactado por fatores como os preços de cacau, açúcar e leite, a inflação, a variação do dólar, contratações, distribuição e impostos. “No caso os ovos de Páscoa, há que se considerar um processo de produção de alta complexidade, custos de embalagem, armazenagem e logística.” Preços A Tribuna constatou que a procura por ovos de Páscoa ainda é baixa. Em um estabelecimento na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos, havia ovos a preços entre R\$ 9,90, com 40 gramas, e R\$ 129,90, com 350 gramas. Produtos de marcas tradicionais custavam quase o dobro dos de fabricantes menos conhecidos, quando comparados ovos de tamanho semelhante. Consumidores A aposentada Mara Busim Poblete, de 64 anos, diz que não compra ovos há anos. “O motivo é óbvio: o preço é exorbitante e não vem nada além do chocolate. O chocolate fora da embalagem do ovo é mais barato. Por isso, tenho feito coisas personalizadas para minhas netas.” Mariana: aos parentes e amigos (Sílvio Luiz/AT) A bancária Danielle Granieri, de 47 anos, acha “os preços abusivos, principalmente dos ovos de Páscoa que já chegaram aos supermercados. Está absurdamente mais caro do que no ano passado”. Apesar disso, ela pretende comprar ovos para dar de presente para suas primas pequenas. A gerente operacional de transportes, Flávia Lacerda Bezerra Joda, de 42 anos, age assim: “Espero e compro depois da Páscoa, com os valores mais reduzidos”. Flávia comprará depois da festa (Sílvio Luiz/AT) O segurança Itakyan Souza Nunes, de 57 anos, vai comprar ovos para os filhos dentro da data. E a estagiária Mariana Travassos Casanova Rafael, de 21 anos, pesquisará ovos e barras, pois tem parentes e amigos para presentear. Itakyan presenteará os filhos (Sílvio Luiz/AT)