Levantamento reúne números sobre receita, empregos, empresas, visitantes, hotelaria, economia criativa e investimentos em Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) Quanto vale o turismo para Santos, no litoral de São Paulo? A pergunta parece simples em uma cidade que recebe milhões de visitantes, tem na praia um de seus principais cartões-postais e vê hotéis, restaurantes, eventos e atrações movimentarem sua economia. A resposta, porém, é mais complexa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pela primeira vez, um conjunto mais amplo de indicadores permite aproximar-se desse número e mostra que o impacto vai muito além dos R\$ 540 milhões de faturamento formal estimados para 2025. A pedido de A Tribuna, o Conselho de Desenvolvimento de Santos (Condesan), ligado à Associação Comercial de Santos, e o Observatório do Turismo, núcleo de inteligência ligado à Secretaria Municipal de Turismo, reuniram dados que mostram o tamanho do setor para a economia de Santos. O levantamento reúne dados de arrecadação, empregos, empresas, fluxo de visitantes, hotelaria, economia criativa e investimentos. O retrato revela um setor que ganhou força nos últimos anos, emprega mais de 13 mil pessoas formalmente e movimenta centenas de milhões de reais, mas cujo peso integral na economia santista ainda não pode ser calculado com precisão. O indicador mais objetivo está na arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS). Em 2025, as atividades reunidas pelo Observatório no chamado Grupo Turismo (GTur) recolheram R\$ 16,2 milhões em ISS, ante R\$ 4,7 milhões em 2018. O crescimento nominal no período foi de 244,7%. A partir desse valor, o Observatório estima em R\$ 540,15 milhões ofaturamento formal das atividades monitoradas em 2025, 7,9% acima do de 2024. De janeiro a julho deste ano, já eram R\$ 370,77 milhões. Capilaridade O número, entretanto, exige uma ressalva importante. O cálculo considera as atividades enquadradas no GTur e utiliza como referência uma alíquota de 3% de ISS. Não engloba todo o dinheiro que o turismo faz circular pela economia santista. O próprio estudo reconhece que os efeitos indiretos sobre comércio e outros serviços podem ampliar consideravelmente essa movimentação, mas ainda não há uma metodologia específica para medi-los. Mais trabalho Se a arrecadação mostra apenas uma parte da atividade, o mercado de trabalho ajuda a dimensionar sua capilaridade. Em 2025, 13.536 vínculos formais estavam diretamente associados às atividades classificadas pelo Observatório como integrantes do GTur, correspondentes a 7,36% dos 183.878 empregos considerados na base utilizada. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos do grupo cresceu 9,3%. Entram nessa conta empregos em hotéis, alimentação, transporte de passageiros, agências e operadoras, eventos, cultura, esporte, recreação e lazer. Os empregos indiretos não estão contabilizados. O dado chama atenção quando comparado à arrecadação. Enquanto o turismo representa mais de 7% dos empregos formais na base utilizada, o GTur respondeu por cerca de 1,1% da base geral de ISS considerada pelo Observatório em 2025. A diferença levanta uma questão importante sobre a natureza da atividade: o turismo é intensivo em mão de obra e espalha seus efeitos por uma cadeia extensa de serviços, parte dos quais não aparece integralmente quando se observa apenas a arrecadação tributária. Dados mais precisos Pelo Condesan, o estudo foi conduzido por pesquisadores do Atobá Lab, empresa de inteligência de dados. Lívia Buendia e Maristela Gamba explicam que parte das informações está em bancos públicos de dados, como sites do Governo do Estado e da Prefeitura, mas ainda há lacunas na apuração. Por exemplo, para identificar a ocupação dos hotéis da Cidade mês a mês. Para as pesquisadoras, quanto mais apurada é a informação sobre o segmento, melhor compreensão se terá do potencial do turismo para Santos. Atividade pode crescer “O turismo é transversal”. É assim que o secretário de Turismo, Comércio e Empreendedorismo de Santos, Thiago Papa, resume a força da atividade e a dificuldade de dimensionar seu verdadeiro peso na economia. Segundo ele, os R\$ 540 milhões de faturamento estimados a partir do ISS das atividades monitoradas estão longe de representar tudo o que o setor gera, pois gastronomia, comércio e diversos serviços utilizados pelos visitantes escapam desse cálculo. “A gente consegue dimensionar uma parte, mas com certeza é muito mais que isso”, afirma. Para Papa, chegar a números mais completos é fundamental também para que o próprio santista compreenda a importância econômica do turismo. Mobilidade, meio ambiente, praias, comércio, gastronomia, eventos e infraestrutura são direta ou indiretamente afetados pela atividade. “A gente precisa mostrar para a sociedade a importância do turismo, para que ele possa ter mais peso nas nossas decisões e nos nossos projetos.” Além de sol e praia Para reduzir a sazonalidade, aposta-se em congressos, competições esportivas, espetáculos e eventos culturais e de negócios. O objetivo, diz, não é apenas receber mais visitantes, mas “qualificar o turismo”, aumentando permanência e gasto na Cidade. Essa estratégia passa, ainda, pela formação profissional. Papa considera insuficiente a mão de obra especializada e defende apresentar o setor aos jovens como possibilidade de carreira. “O turismo é uma das principais vocações da nossa cidade, e a gente precisa mostrar aos jovens que ele é, sim, uma profissão”. Ele aponta potencial de crescimento nos segmentos de negócios, esportes, turismo náutico, experiências, ecoturismo e cruzeiros. “Santos são vários destinos em um só.” Geração de renda Para o presidente da Associação Comercial de Santos, Elber Justo, o Turismo é pilar importante da economia santista, motivo pelo qual a entidade tem investido esforço e recursos no desenvolvimento de estudos que meçam com mais precisão o peso do setor na geração de renda, negócios e oportunidades. “É preciso deixar evidente que Santos não é só praia e verão, mas que existe toda uma cadeia produtiva atuante o ano inteiro. Acredito que os santistas não tenham ainda essa percepção exata.”