[[legacy_image_151282]] Um projeto que é discutido há mais de 30 anos ainda não é consenso em Santos: o túnel entre as zonas Leste e Noroeste da Cidade. De um lado, moradores do Marapé são contra. Citam o aumento do barulho com maior fluxo de veículos no bairro, possíveis rachaduras nas casas e alta da violência. Na outra ponta, os que vivem no São Jorge dizem que um túnel seria excelente para diminuir os longos deslocamentos que precisam fazer. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Todos, porém, têm um ponto em comum: o descrédito em relação ao projeto, que se arrasta de 1988. Novamente a Prefeitura anuncia o túnel e a ajuda do Governo Federal, que prometeu verba em 2014 (aproximadamente R\$ 485 milhões), suspendeu em 2017 e agora pretende inserir a obra como uma das contrapartidas dada pela iniciativa privada no processo de privatização do Porto de Santos. A garantia é foi dada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. MarapéMorador da Rua Dom Duarte Leopoldo e Silva, no Marapé, onde ficaria um dos lados do túnel, o aposentado Marco Antônio Almeida Pancas acha que não há necessidade do projeto, embora não tenha muita fé de que será construído. “Não tem uma avenida aqui para descarregar o fluxo. Teria impacto negativo no trânsito e seria rota de fuga de criminosos”. Outro que mora na via, o aposentado Sidnei Monteiro Alvarez Garcia também tem críticas. “Vai aumentar demais o trânsito, inclusive de veículos pesados, como caminhões e ônibus. Isso faz perder bastante a tranquilidade, causa danos no asfalto e pode causar rachaduras nos imóveis”. O aposentado Horácio de França, também com casa na Dom Duarte, acredita que seria uma boa, mas para quem mora longe. “Imagina os caminhões aqui, o movimento, o barulho, a poeira. Eu me mudando daqui também vou achar ótimo”. São JorgeNa Zona Noroeste, o túnel sairá na Avenida Francisco da Costa Pires, que faz a divisão entre as avenidas Eleonor Roosevelt, em Santos, e Minas Gerais (Linha Vermelha), em São Vicente. A dona de casa Selma Faria mora bem próximo. “Vai ser bom, porque a travessia até o canal 1 será mais curta. Quando eu vou, preciso dar uma volta enorme. Vamos ver para crer, né?”. Gerente de uma padaria na Francisco da Costa Pires, Gilberto Lickes queria muito essa obra. “Seria muito mais rápido para ir ao outro lado. Evita gasto de dinheiro com condução, com Uber. Dá até para ir de bicicleta. Mas infelizmente não acredito que vai sair, muito tempo falando disso já”. O porteiro Francisco Adilson Lopes, também do São Jorge, está na torcida. “É uma boa ideia para locomoção. Tem muita gente aqui que trabalha do outro lado, seria bem mais fácil não precisar dar essa volta toda. Quem sabe um dia sai do papel”. O projetoO prefeito Rogério Santos (PSDB) disse que enviou o projeto em novembro do ano passado e agora o ministro (Freitas) pediu atualização, para entrega no prazo de 60 dias. A previsão são dois túneis, com extensão de 1,3 quilômetro cada. As ligações serão feitas mediante a perfuração do morro. Com sistemas de ventilação, iluminação e câmeras, os túneis terão três faixas de rolamento, das quais uma exclusiva para ônibus, e espaço a pedestres e ciclistas, diz a Prefeitura. A Reportagem questionou a Prefeitura sobre as desapropriações de casas previstas. Em nota, a Administração Municipal disse que “Somente após atualização e detalhamento do projeto será possível avaliar quais serão os impactos diretos e indiretos da intervenção urbana”. Afirmou, ainda, que, conforme o Governo Federal, a construção do túnel ocorrerá apenas a partir da desestatização do Porto, que garantirá os recursos necessários para o projeto. Não foram informados prazos.