Bruna Katharina: inclusão precisa ir além do cumprimento de cotas (Alexsander Ferraz/ AT) Não basta contratar uma pessoa com deficiência. É preciso garantir que ela consiga trabalhar. Essa é a proposta do novo programa criado pela Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, para acompanhar os 336 servidores municipais com deficiência, identificar barreiras e orientar gestores sobre as adaptações necessárias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Do total, 28 ocupam cargos de chefia. Em relação às deficiências, 93 são visuais; 91, nos membros inferiores; 73, auditivas; 61, nos membros superiores; 14, intelectuais; e quatro estão relacionadas à comunicação ou mudez. O programa, que foi instituído e publicado no Diário Oficial da Cidade do último dia 21, prevê acompanhamento nos postos de trabalho, avaliação de barreiras e orientação a chefias e equipes. A iniciativa busca prevenir afastamentos, doenças ocupacionais, agravos à saúde, aposentadorias precoces, exonerações e desistências. Uma Comissão Intersetorial, formada por representantes de secretarias municipais, da Procuradoria Geral do Município e da Ouvidoria e Controle, acompanhará o programa, sob coordenação da Medicina do Trabalho da Secretaria de Finanças e Gestão (Sefin). A equipe poderá realizar visitas técnicas e solicitar adaptações após avaliações biopsicossociais. Experiência Servidora há dois anos e três meses, a oficial de administração da Secretaria de Comunicação (Secom) Bruna Katharina, de 47 anos, tem paraplegia flácida desde o nascimento. Ela enfrentou dificuldades no mercado de trabalho e atuou por quatro anos no setor privado em uma vaga afirmativa, sem condições adequadas. Depois de trabalhar como autônoma, Bruna ingressou na Prefeitura de Santos em junho de 2024. Segundo ela, encontrou no Município estabilidade financeira, respeito e condições para exercer suas funções. Ela acredita que o programa irá trazer mais segurança ao servidor PCD, pois estará amparada por uma equipe que irá zelar pela inclusão dela na execução de seu trabalho. “Ainda caminhamos a pequenos passos no que tange à inclusão e, de fato, não existe pleno conhecimento das normas e leis que regem essa matéria. Também não há efetivo letramento em acessibilidade e inclusão em nossa sociedade”, afirma. Para Bruna, a inclusão precisa ir além do cumprimento de cotas. “Não é só preencher a cota. É preciso oferecer condições adequadas para que cada um possa oferecer o seu melhor dentro de suas limitações”. Objetivo é ampliar a acessibilidade A coordenadora de Políticas para Pessoas com Deficiência de Santos, Cristiane Zamari, explica que o programa busca ampliar a acessibilidade nos postos de trabalho e orientar servidores e gestores. “A equipe da Medicina do Trabalho buscou capacitação na avaliação biopsicossocial prevista na Lei Brasileira de Inclusão, que norteia a funcionalidade de cada servidor e a eliminação de barreiras antes mesmo de ele chegar ao seu posto de trabalho”, afirma Cristiane. O secretário de Finanças e Gestão, Adriano Luiz Leocadio, afirma que a iniciativa surgiu a partir da equipe de Medicina do Trabalho. As ações já eram realizadas de forma embrionária e agora foram oficializadas. “Começamos a fazer um trabalho logo na chegada dessas pessoas na Prefeitura para fazer já um acompanhamento inicial. Então, o programa tem essa finalidade de acompanhar o servidor durante a sua vida funcional”, explica.