[[legacy_image_67768]] “Para quem crê, a vida não é tirada, mas transformada”. Com essa frase o padre Janivaldo Alves dos Santos iniciou a celebração da missa pelo falecimento do Vigário Paroquial Nelson José Caleffi, neste domingo (27), na igreja Imaculado Coração de Maria, em Santos. Assine A Tribuna agora mesmo por R\$ 1,90 e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos! Padre Caleffi, como era conhecido, morreu às 4h30 de domingo, na Casa de Saúde de Santos, aos 84 anos. Ele tinha sido internado com Covid-19 no dia 6 de agosto, teve alta no fim do mesmo mês, porém menos de uma semana depois foi novamente hospitalizado. Lutava contra um câncer de intestino que se complicou após a Covid-19. O padre Cláudio Scherer, de 50 anos, também da paróquia Coração de Maria, continua internado na Santa Casa de Santos com covid-19. Ele segue estável em UTI, sedado e intubado. Tem apresentado boa resposta aos tratamentos. Nascido em 10 de outubro de 1935 em Veranóplis, no Rio Grande do Sul, Caleffi entrou com dez anos para o Seminário Claretiano de Esteio (RS). Tornou-se diácono em 1953 e padre em 1961, em Bento Gonçalves (RS), onde moram seus familiares até hoje. Por conta da pandemia, não haverá velório aberto ao público. O desejo de Caleffi, que desde 14 de março de 2006 era vigário paroquial da Paróquia Imaculado Coração de Maria, era ser cremado. De acordo com o padre Janivaldo Santos, também claretiano que morou com Caleffi por alguns anos e segue presidindo as celebrações na igreja Coração de Maria, depois da cremação os restos mortais do então vigário serão enviados para o túmulo da família, no Sul. “Para nós, claretianos, é um sentimento de tristeza e esperança. Nós acreditamos na ressurreição. Do ponto de vista de fé, temos essa esperança. Ele não morreu. É um começo de uma nova vida. Ele estava sofrendo muito”, contou Janivaldo Santos, que decidiu não cancelar as missas. “Pelo contrário. Já que não podemos fazer velório, a melhor coisa para a gente honrá-lo é estar na igreja”, afirmou, lembrando que durante toda a semana, sempre às 19h, haverá Missa de Sufrágio à Pascoa do Padre Caleffi, com possível transmissão pelo Facebook, já que dentro do protocolo de prevenção só 80 pessoas podem participar presencialmente na igreja. Questionado por A Tribuna sobre a eventual necessidade de cuidados adicionais nas igrejas por causa da covid-19, o bispo respondeu que, “por enquanto não há nenhuma iniciativa para se rever. Tudo indica que as infecções aconteceram no hospital, e os procedimentos que adotamos são seguros e seguem as orientações das autoridades sanitárias. Os padres em situação de risco não são obrigados a celebrar em com presença de fiéis”. Por nota, o bispo Diocesano Dom Tarcísio Scaramussa, falou do padre. “Como característica pessoal, destaco a sua personalidade marcante, misto de firmeza, às vezes dura no proceder e exigir, e ternura emotiva e acolhedora. Era compreendido pela sua sinceridade e dedicação, e amado pelos paroquianos. Como religioso consagrado ao Senhor, deixa em Santos a marca do carisma missionario claretiano, e da devoção ao Imaculado Coração de Maria”. [[legacy_image_73924]] Paroquianos sentem partida Bruna Rossifini, jornalista e fotógrafa de 31 anos teve Caleffi em seu noivado, casamento e gestação de sua filha Cecília. Contou sobre a saudade. “Ele tinha um coração muito bom, amava as crianças e elas o amavam também. Se alguém perguntasse o que ele queria, ele sempre pedia chocolate. Não comia, mas era para elas”, contou a paroquiana, lembrando do padre com carinho. “Ele acompanhou o crescimento da minha barriga até o nascimento. Minha filha nasceu e 15 dias depois começou a pandemia. Ele não pôde a conhecer pessoalmente, mas a viu por chamada de vídeo do WhatsApp em vários momentos. Mesmo com idade, aprendeu a usar o WhatsApp e fazer as chamadas, pois queria estar perto. Agora intercederá Deus por nós!" Ana Regina, responsável pela catequese da Coração de Maria, diz que o padre era o grande motivador da comunidade. “Era aquele que chamava nossa atenção, com certeza, mas que estava sempre presente. Com as crianças ele era amável e doce. A imagem que vou guardar dele é a de todos os sábados e domingos, quando as crianças chegavam na igreja e eram recebidas com um beijo, um abraço dele. É esse carinho que a gente vai guardar sempre, e as crianças também. Tenho certeza que o padre está feliz por se encntrar com Deus e Nossa Senhora, a mãe que ele sempre amou”.