[[legacy_image_166835]] Quem caminha pela calçada da Praça José Bonifácio, na esquina com a Rua Braz Cubas, no Centro, não imagina o que está acontecendo no primeiro andar do velho prédio da Sociedade Humanitária do Comércio de Santos, no número 59 da praça. Ali, uma verdadeira operação de guerra foi montada na segunda-feira: a remoção de quase 30 mil livros das antigas prateleiras, muitos com exemplares únicos de edições esgotadas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! São 43 estantes e 459 prateleiras, dispostas lado a lado, datadas de 1931, quando o prédio foi construído para ser sede da Humanitária, entidade que havia sido fundada em 1879. Os livros estão sendo removidos para outra dependência no mesmo andar, para que sejam higienizados, restaurados e catalogados. A iniciativa é do jornalista Sergio Willians, diretor cultural da Humanitária, que há oito anos vem planejando esvaziar as prateleiras, limpar os livros e os móveis e dar um ar mais leve ao espaço. A verba para a empreitada veio da colaboração voluntária do setor empresarial, e com esse fôlego nas finanças foi possível contratar a mão de obra para, cuidadosamente, retirar os livros, limpá-los, restaurá-los e, ainda, recuperar os móveis da biblioteca, todos centenários. RelíquiasRetirar livros que estão há décadas acomodados em um mesmo lugar causa transtornos, como descobrir que muitos estão se “despetalando”, com capas soltas e lombadas estragadas. Esse será o trabalho maior e mais demorado a partir de agora. Segundo Sergio Willians, os livros serão analisados, um a um: relevância histórica, situação física e possibilidade de restauro. Depois de limpos e recompostos, voltam para as estantes já catalogados, facilitando a pesquisa por título ou autor, serviço que hoje não existe. Algumas relíquias estão no acervo da Humanitária, como a coleção completa da revista francesa L’Illustration, datada de 1864, com ilustrações feitas com bico de pena. A Humanitária tem todos os volumes. O interessado na pesquisa até encontra a publicação digitalizada na internet, mas a consulta não sai por menos de 300 euros. E depois?Sergio Willians sabe que bibliotecas assim, como a da Humanitária, já não têm o apelo de público de antes, mas entende que manter o acervo em dia é tarefa obrigatória. Nos planos da diretoria, está a recuperação de toda a biblioteca, incluindo piso, paredes e iluminação, que será feita a partir de dois antigos lustres de bronze, de 1839, que estão guardados há anos em outra sala. “Com um ambiente cenográfico, climatizado, bem iluminado e limpo, o público vai querer visitar, e uma coisa puxa a outra: podem querer buscar um livro que esteja nas prateleiras.” Todo o trabalho envolvendo os livros e o ambiente deve estar concluído apenas no final do ano. HistóriaA Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos foi criada em 12 de outubro de 1879, nas dependências da Escola do Povo, que funcionava na Praça Mauá. Tinha como missão principal garantir assistência aos trabalhadores do comércio, especialmente os mais pobres. A ideia da biblioteca surgiu um ano depois, para dar acesso a cultura e educação aos usuários, com empréstimo de livros, inclusive.