O caso ocorreu próximo à Rua Mário Carpenter enquanto o homem estava indo em direção à Rua Galeão Carvalhal, na região do Gonzaga (Arquivo/ Prefeitura de Santos) Um homem de 42 anos foi atacado por um gavião enquanto caminhava com a família pelo Canal 3, em Santos, no litoral de São Paulo. O caso ocorreu próximo à Rua Mário Carpenter enquanto o homem estava indo em direção à Rua Galeão Carvalhal, na região do Gonzaga. A vítima, que é moradora da capital paulista, estava passando alguns dias na cidade com a esposa, os filhos e a sogra, quando sentiu uma forte pancada na cabeça. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Minha primeira reação foi achar que eu tinha sido assaltado. Olhei pra trás, não vi ninguém. Fiquei confuso, achei que tinha sido um galho, mas também não tinha nada no chão. Foi quando meu filho falou que viu um pássaro saindo”, contou o homem, que não viu a ave no momento do ataque. Sem saber o que o atingiu, ele procurou a Policlínica do Gonzaga e tomou as vacinas antitetânica e antirrábica, por precaução. “Sangrou um pouco, como um arranhão superficial. Se não tivesse sangrado, talvez eu nem tivesse ido. Mas, como não sabia o que era, achei melhor me prevenir”, relatou. No dia seguinte, uma amiga da esposa dele contou que havia um ninho de gavião com filhotes em uma árvore na mesma área onde o ataque aconteceu. A vítima não teve complicações com as vacinas, mas passou por quatro etapas do tratamento preventivo. O caso aconteceu no início deste ano. O homem procurou A Tribuna para relatar o ocorrido devido à repercussão das matérias sobre outros ataques de gavião entre os canais 3 e 4. De acordo com ele, o impacto foi semelhante a levar um soco. “Não chega a te derrubar, mas é bem forte. Me preocupa mais pelas crianças. Com adultos são só um susto e um arranhão, mas em crianças pode ser mais grave”. Prefeitura A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura, que, por meio de nota, informou que o Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM) está fazendo uma nova busca por gaviões em locais citados pela população nas redes sociais, especialmente nas imediações do Canal 3 e na Praça Palmares, para verificar se o comportamento agressivo das aves com humanos está relacionado à presença de ninhos e filhotes. Quando há registro, o Grupamento Ambiental da GCM e a Polícia Ambiental são acionadas para avaliar o animal e o ambiente e, se houver necessidade, encaminhá-lo para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras), do Orquidário Municipal (José Menino). Os registros podem ser feitos junto à GCM pelo telefone 153 (24h) e à Polícia Ambiental pelo telefone 190. Relembre outros casos Uma moradora do Embaré, em Santos, no litoral de São Paulo, foi atacada por um gavião enquanto caminhava pelas ruas do Boqueirão. O ataque ocorreu na esquina das ruas Minas Gerais e Washington Luiz, e deixou a mulher com um corte na cabeça. Segundo ela, que preferiu não ser identificada, outras duas mulheres da mesma região também já teriam sido bicadas pelo mesmo animal. O caso aconteceu na tarde de 3 de julho. A moradora, de 39 anos, contou para A Tribuna que caminhava pela Rua Pedro de Toledo em direção à Tolentino Filgueiras, quando decidiu seguir pelo interior do bairro, porque não queria ir pela orla. Ao atravessar a Rua Minas Gerais, sentiu um forte impacto na cabeça. “Foi como se um cano pesado tivesse batido na minha cabeça. Ouvi o barulho, senti uma tontura e uma dor aguda. Fiquei desnorteada na hora”, relatou. Sem entender de imediato o que tinha acontecido, a mulher foi avisada por um rapaz que passava pelo local de que havia sido atacada por um gavião. Uma mulher também parou para ajudá-la e verificou que havia um corte sangrando na cabeça, de aproximadamente um centímetro. A munícipe foi levada até um salão de beleza próximo, onde recebeu os primeiros socorros e lavou o ferimento. Ela procurou, em seguida, a Policlínica do Embaré, onde foi orientada a tomar