(Vanessa Rodrigues/AT) Por que a sra. quer ser prefeita? A Cidade tem vários problemas que precisam ser resolvidos. A saúde, a educação e a segurança são pontas do iceberg. Mas existe algo que é o lema da bandeira, “terra da liberdade e da caridade”. Ser uma Cidade mais humana nas políticas sociais e solidária. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! E sobre saúde? Que pensa? Fiz as policlínicas, garanti especialidades, fiz o NIS (Núcleo Integrado de Saúde), embrião do Ambesp (Ambulatório de Especialidades). A saúde é a ponta de lança das políticas públicas. Trazer toda uma estrutura que já fiz, aperfeiçoar as policlínicas, verificar em que bairros não existem. Zerar filas de exames, garantir leitos hospitalares, particularmente na UTI. Fora a questão de consultas com especialistas, exames e cirurgias que estão muito atrasadas. E quais os planos para Educação? A gente precisa chegar a 100% de escolas com educação integral. Não é só um lugar de transmissão da educação formal. São vários ensinos necessários, como o midiático, o tecnológico, a educação financeira. Sobre o professorado, tudo que houver, em termos de facilidade, para um incremento na questão educacional é muito bem-vindo. Fora a alimentação, a maior preocupação dos estudantes. Vamos implementar 100% da merenda orgânica nas escolas. Ainda existe uma demanda muito grande por moradias... Não podemos conviver com duas realidades tão antagônicas. Eu lecionei dez anos no (colégio) Francisco Meira. Então, temos a Vila Telma, do lado do Mangue Seco. Depois, eu virei prefeita, a gente conseguiu aterrar e fazer casas. Agora, não dá para um governante conviver com esses extremos. Para cada ação na Zona Leste, tem que fazer três, quatro, para poder minimamente reequilibrar essa situação. Mas, para sanar o déficit, nenhum município tem autonomia para essa resolução, terá que compor com o Governo Estadual e com o Governo Federal. O Banco de Imóveis vai fazer uma triagem, escalonar e enumerar os imóveis que estão vazios. Regularizações fundiárias também são importantes. E quanto à Área Continental? É possível desenvolver indústria que não seja poluente. Uma composição de trabalho manual, que permita responder a uma demanda que só tende a crescer. Quanto à geração de empregos e renda, que pensa da situação? Tem o desenvolvimento em si, mas (também) a redução da desigualdade. Nós temos o Porto, que é o grande empregador da região, e dá oportunidades de você ter, por exemplo, zonas determinadas para o seu desenvolvimento. A implantação de Zonas de Processamento e Exportação (ZPE) aumentará o valor agregado às exportações. Sem se esquecer que é uma cidade de serviços. E com relação à sustentabilidade e ao meio ambiente? Quando eu fui prefeita, tive uma solução tão simples, que foi fechar as comportas dos canais, para não mandar detritos ao Emissário Submarino. É preciso impedir que você envie detritos e lixo da Cidade para o mar. E desenvolver nas escolas o amor pelo clima. Sobre tecnologia e inovação, no que a Cidade precisa avançar? O Parque Tecnológico tem que funcionar como um propulsor não só da tecnologia, mas também das ideias novas que podem e devem surgir. Então, mais ao lado dessa produção, você pode construir software, você pode construir toda uma retaguarda que faz parte da tecnologia. Com relação à segurança, como analisa o panorama na Cidade? O contingente da Guarda Municipal tem que ser aumentado. O que você tem que fazer na segurança? Algo preventivo. Sobre armas, as pessoas têm que ter capacitação psicológica. E a gente tem a ideia de criar uma Secretaria de Políticas de Segurança. E com relação ao funcionalismo? Tem que ser aumentado (o nível de vencimentos), o servidor requalificado, revisando o Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos dos Servidores. Vamos criar, ainda, a Secretaria Municipal do Funcionalismo e das Relações de Trabalho. E, sobre as relações do trabalho, pretende agir de que forma? Discutir com toda a Cidade, com o Conselho da Cidade. Vai ter representantes de diversos setores. Ao se fazer isso, dá destaque às políticas públicas do setor. E quanto a sustentabilidade e meio ambiente? Há uma mudança mundial com relação ao clima, e (se deve) propor uma revisão para a Lei da Uso e Ocupação do Solo. A gente tem que plantar árvores, e nossa meta são 10 mil por ano. E incentivar o munícipe a cuidar dessas árvores. Vamos garantir 100% de veículos elétricos na frota do transporte urbano. Aproveitando que citou os ônibus, vamos falar de mobilidade. Primeiro, é preciso ter um cronograma para as obras da Cidade. Incentivo ao uso da bicicleta, à mobilidade, a melhorar as ciclovias. Tem ainda a questão da tarifa zero. Qual é o percentual do orçamento para tentar fazer? De 1,8%. A tarifa zero também vai contribuir para tirar carros da rua. E você vai ter um fluxo muito mais racional. Permite que o usuário coma uma pizza no fim de semana (com o dinheiro economizado). Não é num passe de mágica, mas um processo. Sobre a relação com as outras cidades, como imagina atuar no Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista)? Metropolização sugere ações conjuntas, mas não temos esta ação de uma maneira eficiente. Há uma necessidade urgente da saúde. A Santa Casa atende toda a região; na segurança, o meliante foge daqui, atravessa a Vila dos Pescadores (em Cubatão) e já está em São Vicente. Você pode morar em Guarujá, trabalhar em Santos e ter parentes em São Vicente. E é tudo relativamente perto. Dá para conversar. E sobre políticas sociais? Percebemos que tem aumentado a população de rua. Há que ter olhos, ouvidos e coração para perceber esses dramas. Às vezes, você tem o cara que perdeu o emprego, não teve o apoio familiar, acaba na rua, e a família chuta. O serviço social é mais amplo. Em primeiro lugar, tem que ter sensibilidade para a atenção. De repente, tem disposição de voltar para a terra dele. Também queremos criar moradias temporárias de baixo custo, para a população em situação de rua, em espaços do Município. A primeira coisa que a pessoa precisa é de dignidade. Vamos criar a Secretaria de Cidadania e dos Direitos Humanos. E com relação à cultura? É um sonho, mas a Hospedaria dos Imigrantes, linda como é, que tal um aproveitamento lá? Os artistas poderiam fazer produções independentes. Mais regras às leis de fomento. Fora o Carnaval. Que tal a gente ter uma aqui uma Cidade do Samba? Também tem uma cultura periférica que merece atenção. Passando para o esporte, quais as ações planejadas? Santos é conhecida como a cidade mais esportiva do Brasil, mas somos, verdadeiramente? A gente quer criar ruas de lazer. A Cidade com potencial turístico muito grande, mas precisa ser mais bem vendida como destino? É preciso dar uma visão turística às pessoas que vão trabalhar no setor. Quem seriam os principais fomentadores? A Autoridade Portuária, o Santos FC, as universidades. Gosto muito da ideia de fazer uma estátua do Pelé que se torne atração turística. Além disso, São Paulo tem a São Paulo Boat Show. Poderíamos trazer uma parte da feira, como os test drives.