Há uma pequena porta na Avenida Campos Salles, na Vila Mathias, em Santos, que leva a outro tempo. Quem atravessa a entrada encontra corredores tomados por brinquedos antigos, porcelanas, cristais, quadros, objetos religiosos, móveis, lustres, gibis, peças náuticas, perfumes, xícaras e centenas de outras relíquias. Mais do que um antiquário, é um lugar onde lembranças ganham forma e histórias reaparecem. Há cerca de dez anos à frente da loja, Paulo Fernando Abdenor Patrício, de 59 anos, costuma dizer que ali não vende apenas objetos, mas também, reencontros com o passado. “Você vai encontrar alguma coisa que vai lembrar seus pais, seus avós ou a sua infância. Na hora em que isso acontece, a pessoa muda a fisionomia. Esse sorriso já é a minha recompensa”, diz. Antes de abrir a loja, Patrício consertava máquinas de lavar. A mudança aconteceu quase por acaso, quando comprou um lote de objetos usados de um homem que precisava se mudar. “Na época, eu os classifiquei como lixo, mas acabei comprando para ajudar”, conta. Sem saber o que fazer com tantas peças, levou parte delas para vender na Feira do Rolo, na Vila Nova, e o retorno foi melhor do que esperava. “Comecei a vender minhas coisas que estavam fazendo volume na minha casa. Quando eu vi, já tinha entrado nisso.” Depois de quatro anos em feiras, alugou um pequeno espaço comercial. O negócio cresceu, mudou de endereço e hoje ocupa uma antiga casa da década de 1940 que combina com o ambiente. Ele estima ter mais de 100 mil itens e restaura objetos danificados para devolvê-los ao mercado. Acervo muda diariamente: peças chegam por compra, doações ou retiradas. Há compradores de fora (Sílvio Luiz/AT) Contato direto O acervo muda diariamente. Peças chegam por compra, doações ou retiradas em residências de famílias que precisam esvaziar imóveis após mudanças ou mortes. O que não cabe dentro da loja ocupa parte da calçada. Entre as peças de maior valor financeiro, está um antigo lampião avaliado em cerca de R\$ 3,5 mil. Mesmo assim, Paulo Patrício diz que o preço nem sempre representa a importância de um objeto. “Para cada um tem o seu valor. Isso é relativo.” Quem entra na loja dificilmente sai sem uma boa conversa com o dono. Mesmo trabalhando sozinho, Paulo recebe cada visitante. Não utiliza redes sociais para vender os produtos: prefere o contato direto com os clientes. “Quando eu vendo alguma coisa, eu vendo a felicidade dos outros. Quando você vende no computador, são só números. Você não vê sentimento”. O colecionador afirma que a procura por antiguidades tem crescido. Ele diz receber moradores da Baixada Santista, de outras cidades paulistas e de fora do Estado. Mesmo turistas de países como Rússia, Estados Unidos, Portugal, Inglaterra, Chile e Peru passaram pela loja. “Quando eu vendo alguma coisa, eu vendo a felicidade dos outros. Quando você vende no computador, são só números. Você não vê sentimento”, afirma o proprietário Paulo Fernando Abdenor Patrício (Sílvio Luiz/AT)