Incêndio destruiu cerca de 100 moradias na Comunidade São Sebastião (Vanessa Rodrigues/AT) O incêndio que destruiu cerca de 100 moradias da Comunidade São Sebastião, próximo ao Dique da Vila Gilda, no Rádio Clube, Zona Noroeste de Santos na manhã desta sexta-feira (1) deixa mais que perdas materiais. Uma mulher de 64 anos morreu, e 218 famílias, com 498 pessoas ao todo, se cadastraram na Prefeitura como desabrigadas. Veja, mais abaixo, como ajudar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Incêndio de origem incerta O fogo, de origem incerta, começou por volta das 7h30 e foi controlado entre 12h40 e 12h50. Entre moradores, tristeza e revolta. À população, pede-se ajuda. Em vídeo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que “todas as pessoas” que tiverem perdido suas casas no incêndio terão direito a apartamentos em conjuntos cuja construção está autorizada: 216 unidades no Residencial Iguape, em Santos, e 200 no Residencial Vicentinos II, em São Vicente. Até lá, receberão aluguel social de R\$ 1 mil, pago conjuntamente por Prefeitura e Estado. Inflamável, madeira dos barracos fez chamas se espalharem depressa (Vanessa Rodrigues/AT) Fabrício Reis, de 44 anos, morador da comunidade há mais de 30, contou que “estava levando minha filha à escola, voltei, e já estava tudo alastrado. Não deu para salvar nada. A gente está achando que nosso cachorro, o Thanos, também morreu. Triste demais. Só sobraram os documentos. (...) A minha mãe trabalha de madrugada em um hospital. Quando ela chega, ela dorme pesado. Graças a Deus, neste dia ela foi ajudar a minha tia. Foi um livramento.” Outras famílias não tiveram a mesma sorte. A Prefeitura confirmou que uma idosa, Sandra Sarmento da Silva, de 64 anos, morreu após voltar ao barraco para buscar documentos, mesmo após alertas da família. Segundo o Corpo de Bombeiros, o corpo dela foi encontrado na maré durante o rescaldo do incêndio. Às lágrimas, Stephanie Cristine, de 26 anos, disse que estava trabalhando quando recebeu a notícia de que sua casa havia sido consumida pelo fogo. “Não deu para salvar nada. Tinha um cachorro e dois gatos lá dentro. Perdi meu chão, perdi tudo que eu tinha.” Ao lado da companheira, Victoria Lourenço, de 27 anos — com quem morava no fundo da comunidade, onde o fogo foi mais intenso —, “já aconteceram outros incêndios, mas, agora, acabou tudo”. Becos estreitos dificultaram debelar as chamas; população ajudou (Vanessa Rodrigues/AT) Relatos de destruição e falta de estrutura se repetiam. “A gente se cansou de pedir ajuda. Esta já é a quarta vez que pega fogo aqui”, afirmou Giselia Silva, de 64 anos. “Minha casa ficou de pé, mas só porque quebraram as dos lados para impedir que o fogo se alastrasse. A ponte de entrada sumiu, não dá nem para entrar mais. Só consegui tirar uma televisão e documentos. O resto está lá dentro.” Roseli Pedrosa de Souza, 56 anos, também teve a casa atingida. “A casa da frente da minha pegou fogo e (o incêndio) passou para a minha. Meus filhos conseguiram tirar quase tudo, mas a geladeira queimou. É triste, a gente fica devastada.” Reclamações sobre abandono e promessas não cumpridas eram constantes. André Luís, de 36 anos, dizia que “a gente só é lembrado nessas horas. Já pedimos para vereador, prefeito, bombeiros… Falamos dos riscos, pedimos hidrante, nada. Aí, quando pega fogo, vem todo mundo. Não é porque a gente quer estar aqui. A gente precisa.” O fogo, de origem incerta, começou por volta das 7h30 e foi controlado entre 12h40 e 12h50 (Vanessa Rodrigues/AT) Levou cinco horas para apagar chamas O Corpo de Bombeiros foi chamado de imediato. Deslocaram-se 15 veículos e 46 bombeiros, com apoio de equipes de Cubatão, São Vicente e da Sabesp. Segundo o capitão Thiago Duarte, a principal dificuldade foi o acesso à área: os becos são estreitos, as casas são coladas umas às outras e o material — madeira, especialmente — é altamente inflamável. Onias: combate ao fogo era difícil (Vanessa Rodrigues/AT) “Foram montadas três linhas de combate. O incêndio foi controlado entre 12h40 e 12h50”, afirmou Duarte. A Defesa Civil do Estado também esteve no local. “Recebemos o alerta em tempo real, via Centro de Gerenciamento de Emergências. Já mobilizamos o envio de colchões, kits de higiene e limpeza. Assim que as famílias forem cadastradas pela assistência social da Prefeitura, vamos ampliar o suporte”, explicou o capitão Eduardo Henrique Leme. De acordo com o diretor da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, não era possível confirmar a causa do incêndio, mas há suspeitas de curto-circuito ou uso inadequado de fontes de calor, como fogões. “As casas são muito próximas, feitas de madeira. O fogo se alastra rápido. E o combate também é difícil”, relatou. Stephanie: “Agora, acabou tudo” (Vanessa Rodrigues/AT) Apoio emergencial A Prefeitura mobilizou serviços no local. Um posto de saúde foi montado na comunidade, com apoio da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Noroeste. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fez 11 atendimentos — a maioria por inalação de fumaça, mal súbito e crise nervosa — e não houve necessidade de internações. O Complexo Esportivo da Zona Noroeste foi reservado para acolhimento de desalojados: 25 pessoas pediram abrigo. A escola municipal Pedro Crescenti estava pronta para receber famílias. O restaurante Bom Prato deixou reservadas 500 refeições gratuitas às famílias afetadas. Agora, recomeçar Enquanto autoridades debatem soluções de longo prazo, moradores e voluntários se unem no socorro imediato. Richard de Melo, 32 anos, foi ajudar um amigo cuja mãe vive na comunidade. “Muito triste o que aconteceu. Mas é isso: a gente se apoia para tentar recomeçar”, comentou. Mesmo com a dor da perda, moradores agradeciam por estarem vivos. “Graças a Deus, ninguém se feriu na minha casa”, disse Giselia Silva. Para ajudar O Fundo Social de Solidariedade (FSS) arrecada doações de itens de uso pessoal e de necessidade básica para ajudar famílias afetadas pelo incêndio. Os donativos devem ser entregues na sede do FSS, na Avenida Conselheiro Nébias, 388, Encruzilhada. Hoje, estará aberto das 9 às 17 horas. Mais informações pelo telefone 3222-8050. Moradores da Zona Noroeste poderão levar doações ao Centro Esportivo da região (Rua Fausto Felício Brusarosco, s/nº, Castelo). Hoje e amanhã, o atendimento será das 8 às 19 horas; de segunda a sexta-feira, das 7 às 22 horas. Os itens de maior necessidade são alimentos não perecíveis lacrados, água, roupas limpas e de cama, lenços umedecidos, colchões, calçados, itens de higiene pessoal, fraldas infantis e geriátricas, ração para animais domésticos e absorventes, segundo a Prefeitura.