Ministério Público Federal foi convencido de que retirada dos destroços era ameaça à integridade do Kestrel (Vanessa Rodrigues/ AT) O veleiro inglês Kestrel, cujos destroços estão na Praia do Embaré, em Santos, na altura do Canal 5, motivou um acordo entre Governo Federal, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Prefeitura de Santos com o Ministério Público Federal (MPF). Graças à conciliação, de acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), os vestígios arqueológicos da embarcação permanecerão no local para estudo e visitação pela população. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma ação civil pública movida pelo MPF pedia que a União, por meio da Marinha, removesse a carcaça do local, enquanto Iphan e Prefeitura realizariam estudos e o devido tratamento do que restou da embarcação. No entanto, o MPF foi convencido de essa hipótese era tecnicamente inviável, com ameaça à integridade dos restos do Kestrel. “Os tratados internacionais sobre naufrágios recomendam a preservação de bens arqueológicos navais no próprio local em que (são) encontrados, para que a população possa tomar contato com o patrimônio histórico de maneira contextualizada com o seu ambiente, estabelecendo assim uma ponte entre o presente e o passado”, diz o advogado da União, Marco Antonio Perez de Oliveira, em material divulgado pela AGU. Com o acordo, caberá ao Iphan a contratação de uma equipe de arqueólogos para realização de estudos. Em nota, o instituto informa que “a referida contratação ainda está em fase de discussão”. “Está prevista uma reunião em breve entre o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), unidade do Iphan, com a superintendência do instituto em São Paulo. Nesse sentido, ainda não é possível dar detalhes técnicos sobre o assunto”, complementa o Iphan. Conservação e segurança O arqueólogo Manoel González, que é coordenador e responsável técnico do Projeto Kestrel - que visa o levantamento documental e pesquisas arqueológicas do navio, além de manter medidas de preservação do sítio arqueológico -, afirma que vem acompanhando, a cada 15 dias, a situação dos destroços e o quadro gera preocupação. “O grau de deterioração está de médio a elevado, pois, além dos problemas ambientais, temos a questão dos banhistas que ultrapassam os limites estabelecidos e acabam circulando sobre os restos do veleiro, muitas vezes tirando fragmentos. Além de estarem prejudicando a preservação, também correm risco de causar graves acidentes”, alerta. González acrescenta que, a cada visita, são verificados o grau de deterioração das madeiras e metais, por conta da grande exposição às marés. “Se for para manter no local, devemos ter uma estratégia para preservar os restos da embarcação e a integridade física dos banhistas”. Trabalho diário Em nota, a Prefeitura de Santos informa que “conforme tratativas com o Iphan e aval do MPF, cabe ao Município sinalizar o local e garantir a segurança da população, o que é feito diariamente”. A Administração Municipal acrescenta que “em virtude da última ressaca no mar, os cabos de aço e as boias de proteção usados para isolamento da área foram danificados” e que, “mesmo com a avaria, o local está sinalizado”. “O serviço de reparo dos itens de isolamento será concluído até o fim deste mês, conforme cronograma de serviços da Prefeitura Regional da Zona da Orla e Intermediária. A Prefeitura já propôs ao Iphan datas para vistoria no local. Até o momento, o instituto não agendou visita a Santos para vistoriar a área”, complementa a gestão santista.