[[legacy_image_272500]] Não importa se você está em Nova Iorque, Tóquio, Londres, Paris ou Santos. Eles estarão à espera de um chamado para levá-lo aonde desejar. Há décadas isso acontece, e a profissão de taxista tem resistido ao tempo. Segundo a categoria, os “artistas do asfalto” já cantados por Roberto Carlos continuam relevantes, no aguardo da próxima chamada de um passageiro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mas a vida não é fácil para quem está ao volante. As pedras no caminho são conhecidas: trânsito ruim e concorrência de aplicativos de mobilidade são duas delas. Mas quem possui uma faixa verde na lateral do carro mantém a esperança, numa paixão que atravessa gerações. Segundo a Prefeitura de Santos, há 1.154 permissionários cadastrados — o alvará mais antigo é de novembro de 1994. “Não troco minha chapa nem por R\$ 1 milhão. Faço um bom dinheiro, os aplicativos não mexeram em nada comigo. O trabalho, para mim, continua bom. Continuo fazendo R\$ 300,00 por dia. Claro que caiu um pouco, mas não como dizem”, afirma Alexandre Anastácio Afonso, de 50 anos, com 32 de praça e ponto próximo à Rodoviária, no Centro. Nem todo dia surge uma corrida de R\$ 3,8 mil, como a que fez para Foz do Iguaçu (PR) e lhe exigiu 12 horas ininterruptas na direção. Mas Afonso descarta pisar no freio. “Eu vou a qualquer área para uma corrida”, garante. Profissionalismo e família Companheiro de profissão, Sandro Pedro da Silva conta que já pegou em baladas casais mais ousados, pessoas com costumes nada ortodoxos ou que sugeriram destinos suspeitos. Mas o profissionalismo, nessas horas, fala mais alto. “Tem muita gente boa (entre os passageiros), educada e responsável. Isso é o tipo de coisa que faz valer a pena”, avalia. “Tem motorista que não é capaz de sair do carro e pegar a mala de um passageiro, por exemplo. Isso é imperdoável”. As longas jornadas ao volante, às vezes virando a noite, deixam a família apreensiva. “A esposa fica preocupada, sobretudo quando viajo, porque não é em todo lugar que o celular funciona direito”, alega. “Complemento a renda como estivador. Como existe um intervalo entre jornadas no cais, o táxi ocupa esse tempo e dá um dinheiro”. Clientela fixa Em outro ponto da Cidade, em frente ao Praiamar Shopping, na Aparecida, os taxistas se dividem entre atender ao público e muitas conversas, o que ajuda a passar o tempo. Para quem tem clientela fixa, sobra pouco tempo para bate-papo: a agenda é cheia de viagens de passageiros predeterminados. “Trabalhei por 27 anos em um banco, e a experiência do contato com o público ajudou muito. Tenho um grupo fixo de passageiros, que me passa suas agendas de compromissos”, explica Rone Mendes Turienzo, que chega a recusar idas para São Paulo por fidelidade aos clientes locais. Perto dali, Guttemberg Almeida dos Santos disparava sorrisos e piadas. E histórias de gratidão, fruto do bom atendimento oferecido por ele aos passageiros. “(Quando) O cliente vem pegar o táxi, não custa nada descer, abrir a porta, dar bom dia. Certa vez, fiz uma corrida para uma pessoa. Custava cerca de R\$ 10,00. Ela deu R\$ 20,00 e não quis troco. Há muito tempo, não me aborreço com um passageiro”, complementa. Faixa verde A vida não é fácil para quem está ao volante. As pedras no caminho são conhecidas: trânsito ruim e concorrência de aplicativos de mobilidade são duas delas. Mas quem possui uma faixa verde na lateral do carro mantém a esperança, numa paixão que atravessa gerações. “O trabalho, para mim, continua bom. Continuo fazendo R\$ 300,00 por dia. Claro que caiu um pouco, mas não como dizem”, afirma Alexandre Anastácio Afonso, de 50 anos e 32 de praça. Otimismo e igualdade Presidente do Sindicato dos Taxistas da Baixada Santista há 30 anos, Luiz Antônio Guerra vê com otimismo o momento da profissão, especialmente depois da redução drástica das corridas durante a pandemia. Porém, pede igualdade de condições de trabalho com o principal concorrente: carros de aplicativos. “Queremos uma regra justa para todos”, explica. “Mas estamos em um momento de crescimento nas corridas. Fazemos vistoria, pagamos impostos, temos que ter carro padronizado, com cor, uma série de atributos”, argumenta. Segundo a Prefeitura, para a renovação da permissão, os taxistas são convocados para recadastramento e vistoria anuais por meio do Diário Oficial do Município, além de divulgação na imprensa local. Também são orientados a acessar o site do Poupatempo para consultar a lista dos documentos necessários, agendar e dar entrada. “Após a conferência dos documentos, é feito contato telefônico para agendamento da vistoria. Não há prazo de vencimento para a permissão: vale até o falecimento do permissionário. Não há mais emissão de novas licenças”, acrescenta a Administração, em nota. Guerra diz que cerca de 30% dos taxistas da Cidade têm ligação com o sindicato. Ele prega mais união da categoria, ao mesmo tempo em que admite: não muito longe de agora, os táxis, que já têm versões híbridas, deverão adotar elementos de sustentabilidade, como carros elétricos, não poluentes. “Esperamos que, futuramente, o governo ofereça boas condições de financiamento para a compra de carros elétricos. Nossa matéria-prima ainda é o combustível”. Comércio de chapas O presidente do sindicato dos taxistas nega haver comércio de permissões. De acordo com a Prefeitura, a outorga de permissão do serviço de táxi é concedida a título precário, sem valor oficial previsto em lei. No entanto, o regulamento do serviço de táxi (Decreto 680/88) prevê a possibilidade de transferência da permissão a terceiros (intervivos) e por direito hereditário (após morte). “Esse tipo de transferência foi declarada inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Recentemente, julgando recurso de embargos declaratórios proposto pelo advogado-geral da União, o STF modulou essa decisão, conferindo efeitos somente a partir de dois anos da publicação da ata de julgamento desse recurso (8 de maio último). Assim, até o término desse período, a transferência da permissão pode ser realizada pelos atuais permissionários, desde que o adquirente preencha os requisitos legais”.