Ex-prefeita comandou o som em 2012 no icônico Torto: gosto variado "para dançar" (Reprodução/telmadesouza.com.br) A cultura é um dos segmentos onde Telma de Souza, ex-prefeita de Santos que morreu no último sábado (10), aos 82 anos, deixou sua marca. Apoiou projetos e incentivou festivais, entre outras ações. Pois um espaço que marcou o coração dos santistas por anos teve uma relação especial com a ex-prefeita: o antigo Torto MPBar, no Canal 4. A relação era tão próxima que ela chegou a ser DJ da casa por um dia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Foi em 2012, como parte do projeto Vitrolada, comandado pelo DJ Wagner Parra, que morreu em 2015. No seu setlist, nomes como Chico Buarque, Elis Regina, Rita Lee, Caetano Veloso, Dona Ivone Lara, Vanessa da Matta, além dos Rolling Stones, o grupo cubano Buena Vista Social Club e a britânica Adele. "O Wagner tinha esse projeto da Vitrolada e cada dia era um convidado. Eu estava morando fora na época, nunca consegui ir fazer a discotecagem. No dia da Telma, ela tocou muita coisa antiga", relembra o músico Julinho Bittencourt, fundador do bar. "Tinha muita coisa antiga, até da época da Tropicália. Ela adorava essas coisas, era muito antenada". Foi uma apresentação de pouco mais de uma hora, que começou por volta da meia-noite. “Esta foi uma pequena seleção não só de músicas do meu gosto pessoal, mas também de ritmos que, inevitavelmente, fazem as pessoas dançar e espalham alegria”, destacou Telma, ao se despedir do público, no final da apresentação. Carinho pelo Torto Julinho lembra o carinho que a ex-prefeita tinha pela casa, que foi um importante polo musical da Cidade, sentimento que a levou até lá numa inesperada madrugada de um dia de semana. "Ela apareceu lá toda disfarçada, sozinha, estava de chapéu, óculos escuros e tal. Simplesmente estava na casa dela, que era ali perto, e ela foi andando até o Torto, porque estava com insônia e precisava ver gente, encontrar amigos. Aí, ficou lá com a gente", conta o músico. A importância de Telma de Souza também foi vista em momentos como a luta pela permanência da casa aberta. " Ela ajudou muito nessas disputas, para tirar licença. Ela sempre foi uma pessoa que colaborou tanto com o Torto, quanto com a cultura de uma maneira geral", reforça Julinho Bittencourt. Em 2017, Telma de Souza apresentou o Projeto de Decreto Legislativo 039/2017, que confere placa comemorativa ao Torto. Em sua justificativa, ela reforçou que o Torto era um "palco que transgrediu o silêncio de tempos estranhos com muita música boa, criatividade, inquietação e pitadas de rebeldia". Ainda classificou o espaço como "ponto alto da cultura santista, e da revolução que só a arte é capaz".