'Temos, agora, um novo destino para vender: Santos'

Rodolfo Andrade, Diretor de Novos Negócios da GL Events, fala sobre o novo centro de convenções na cidade

Será assinado na próxima semana o contrato de concessão, válido por 24 anos, entre a Prefeitura de Santos e a GL Events, empresa vencedora do edital para o Centro de Atividades Turísticas (CAT), o centro de convenções que está 95% concluído, na Ponta da Praia. O espaço substitui o antigo Mendes Convention Center, já desativado. Mas quem é a GL Events e como pretende atrair eventos e negócios para Santos?

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A GL é uma multinacional francesa e um dos principais players do mercado de eventos no mundo. Presente em 27 destinos nos cinco continentes, a companhia gerencia 51 espaços e é especialista no atendimento à toda cadeia do setor - desde a concepção até a realização de eventos, passando pela produção e oferta de serviços. 

Tem 40 anos de atuação, cerca de 3.700 eventos por ano e chegou ao Brasil em 2006. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, faz a gestão do São Paulo Expo – o principal destino de eventos da América Latina –, do Riocentro, da Jeunesse Arena, a primeira arena multiuso do Brasil, e do Centro de Convenções Salvador. Também promove eventos de negócios e entretenimento como a Bienal Internacional do Livro Rio, Mondial de La Bière Rio e São Paulo, entre outros. 

Para Santos, os planos são de colocar a cidade no radar de alguns dos principais destinos do Brasil e do mundo, segundo o diretor de Novos Negócios, Rodolfo Andrade.

Santos é a primeira cidade, fora de capital, onde a GL passa a estar presente?

Sim, a primeira.

Que potencial vocês enxergam em Santos para esse mercado de eventos?

O destino já era consolidado em eventos, porque já havia uma agenda sendo realizada no antigo centro de convenções. Devido à proximidade com a cidade de São Paulo, há uma oportunidades de fazer uma movimentação com o que já existia e também levar outros eventos para Santos. E tem também a pujança de todo o complexo logístico, com terminal marítimo inclusive. A gente olha com bons olhos esse conjunto de fatores.

Para um setor da economia que quer realizar seu congresso, seu evento, que outras virtudes a região pode oferecer? Por que fazer aqui e não em outro local?

A relação turismo de negócios e eventos com o turismo de lazer está muito alinhada. Os congressos médicos, que são o maior volume, tendem a tratar da agenda profissional durante a semana e o médico, em geral, leva a família para passar o final de semana na cidade do congresso. Essa é uma virtude de Santos. A escolha não se dá pelo tamanho: é o destino, a localização, a infraestrutura...

E a infraestrutura é boa, na avaliação da GL?

Sim, com certeza. Nós acompanhamos outros destinos que estão com editais para serem publicados e, pelo que vimos, ficam bem atrás de Santos em infraestrutura. Santos tem uma qualidade de serviços, uma qualidade hoteleira, é próxima aos aeroportos, rodovias de primeira linha..

A região está há pelo menos 30 anos discutindo a implantação de um aeroporto civil em Guarujá. Quanto prejudica não ter esse aeroporto?

Pela proximidade com os aeroportos de São Paulo e pela característica do centro de convenções, acreditamos que não vamos ter pontos negativos nesse assunto. Se fosse um centro com capacidade maior, para 5 mil, 6 mil congressistas, a malha aérea seria importantíssima. Mas não é o caso. O equipamento construído ali está muito bem feito e dimensionado, e isso é muito importante para o setor.

O fato de Santos estar muito próxima da Capital, onde já há um histórico consolidado de eventos, não prejudica?

Não. É complementar. São equipamentos diferentes. Temos o São Paulo Expo, ali no começo da Imigrantes, que é um pavilhão de exposições. Ele recebe as feiras de grande porte. Em Santos, é um centro de convenções. São equipamentos bem complementares. São Paulo Expo para o Centro de Convenções de Santos é tão próximo quanto do São Paulo Expo para Guarulhos, por exemplo.

Você acha, então, que o novo centro de convenções tem mais o perfil para congressos, simpósios, do que para feiras e exposições?

Ele é um produto híbrido, tem essas duas possibilidades: executar a feira e tem também a área de convenções, congressos, seminários, eventos sociais. É um equipamento completo.

O que está no radar da GL para esse novo espaço? Que tipo de evento a empresa pensa em trazer para cá?

É um modelo de negócios do nosso grupo. Então, a gente tem vários projetos que estão sendo desenvolvidos em cidades do mundo inteiro. Analisamos o mercado e vemos o que levar para Santos. Além de uma empresa de gestão de eventos, a GL também organiza eventos. A gente desenvolve produtos para ocupar os destinos, pavilhões ou centros de convenções onde atuamos. Então, temos o atendimento ao cliente promotor de eventos, e também temos, dentro do grupo, uma promotora que desenvolve produtos próprios. Na área de Porto, por exemplo, há a Intermodal, um dos maiores eventos do setor portuário no País, que acontece no São Paulo Expo. Mas a GL pode desenvolver eventos que sejam desdobramentos da Intermodal acontecendo no centro de convenções de Santos. E também procuramos preencher as lacunas do nosso calendário comercial com eventos próprios ou organizados com parceiros locais.

A entrega do centro de convenções ocorrerá no final de outubro. Em quanto tempo é possível colocar esses projetos em andamento?

Olha, o time to market (tempo de colocação de um produto ou serviço no mercado) de um centro de convenções tem entre 36 e 48 meses para conseguir se consolidar. Mas Santos já tinha uma agenda. Então, a gente acredita que esse time to market seja mais rápido que o normal. Mas temos um agravante...

A pandemia

Exatamente. O mercado de eventos foi muito impactado em todo o mundo. Estamos sofrendo. A GL administra 51 gestões de centros de convenções e pavilhões pelo mundo. Até que se tenha uma vacina, a gente não tem um posicionamento, porque nossos clientes e os clientes dos clientes também não têm. É uma cadeia.

É possível dimensionar quantos serviços secundários o mercado de eventos movimenta? Desde o fornecedor de flores, motoristas de aplicativos, locação de equipamentos...

Por alto, podemos dizer que são cerca de 54 setores da economia impactados com a realização de um evento, sem falar da indústria que vai estar ali expondo e falando da sua marca, do seu produto.

Em termos de mercado de trabalho, que tipo de profissionais a GL vai precisar?

Sempre que a gente entra em um destino, temos um olhar para a cultura e o conhecimento local, principalmente na área comercial e no desenvolvimento de produtos. Então, vamos ter, sim, uma equipe local, fazendo esse trabalho de gestão.

Você acredita que Santos tenha condição de atrair eventos de relevância internacional, disputar esse mercado não só no Brasil como fora?

Com certeza. Temos, hoje, equipes comerciais no Brasil e fora também, vendendo nossos destinos. E como agora temos um novo destino, vamos sair vendendo. Eventos médicos, por exemplo, são itinerantes. Eles rodam pelo Brasil. Os próprios médicos querem assim. Nosso trabalho é contatar os representantes desse segmento e apresentar nossos destinos, Santos incluída a partir de agora.

Quanto a pandemia freou esse mercado? Em quanto tempo você acredita que haja a retomada?

A volta será complexa. Volta com as ferramentas de tecnologia que foram incorporadas durante a pandemia. Nosso mercado vai conviver com o online, mas entendemos que seja complementar. Foi uma mudança. Impactou bastante, mas foi um empurrão para o segmento abrir os olhos e perceber que não é mais só aquilo que fazíamos, mas aquilo com todas as novidades que surgiram

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