O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) marcou, para esta quarta-feira (15), uma audiência de instrução e conciliação sobre a greve nos micro-ônibus ‘seletivos’ de Santos. A sessão será realizada, às 14h30, em São Paulo. A paralisação teve início nesta segunda-feira (13) e atingiu 30% da frota. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários (Sindrod), das 6 as 9 e das 17 as 20 horas, circularam 20 dos 28 veículos regulamentares. Entre 9 e 17 horas, rodaram 11 dos 22 em atividade nesse horário. A limitação atendeu a uma determinação do TRT. A categoria realiza a paralisação por causa do atrasos de duas cestas-básicas, um tíquete-refeição e salários de férias de maio. De acordo com o sindicato, os trabalhadores reclamam do vale-refeição atrasado desde 25 de abril. E da cesta-básica, desde o quinto dia útil daquele mês. O pagamento da cesta básica era previsto para a última terça-feira (7), o que não aconteceu. Os salários, por outro lado, foram pagos entre terça e sexta-feira (10). Os motoristas têm salários de R\$ 2.092,00, vale-refeição de R\$ 550,00 e cesta-básica de R\$ 112,00. Segundo o Sindrod, a empresa Guaiúba, responsável pelo serviço, deve duas cestas, um tíquete-refeição, pagamento antecipado das férias de maio, depósitos do fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) e do plano de saúde. Nas assembleias realizadas na semana passada, os empregados reclamaram que os atrasos são constantes, ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (13), diante da garagem, na Rua João Éboli, 43, na Vila Nova, em Santos, muitos ponderaram que, por causa dos seguidos atrasos, suas dívidas pessoais vivem acumuladas. Segundo o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões, o Betinho, os motoristas têm salários de R\$ 2.092, vale-refeição de R\$ 550 e cesta-básica de R\$ 112. A decisão judicial determina que se o sindicato ou a empresa desrespeitarem o percentual de ônibus em circulação, haverá multa de R\$ 10 mil por dia para a parte que causar o desrespeito. “O pessoal está cansado dessa situação, que se repete com frequência ao longo de anos”, explica Beto. “Por causa dos atrasos, os trabalhadores acumulam dívidas e pagam altos juros bancários”. O secretário-geral do sindicato, Eronaldo José de Oliveira ‘Ferrugem’, argumenta que “ninguém faz greve por gostar de greve. A necessidade leva a categoria e esse extremo”.