CPTM planeja construir estação ferroviária na área do Valongo para futuro trem entre Santos e Cajati (Vanessa Rodrigues/ Arquivo AT e Divulgação/ CPTM) A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) planeja que a futura ferrovia entre Santos, no litoral de São Paulo, e Cajati, no Vale do Ribeira, tenha uma estação na região do Valongo, nas imediações do Porto de Santos. Em paralelo, a empresa pretende diminuir a fila de caminhões com a implantação de um centro intermodal às margens da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116). Atualmente, o empreendimento está na fase de anteprojeto de engenharia, com conclusão prevista para 2028. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, o assessor executivo da CPTM, Rafael Bruno Falavinha, explicou que a localização da estação em Santos foi escolhida, em estudos preliminares, por concentrar conexões com o Porto, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o futuro Trem Intercidades (TIC) e o terminal rodoviário, transformando o local em um ponto estratégico para passageiros e cargas. “Ali tem uma área ‘vazia’ hoje. Seria um bom lugar para carga, porque tem espaço e está perto do Centro Histórico, então a gente quer conectar. Ali também tem conexão com a segunda fase do VLT, e há o projeto de trazer o terminal de cruzeiros para lá. A gente tem como conectar tudo”, afirma. O assessor executivo ressalta, porém, que a localização ainda não está totalmente definida. O anteprojeto deverá aprofundar os estudos técnicos e as negociações com proprietários das áreas antes da definição do traçado e da implantação da estação. Menos filas de caminhões Além da conexão com o Porto, o projeto prevê a implantação de um centro intermodal em Cajati, às margens da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116). A proposta é que os caminhões deixem as mercadorias no terminal ferroviário e, a partir dali, os contêineres sigam de trem até Santos, enquanto os caminhões poderiam retornar imediatamente com outra carga. “Não quer dizer que eu vou tirar as cargas da rodovia e jogar totalmente para a ferrovia. A ideia é uma integração. Quando você olha o trajeto de uma carga até o Porto de Santos, às vezes demora dois, três, quatro dias para chegar”, explica Falavinha. Segundo o assessor executivo, além de diminuir o tempo de espera para acesso ao cais santista, a estratégia reduz filas nas rodovias e torna a logística mais eficiente. A CPTM estima que a ferrovia transporte cerca de 600 contêineres por dia, com tempo de viagem de aproximadamente três horas entre Cajati e Santos para os trens de carga. Passageiros e cargas na mesma ferrovia Além da logística, a nova linha de trem também será utilizada por passageiros. O projeto prevê uma ferrovia de aproximadamente 223,6 quilômetros, atendendo 13 municípios entre a Baixada Santista e o Vale do Ribeira, com demanda estimada entre 28 mil e 32 mil passageiros por dia. Estão previstos um serviço expresso entre Santos e Cajati, dois serviços regionais e um trem turístico, todos compartilhando a mesma infraestrutura, em horários programados para permitir a convivência com os trens de carga. Sistema integrado O projeto também foi concebido para funcionar de forma integrada com outros sistemas ferroviários e de transporte coletivo. Em Santos, os estudos consideram conexões com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), com o futuro TIC e com o terminal de ônibus, permitindo a circulação de passageiros entre diferentes modais. "Nós estudamos o nosso traçado conciliando com as integrações futuras. Não só VLT, como TIC também. Então, a gente não está olhando só o nosso trecho, o nosso traçado Nós sempre olhamos de forma que eles possam se conectar com todos os modais que estão ali existentes. Seja com VLT, seja com TIC, seja com terminal de ônibus também", afirma Falavinha. Fase de estudos O projeto integra o Plano Estratégico Ferroviário (PEF), que faz parte do Plano Logístico de Investimentos (PLI), coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). O objetivo é planejar a infraestrutura de transportes do Estado até 2050, integrando ferrovias, rodovias, aeroportos, hidrovias e dutovias. A CPTM atua como responsável técnica pelos estudos ferroviários por meio de convênio com a Semil. Atualmente considerado o estudo ferroviário mais avançado conduzido pela CPTM, o empreendimento do trem Santos-Cajati tem investimento estimado em cerca de R\$ 16 bilhões, valor que ainda poderá ser alterado conforme o aprofundamento dos estudos técnicos. Segundo o engenheiro Cesar Massao Tamaru, a estimativa anterior, entre R\$ 19 bilhões e R\$ 21 bilhões, foi calculada por benchmarking, utilizando referências de outros empreendimentos ferroviários. Com o avanço dos estudos funcionais, a equipe refez os cálculos e chegou ao novo valor. Tamaru ressalta que o orçamento continuará sendo atualizado, e pode sofrer novas alterações ao longo dos estudos. O engenheiro aponta que parte significativa dos equipamentos ferroviários e dos materiais utilizados é cotada internacionalmente, tornando o investimento sensível à variação cambial. Apesar do avanço dos estudos, a CPTM destaca que o empreendimento ainda não tem definição sobre modelo de concessão, parceria público-privada (PPP) ou cronograma para o início das obras. Após a conclusão do anteprojeto, ainda serão necessárias etapas como projeto básico, projeto executivo, licenciamento ambiental, definição do modelo de financiamento e eventual licitação antes que a construção possa começar.