a vacina antitetânica, já que a ave não é transmissora de raiva. “A enfermeira me tranquilizou dizendo que a antitetânica já era suficiente”, contou. Ainda segundo a vítima, pelo menos outras duas mulheres já foram atacadas pelo mesmo animal na região. Uma delas é recepcionista do salão que a socorreu. No momento do socorro, a moradora ainda avistou o gavião pousado tranquilamente em um poste, observando a movimentação. Com tudo que a mulher se lembrava, ela decidiu pesquisar imagens na internet para identificar a espécie e concluiu que se tratava de um gavião-asa-de-telha. A munícipe disse que o corte já está cicatrizado, mas que ainda sente leve dor ao tocar o local. Por cautela, ela evita caminhar novamente pela mesma rua. “Só quero que algo seja feito para evitar que outras pessoas passem por isso”, concluiu. Visão de biólogo Segundo o biólogo Eric Comin, o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) teria apresentado comportamento que pode estar relacionado à defesa de um ninho. “É uma espécie relativamente grande, com envergadura de até 1,20 metro, e que se adaptou bem ao ambiente urbano. Com a diminuição de áreas naturais, eles passaram a fazer ninhos em árvores de rua, postes ou até em prédios. Não é uma ave migratória, então costuma permanecer no mesmo território”, explicou. O especialista destacou que o gavião é bastante territorial e defende ativamente o ninho, especialmente durante o período reprodutivo. “Provavelmente havia um ninho próximo, e ele interpretou a pessoa como uma ameaça. Não é um animal agressivo sem motivo, ele só está defendendo o espaço e os filhotes”, disse. O gavião-asa-de-telha é muito comum no Brasil, pode aparecer no litoral de São Paulo e em outros países da América do Sul. Ele se alimenta principalmente de pequenas aves, roedores, insetos e lagartos, ajudando a controlar essas populações nas cidades. “Não é o vilão da história — ele cumpre um papel ecológico importante”, completou o biólogo. Homem teve parte de orelha arrancada Após a matéria publicada por A Tribuna sobre a mulher atacada por um gavião em Santos, no litoral de São Paulo, um homem de 30 anos procurou a equipe de reportagem para relatar que também foi vítima de um ataque semelhante, na mesma região do Boqueirão. Ele precisou levar pontos na orelha e até hoje evita passar pelo local com medo em razão dos ataques ocorridos nos últimos meses. Victor Alschefsky contou que estava fazendo uma entrega em um prédio perto da Praça Palmares. Ele estacionou o carro no sentido praia e atravessou a praça carregando pacotes. Quando já estava subindo na calçada do prédio, sentiu uma pancada forte na cabeça. “Eu pensei que fosse um skate que tivesse voado na minha direção, porque foi muito forte. Eu caí de joelhos, atordoado, e aí vi um gavião enorme do meu lado”, relatou. Ele acredita que o animal usou as garras para atingi-lo. A pancada arrancou um pedaço da orelha esquerda dele, que começou a sangrar bastante. “Coloquei a mão na orelha e já estava saindo muito sangue. O porteiro do prédio me ajudou, me deu água, ficou tentando estancar o sangue. Eu fiquei uns 10 minutos lá dentro, porque sangrava demais”. Mesmo ferido, Victor fez a entrega. Quando saiu novamente para ir até o carro, que estava estacionado do outro lado da praça, o gavião voltou a atacá-lo. “Ele veio de novo para cima de mim. Aí eu corri de volta para dentro do prédio. Esperei um pouco, depois fui dar uma volta enorme, passando pelo outro lado da rua, para não passar por ali. Mesmo assim, fiquei filmando do carro e ele não atacava ninguém. Parecia que era só comigo”. Segundo ele, na ocasião, havia crianças, idosos e ciclistas passando pelo mesmo local sem serem incomodados pelo animal. Depois de terminar as entregas do dia, Victor foi até a Unidade de Pronto Atendimento do Canal 5, onde levou pontos no ferimento. O caso de Victor foi registrado meses antes do ataque acima, sofrido por uma mulher no início de julho, também no Boqueirão.