[[legacy_image_303988]] São muitas as histórias que causam arrepios, ainda mais em uma sexta-feira 13 como esta: nublada e chuvosa. Por isso, a Reportagem relembra uma das lendas urbanas mais tradicionais de Santos: O Fantasma do Paquetá. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Prefeitura de Santos, a origem da história foi em 1900 e, entre as diversas versões que ela tem, a mais conhecida é a de que, todos os dias, próximo à meia-noite, uma mulher vestida de preto (ou branco) e com rosto coberto por um véu, ia até o portão do Cemitério do Paquetá e acenava para o interior do local, com um lenço que, posteriormente, usava para enxugar as próprias lágrimas. Diante disso, reclamações sobre um barulho de choro agoniante do fantasma e até mesmo do medo que alguns moradores tinham de cruzar a rua do cemitério foram levadas à delegacia. Em determinada noite, policiais foram até a entrada do local a fim de prender a ‘alma penada’ e pôr um fim no terror que ela causava a população - além de garantir sossego aos moradores do entorno. Mas, de acordo com a Prefeitura, a lenda vai dizer que naquela fatídica noite, o fantasma não apareceu. Uma multidão de moradores, que havia se reunido para assistir a captura do fantasma, ficou indignada. Após o episódio, alguns dizem que a alma nunca mais voltou, porém, outros ainda relatam aparições fantasmagóricas no local. A história, famosa na cidade há mais de um século, ainda é contada por muitas pessoas e já virou até curta-metragem do Instituto Kêro, em 2008. O Espírito EscoteiroE nem só de lendas vivem os moradores da região. Há quem diga ter presenciado cenas ‘assombrosas’ em sua vida. Uma dessas pessoas é o administrador aposentado, chefe escoteiro e morador de São Vicente, Sérgio Teijeira, de 69 anos. O escotista, narrou à Reportagem, uma história que vivenciou há mais de 30 anos, quando decidiu participar de um grupo escoteiro de Santos, ao lado de seu filho, que tinha oito anos na época. Sérgio diz que havia um chefe escoteiro neste grupo, que era muito querido e ativo. Ele estava presente em todas as ocasiões e era exigente com as regras escoteiras. Em um determinado dia, o grupo em que participava, foi para um acampamento em Sumaré, no interior do estado. “Ele não pôde nos acompanhar nessa atividade”, relembra. [[legacy_image_303989]] Durante o acampamento, em um momento ao redor de uma fogueira, conhecido no movimento como ‘fogo do conselho’, um grupo de chefes decidiu fazer uma brincadeira que consistia em uma história de um avião que estava caindo. Como parte da encenação, os escoteiros que estavam em uma fila, aos poucos, iam tirando do grupo coisas que ‘pesavam na aeronave’, como mochilas. Ainda em encenação, um dos participantes disse para jogar uma das pessoas para fora do avião. Nessa mesma hora, essa pessoa, que estava no último lugar da fila, caiu no chão. “Ela se esborrachou no chão e disse que sentia que alguém tinha o empurrado (mas não tinha como, pois era a última da fila). No dia seguinte, ao retornarem para Santos, esperavam encontrar esse chefe, que sempre os esperava. Mas o que encontraram foi uma notícia de que ele havia morrido a caminho do grupo escoteiro, para encontrá-los após o acampamento. “Nós deduzimos que o que aconteceu na noite anterior tinha sido um aviso”. Em seu enterro, que ocorreu no Cemitério do Paquetá, também houve um acontecimento estranho. “Na hora do sepultamento, os coveiros não conseguiam colocar o caixão no túmulo. O caixão batia no fundo da sepultura, mas não entrava completo. Até que um jovem gritou ‘falta a palma escoteira’ (que é uma saudação tradicional do movimento). "Então nós contamos até três e demos a palma. Terminando a saudação, o caixão entrou no túmulo”, conta Sérgio emocionado. Algum tempo depois, mais uma vez, o ‘espírito escoteiro’ voltou para dar um recado ao seu grupo. De acordo com Sérgio, o homem gostava de tudo regrado e todas as festas tinham que acabar até meia-noite. Entretanto, após o seu falecimento, uma das festas passou desse horário. “Era uma festa junina, estava muito animada, tinha muita gente e nós estávamos vendendo muito bem (as vendas eram um jeito de ajudar no caixa do grupo). Então passamos do horário. Quando foi por volta de umas 00h15, a festa ainda estava rolando e veio um ‘pé de vento’ tão forte que começou a descobrir as barracas. Então uma das escoteiras disse ‘é o chefe avisando que já está na hora de encerrar”. Se é coincidência ou não, uma coisa é certa, o homem tinha um espírito escoteiro aguçado. Pois, de acordo com Sérgio, o chefe falecido foi um dos precursores do movimento “A vida dele era o movimento escoteiro. Ele era apaixonado”. Para o aposentado isso tudo não tem explicação, mas ele busca acreditar que todos os acontecimentos foram uma forma do 'Espírito Escoteiro' avisá-los se algo estava errado ou não.