[[legacy_image_15465]] O total de casos de coronavírus em Santos em relação ao número de habitantes da cidade é maior do que o verificado na Baixada Santista, no Estado, no Brasil e no Mundo. O chamado coeficiente de incidência é um indicador usado pelas autoridades para saber o risco de disseminação da doença. Atualmente, Santos está no pior de três níveis - de emergência. Isso ocorre quando essa taxa fica mais de 50% acima da nacional. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15) pela prefeitura, até terça-feira (14), o município registrava 62,3 casos confirmados de covid-19 para cada 100 mil habitantes. O percentual da Baixada Santista é de 21,2, do Estado é de 22,7 e no Brasil fica em 11,9. No mundo está em 26,0. Mesmo na capital paulista, onde a epidemia fez a maior quantidade de vítimas fatais no país, a taxa é menor do que a santista: 62,1. “Em números absolutos, temos uma desproporção em relação à Capital. Por isso esse trabalho mais técnico, traçando um paralelo com a população. Estamos muito preocupados com o resultado. Nosso coeficiente é quase seis vezes maior que o do Brasil”, alerta o secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz. Segundo ele, a situação na cidade ainda é de tranquilidade e a demanda está sendo plenamente atendida. Ele estima que estão ocupados entre 30 e 40% do total de leitos disponíveis. Porém, os números projetados traçam um cenário futuro negativo. “Se continuar assim, teremos uma subida nos casos. A dificuldade tende a ser maior no final de abril e começo de maio. Não podemos ter diminuição no isolamento social, espero que a população entenda esse cenário e faça uma adesão mais significativa”, diz Ferraz. Análise com cautela O médico infectologista Evaldo Stanislau afirma que os coeficientes impressionam e servem de alerta para reforçar a assistência, o distanciamento social e a oferta de testes moleculares (RT-PCR). “Os dados devem ser analisados com atenção, mas cautela. Assim que os números se consolidarem, pode ser que os casos cresçam em regiões hoje com menores índices e todos fiquem no mesmo patamar. Mas precisamos impedir a disseminação do vírus. A baixa adesão ao distanciamento social em nossa região é absurda”, diz o médico. Stanislau lembra que Santos tem muitos idosos e doentes crônicos. “Diagnosticar com precisão e monitorar de perto para detectar complicações pode salvar vidas. Exames moleculares (não teste rápido) são fundamentais. Em todos os suspeitos, não apenas internados”. Para o também infectologista Leonardo Weissmann, a situação é crítica em Santos. “Estamos numa curva ascendente de casos, o risco é muito grande de que haja um colapso dos serviços de saúde, com falta de leitos hospitalares, incluindo unidades de terapia intensiva, de equipamentos de proteção e até de respiradores”. O especialista afirma que a população santista precisa se conscientizar da gravidade do problema. “Respeite a recomendação de distanciamento físico neste momento. Pessoas de todas as idades podem ficar doentes e morrer”. Taxa de letalidade A prefeitura também divulgou a taxa de letalidade da doença até terça-feira (14), quando Santos tinha 18 mortes e a Baixada, 31. A cidade ficou com índice 6,6%. No Brasil o total estava e 6% e no Estado, 7,4%.