Trem Intercidades entre São Paulo e Santos deve passar pelo ABC e usar funicular em Paranapiacaba, segundo o governador Tarcísio de Freitas (Alexander Ferraz/ AT) O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a afirmar que o Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul, projetado para ligar a cidade de São Paulo a Santos e ao resto da Baixada Santista, no litoral paulista, deverá passar pelo ABC e utilizar a descida da Serra do Mar por Paranapiacaba. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A declaração foi dada em entrevista ao Diário do Grande ABC, na qual o governador defendeu a reativação do sistema funicular como a solução mais viável para vencer o trecho de serra. “Avaliamos o tempo de percurso e o custo do empreendimento. E a conclusão que estamos chegando agora é que a reativação do funicular vai ser a alternativa mais viável, o que de certa forma vai beneficiar o Grande ABC”, afirmou. O sistema funicular foi utilizado até a década de 1970 para o transporte ferroviário entre o planalto e a Baixada Santista por meio de um mecanismo de contrapesos instalado na Serra do Mar. O TIC Eixo Sul integra o programa estadual SP nos Trilhos, que reúne mais de 40 projetos ferroviários em todo o Estado de São Paulo, com investimentos estimados em R\$ 190 bilhões. Para a ligação entre Santos e São Paulo, o investimento previsto chega a R\$ 15 bilhões. Segundo o Governo do Estado, a viagem entre a Capital e a Baixada Santista poderá ser realizada em até 1h30. A expectativa é beneficiar até 1,8 milhão de pessoas e gerar cerca de 13 mil empregos diretos e indiretos. Estudo prevê trajeto pelo ABC Documentos divulgados durante a consulta pública da concessão da Linha 10-Turquesa e da futura Linha 14-Ônix, na Região Metropolitana de São Paulo, detalham um possível trajeto do TIC Eixo Sul utilizando a infraestrutura ferroviária do ABC Paulista. A proposta preliminar prevê que o trem tenha partida na Estação Palmeiras-Barra Funda, em São Paulo, aproveitando a integração com outros modais e a maior capacidade operacional da estação. O estudo recomenda ainda a implantação de ao menos uma parada intermediária no ABC, apontando Santo André como principal opção. São Caetano do Sul também aparece como possibilidade para receber áreas de ultrapassagem e embarque. Entre a Barra Funda e o Brás, o trem utilizaria a via 3 da Linha 11-Coral e a via 2 da Linha 10-Turquesa. Para permitir a convivência com os trens metropolitanos e de carga, o projeto prevê instalação de Aparelhos de Mudança de Via (AMVs). Já no trecho entre Mauá e Ribeirão Pires, seriam necessárias obras estruturais, incluindo contenção de encostas, remodelação de estações e reorganização da malha ferroviária existente. Três rotas em análise Os estudos conduzidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) avaliam atualmente três possíveis trajetos para o TIC Eixo Sul. Uma das alternativas prevê o uso da faixa ferroviária da Serra do Mar, operada pela MRS Logística, considerada a menor distância entre São Paulo e Santos. Outra opção estudada é o trajeto por Mongaguá, contornando a serra por áreas de menor declividade e ampliando o potencial econômico da Baixada Santista. Também há um traçado utilizando a faixa de domínio da Rodovia dos Imigrantes, conectado à Ferrovia Santos-Cajati. O projeto ainda está em fase de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. A previsão do Governo do Estado é realizar audiências públicas em 2026 e promover o leilão da concessão em 2027. Integração com VLT e trem até Cajati Além da ligação com São Paulo, o Governo do Estado também prevê integração ferroviária entre Santos e o Vale do Ribeira. Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o futuro Trem Intercidades Santos-Cajati será conectado ao TIC Santos-São Paulo e ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista, criando um corredor ferroviário contínuo entre o litoral, a Capital e o interior paulista. O projeto entre Santos e Cajati terá aproximadamente 223 quilômetros de extensão e previsão de 13 estações, passando por cidades como São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Registro e Cajati. A estimativa do Governo do Estado é que o serviço expresso entre Santos e Cajati tenha duração aproximada de 2h20. O investimento previsto para o projeto pode chegar a R\$ 21 bilhões. Atualmente, o VLT da Baixada Santista já opera integrado ao sistema municipal de ônibus em Santos e São Vicente, por meio do cartão da BR Mobilidade, contemplando dezenas de linhas municipais e serviços de autolotação.