Até por delivery alunos menores de idade têm comprado bebidas alcoólicas, e sem se exigir documento (Alexsander Ferraz/AT) Uma pesquisa realizada pela Associação Pró-Coalizões Antidrogas do Brasil, em parceria com a Diretoria Regional de Ensino de Santos, revelou que 30,4% dos alunos de 11 a 17 anos da rede estadual de ensino já experimentaram alguma droga. O levantamento foi conduzido em abril e maio, por meio da plataforma Google Forms, com a participação de 1.361 crianças e adolescentes, dos cerca de 12 mil estudantes de 15 escolas estaduais da Cidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa traz outras estatísticas consideradas preocupantes pela associação. Entre elas, o dado de que 8,5% dos estudantes, que responderam ao questionário de forma anônima, já fizeram uso abusivo de alguma substância. Além disso, 8,82% disseram ter experimentado alguma droga ou bebida alcoólica antes dos 15 anos. A facilidade de acesso ao álcool por jovens também foi exposta no levantamento. Dos que responderam, 30,8% indicaram não ter dificuldade em conseguir adquiri-lo em adegas; 18,1% disseram ter acesso fácil a bebidas em ambiente familiar, e 8,5% dos entrevistados afirmaram já ter comprado bebida alcoólica por delivery, sem precisar apresentar documentos. Os índices motivaram a associação a criar a Coalizão de Prevenção às Drogas em Santos, que iniciará seus trabalhos na Zona Leste da Cidade. “Nossas estratégias são fortalecer os fatores de proteção e diminuir os fatores de risco, tanto em nível individual quanto em nível ambiental”, afirma o psicólogo Eustázio Alves Pereira Filho, membro da coordenação regional da Coalizão Antidrogas do Brasil. Pereira esclarece que o modelo de coalizões comunitárias trabalhado pela associação busca engajar 12 setores considerados chave da comunidade, incluindo pais, jovens, educadores, polícia, profissionais da saúde e organizações religiosas, por exemplo. Em sintonia, os grupos discutem problemas e elaboram estratégias para trazer mudanças à comunidade. O caminho O objetivo, neste caso, é concentrar os esforços em um trabalho de prevenção. “Há uma máxima da ONU (Organização das Nações Unidas) que diz que um dólar gasto em prevenção representa uma economia de dez dólares em tratamento. Então, a prevenção é o melhor caminho”, afirma. Para isso, ele esclarece que é necessário reforçar o trabalho informativo. “Por isso, a coalizão formada é como um quartel-general, no sentido de centralizar informes, que são o que chamamos de ações de prevenção, que têm dado certo em muitas localidades. Você tem que saber qual é a vulnerabilidade da cidade e trabalhar numa prevenção para diminuir o número de jovens expostos.” Resposta Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirma desenvolver, por meio do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP) e suas equipes regionais, ações de prevenção do uso de entorpecentes, “a fim de promover o alerta, a reflexão e a conscientização dos estudantes sobre os seus riscos”. Ainda segundo a pasta, a Diretoria de Ensino de Santos e o Conviva local são parceiros da associação e autorizaram a pesquisa. O levantamento, diz a secretaria, servirá para aprimorar a atuação da comunidade escolar. A pasta reforçou que, quando há ocorrência relacionada ao uso de drogas lícitas ou ilícitas ou de substâncias tóxicas no ambiente escolar, a direção contata os responsáveis pelos estudantes envolvidos para esclarecimento e “adota providências que preservem o direito à Educação”. A secretaria acrescentou que, nesses casos, os órgãos de segurança, como a Polícia Militar (PM) e o Conselho Tutelar, também são chamados.