Mensagens vêm sendo acompanhadas de um link que leva a uma página falsa com a logomarca dos Correios (Fernando Frazão/ Agência Brasil) Cada vez mais se torna necessário questionar a origem de uma cobrança antes de realizar um pagamento. Foi o que aprendeu um morador de Santos, que optou por não se identificar, ao fazer uma compra pela internet e descobrir que falsários se passavam por funcionários dos Correios. Pior: ele recebeu mensagens pelo WhatsApp com dados reais da compra. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na mensagem, a vítima foi informada de que ‘sua mercadoria ficou retida durante o processo de desembaraço alfandegário’ e que seria preciso pagar R\$ 97,80 para que se ‘regularize seu envio’. A mensagem contém link para ‘regularizar agora’ e efetuar o pagamento da taxa referida. Desconfiado, ele foi ao site da AliExpress e constatou que o produto estava liberado e já a caminho de seu endereço. Assim, descobriu que a mensagem – de número desconhecido e não autenticado pelo Correios – era uma tentativa de golpe. Sobre o caso, os Correios alertam sobre a disseminação de mensagens falsas que usam o nome e a marca da empresa de forma indevida, que chegam por SMS, e-mail ou WhatsApp informando a necessidade de pagamento de taxa para liberação de uma encomenda. As mensagens, segundo a empresa, vêm sendo acompanhadas de um link que leva a uma página falsa com a logomarca dos Correios. A entidade afirma já ter acionado a Polícia Federal. Cabe processo? De acordo com o advogado de defesa do consumidor Carlos Eduardo Werson Yago, se o consumidor provar que os golpistas se utilizaram de dados corretos da compra para consumar a fraude, pode-se considerar que houve um vazamento de dados por parte do fornecedor de produtos e/ou serviços. Nesse caso, a empresa será condenada a indenizar por prejuízos sofridos pelo consumidor. “Vale destacar, no caso de pagamento de tributos à Receita Federal, o recolhimento é por uma guia específica da Receita chamada Darf. Se o cliente receber um boleto comum ou a opção de outro meio de pagamento, certamente é golpe”. Em contrapartida, caso o golpe seja genérico, ou seja, sem dados individuais da compra e do consumidor, o advogado destaca que o entendimento é que o prejuízo não decorreu de culpa da empresa. “Por isso, sempre que for realizar um pagamento, é bom verificar se o beneficiário do pagamento de fato corresponde ao credor, e, se o consumidor suspeitar de qualquer fraude, deve-se entrar em contato com a empresa para atestar a veracidade da cobrança”, recomenda. Chama o Procon Segundo a assessora técnica do Procon-SP Renata Reis, é sempre importante verificar a origem da mensagem antes de fornecer um dado ou realizar um pagamento. “Algumas vezes a fraude é muito bem feita por ser uma cópia idêntica da página do fornecedor e, às vezes, uma letra, uma diferença no endereço eletrônico, pode realmente evidenciar que se trata de uma fraude”. "Algumas vezes a fraude é muito bem feita" Hoje, grande parte das grandes empresas são verificadas pelo Meta, empresa que gerencia o WhatsApp, e possuem uma sinalização no próprio aplicativo de que o número é oficial. “O ideal é que, quando você se deparar com a mensagem, consulte o fornecedor para confirmar o procedimento no tipo de serviço que ele presta”. Caso o golpista esteja com informações pessoais do cliente ou da compra, como número de rastreio, há a possibilidade de um vazamento de dados, o Procon pode ser chamado. Renata recomenda que o consumidor utilize a plataforma do Procon para ter esclarecimentos do fornecedor envolvido. “Caso a empresa assuma que houve um vazamento de dados, ela tem que tomar medidas no sentido de informar os consumidores, abrir um canal de atendimento para que possa ressarcir esse consumidor”.