A 64ª edição da Festa do Bom Jesus, na Ilha Diana, será neste sábado (10) e domingo (11), e também no próximo final de semana (Divulgação/Prefeitura de Santos) A 64ª edição da Festa do Bom Jesus, na Ilha Diana, em Santos bate à porta. O evento será neste sábado (10) e domingo (11) e também no próximo final de semana, das 11h às 23h. Haverá atrações musicais, culturais, religiosas e gastronômicas para celebrar a cultura caiçara, preservada pelos descendentes de cinco antigas famílias de pescadores que vivem no local. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Preparada ao longo de um ano pelos habitantes da ilha, a Festa do Bom Jesus é a principal oportunidade aos cerca de 250 moradores para receber visitantes de fora e divulgar a sua cultura. “A festa é para mostrar que existe um outro lado, além daquele em que você está ‘ligado no 220’. É para mostrar que tem um lugar tão lindo, tão perto, que as pessoas não conhecem; mostrar que existe um lugar com tranquilidade, onde se pode ter uma vida saudável”, diz Sara Santana, caiçara, moradora da ilha e uma das organizadoras do evento. Sara Santana, uma das organizadoras do evento: mostrar um lugar calmo aos visitantes (Alexsander Ferraz/AT) A comunidade que vive unida se junta ainda mais para organizar a celebração anual: em conjunto, eles formulam tabela de preços, lidam com fornecedores e preparam as barracas para receber quem vem de fora. “Mesmo quem não está diretamente nas barracas, ajuda por fora. Pode ser limpando o quintal, ou carregando as coisas, catando o lixo, trazendo mesas de suas próprias casas, caso falte. É uma união bem gostosa”, diz Sara que é responsável por uma das sete barracas desta edição. A sétima, novidade deste ano, oferece brincadeiras e recreação para crianças. A Festa do Bom Jesus já chegou a atingir 5 mil visitantes, contabilizados pela CET, e a expectativa dos organizadores nesta edição é superar a de 2023. No ano passado, o último fim de semana de festa foi prejudicado pela chuva. Estrutura Na Ilha Diana, a arquitetura é marcada pelos chalés e pela tradição dos imigrantes portugueses do século 19. A ilha possui centro comunitário, posto de saúde, e escola municipal de Ensino Fundamental. O centro da comunidade é uma pequena capela, a Igreja Senhor Bom Jesus, construída em 2018 em parceria com a Prefeitura e a ONG internacional Sonhar Acordado. Elisa Maria da Silva: arroz lambe-lambe conquistou inglês (Alexsander Ferraz/AT) Para inglês ver Por falar em internacional, até ‘gringo’ se encanta com a Ilha Diana. O inglês David Cutts esteve pela primeira vez no local esta semana e adorou a simplicidade da ilha. “É como se fosse um pequeno Rio de Janeiro, mas sem a agitação”, diz. No entanto, a conquista começou mesmo pelo estômago. Cutts revelou que o que mais gostou foi ‘the food’, ou seja, a comida. Ele e a esposa comeram um lambe-lambe, arroz com mariscos, feito pela caiçara Elisa Maria da Silva Alves, que ajuda no transporte dos visitantes para a Festa do Bom Jesus. “Esse acolhimento aqui é muito bom pra gente também. O pessoal chega aqui e se encanta com o nosso cantinho, isso é maravilhoso”, diz a cozinheira de mão cheia. Cura da alma O casal, que visitou a ilha pela primeira vez nesta semana, não sabe ainda se voltará para a festa. A ida à Ilha Diana foi especial para Gisele, mas por um motivo triste: foi a primeira vez que ela saiu de casa após a morte da mãe. Casada com Cutts há quase 20 anos, ela viveu os últimos cinco distante do marido, que vive na Inglaterra, para cuidar da mãe em Santos. Os visitantes Gisele e David: encantados com a Ilha Diana (Alexsander Ferraz/AT) “Eu ainda choro de vez em quando, mas foi bom eu ter saído de casa. Lá, tem muitas lembranças. Então, às vezes, a gente precisa sair só para reenergizar, senão se perde na tristeza”, diz Gisele. A Ilha acabou sendo um bálsamo para a ferida aberta. “Eu gosto de lugar simples, do povo brasileiro simples. É a melhor parte do Brasil”. Como chegar Para chegar à Ilha Diana, é preciso pegar uma barca atrás do prédio da Alfândega de Santos (Praça da República, s/no, Centro). Por conta da festa, a Secretaria de Prefeituras Regionais de Santos (Sepref) vai providenciar 12 viagens extras nos dias do evento, com barcas com capacidade para 55 e 80 passageiros. Das 11h30 às 22h30, as travessias serão gratuitas. Já em outros horários, o custo é de R\$ 0,50 por pessoa.