[[legacy_image_308242]] Ivy Gabrielli Rodrigues, de 37 anos, é uma daquelas pessoas que marcam a vida de outras, tanto no sentido metafórico, como no sentido literal. Como tatuadora, em Santos, ela trabalha registrando os mais diversos significados na pele de várias pessoas. Dentre esses trabalhos, um deles se tornou ainda mais especial. Isso porque, de forma voluntária, há seis anos, ela reconstrói mamilos de mulheres que passaram pela mastectomia por conta do câncer de mama, devolvendo a autoestima para muitas delas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A inspiração surgiu ao conhecer o trabalho de um tatuador do Rio de Janeiro que realiza uma ação como essa. Sem conhecer nada parecido na região, Ivy então começou a colocar em prática o projeto na Baixada Santista. “Achei o trabalho dele incrível, pois pude me inspirar para unir a tatuagem para fazer o bem ao próximo, como eu sempre gostei”. [[legacy_image_308243]] Com aquela forcinha das coincidências da vida, Ivy conta que na mesma época que conheceu esse trabalho, uma mulher entrou em contato com o estúdio de tatuagem dela para saber se ela fazia esse trabalho. “Eu falei que a gente fazia, mas ela foi a primeira mulher que eu fiz a reconstrução. Depois disso, eu comecei a postar nas minhas redes sociais e a procura foi só aumentando. Hoje em dia, isso é o meu propósito de vida”, relata. Ao longo desses seis anos, Ivy já ajudou mais de 70 mulheres a retomarem a autoestima e conta que com cada uma delas, se emocionou de uma forma diferente. “Na hora que eu termino, eu fico muito feliz. As mulheres olham no espelho e ficam com um semblante muito alegre. Eu fico me segurando para não chorar junto”. Ela relata que, durante os atendimentos, já ouviu diversas histórias de mulheres que foram abandonadas pelo parceiro diante do diagnóstico do câncer de mama ou depois da retirada da mama. “Quando isso acontece, muitas tem vergonha ao se relacionarem de novo por conta das cicatrizes, temem por mostrar o corpo. Isso me deixa muito comovida, pois a autoestima é algo muito importante para as mulheres. Por isso, dependendo do caso, eu ainda ofereço uma tatuagem gratuita no colo para cobrir essas cicatrizes”, explica. [[legacy_image_308244]] A santista e técnica de gestão, Renata Nomura Rossmann, de 42 anos, é uma das mulheres que foram auxiliadas por Ivy. Após receber o diagnóstico de câncer de mama em agosto de 2020, ela precisou passar por um procedimento chamado adenomastectomia bilateral, que acaba mantendo a aréola e mamilo. Mesmo assim, por conta de uma necrose no seio direito, ela procurou a tatuadora. “Minha amiga já tinha feito tatuagem com a Ivy e me contou do trabalho dela com a reconstrução dos mamilos. Quando conheci, fiquei completamente apaixonada e sabia que tinha que ser com ela. Ela consertou essa necrose no meu seio e o antes e depois foi incrível”, revela. [[legacy_image_308245]] Ela conta que descobriu o câncer através de exames de rotina e chegar no diagnóstico final, foi muito difícil e angustiante. “Durante o tratamento, fiz quimio e cirurgia, pois não havia consenso para fazer radiação. Com a retirada dos seios, eu só pensava em ficar curada e livre da doença. Me senti abençoada por estar viva e, depois com o trabalho da Ivy, me senti ainda melhor”, conta. Como participarIvy conta que ao menos uma vez ao mês realiza o trabalho de reconstrução de mamilo com a tatuagem. A ação é totalmente gratuita, mas para participar, existem alguns critérios. “A mulher deve ter tido câncer de mama e ter realizado mastectomia. Se ela já estiver curada, após a cirurgia de implante, o ideal é aguardar 1 ano para poder realizar a tatuagem do mamilo”. A tatuadora orienta que as mulheres que se interessarem em participar do projeto, devem entrar em contato pelo WhatsApp (13) 98871-1729. A partir disso, elas irão passar por um agendamento e passar a integrar uma lista de espera. “Pra mim, isso tudo é muito satisfatório. Me sinto realizada. Quando termino o trabalho, parece que eu estou ganhando um prêmio. Não ganho em dinheiro, mas o que eu ganho é muito maior que isso, que é essa satisfação de estar fazendo um bem para alguém. É ótimo saber que estou contribuindo com uma sementinha que fez a diferença. É como se eu estivesse devolvendo tudo aquilo que foi roubado dela. É gratificante”, finaliza Ivy.