[[legacy_image_49729]] O secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, vai sugerir ao prefeito, Rogério Santos (PSDB), uma ação regional para conter a pandemia. "Estou extremamente preocupado", resume ele. A reunião ainda não tem data marcada, mas o motivo é que, em 11 dias, a cidade registrou um aumento de 36% na taxa de ocupação em leitos covid-19. O detalhe é que os santistas são minoria nas internações. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em 16 de maio, eram 104 internados em 218 vagas disponíveis. Na última quinta-feira, o número subiu para 142 de 218. "Os hospitais estão com ocupação de 85%, 90% e até 100%", explica ele, após reunião, ontem, com representantes de hospitais privados e públicos de Santos. Apesar da reunião acontecer regularmente para acompanhamento do panorama da pandemia na Cidade, avaliação da quantidade de leitos e insumos, um ponto chamou a atenção: a procura por leitos aumentou em todos os hospitais, mas houve diminuição de 25% no diagnóstico de coronavírus em santistas e 20% nas mortes em moradores da Cidade. "Isso significa que nossa ocupação aumenta com pessoas de municípios vizinhos. Isso é muito importante, porque os números crescendo assim acendem um alerta de que temos de fazer algo, mas não adianta uma ação apenas em Santos se nada mudar ao redor", explica Catapreta. Por isso, a Cidade vai investir em testagem em massa por amostragem. "Também levaremos essa situação ao prefeito para que ele avalie e converse com outros prefeitos. Todos os representantes de hospitais foram unânimes em falar que o recurso humano está cansado e desgastado", diz o secretário. [[legacy_image_49730]] Cuidados A taxa geral de ocupação dos 767 leitos covid-19 disponíveis está em 73% em Santos. Entre os 396 leitos de UTI, a ocupação é de 77%. Na rede SUS, a taxa é de 68% e na rede privada, de 87%. Em 24h, houve aumento no número de pessoas internadas na rede de saúde de Santos, de 548 para 559 pessoas (crescimento de 2%). Dessas, 276 são da Cidade (49,4%) e 283 (50,6%) de outros municípios. Também cresceu a quantidade de internados nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), voltados para os casos mais graves, de 292 para 303 (crescimento de 3,7%). Desses, 146 são de Santos (48,2%) e 157 de outras cidades (51,8%). O secretário de Saúde de Santos pede que a população siga fazendo a sua parte apesar da vacinação ser muito eficaz e 20% da população da Cidade estar imunizada com as duas doses. "Temos número expressivo de vacinados com relação a outras cidades, não isso não é suficiente para que haja o relaxamento no comportamento. Não podemos ter a falsa sensação de segurança, pois isso não existe ainda". Uma preocupação de Catapreta para o próximo mês são os feriados. "O isolamento social deve continuar sendo feito, assim como a manutenção da higiene das mãos e o uso de máscaras. A doença está aí, mais agressiva, mais grave e contaminando pessoas mais jovens". Infectologistas reforçam temor O temor de que a covid-19 avance se deve, por exemplo, à confirmação da presença da variante indiana do vírus no País. Especialistas temem que se revivam cenas como as de março e abril, com hospitais lotados e casos e mortes em crescente ascensão. “A preocupação é muito grande, pois a escalada de casos e óbitos pode ser maior ainda do que já se observou anteriormente, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde e reduzindo a disponibilidade de leitos de UTI”, diz o médico infectologista Leonardo Weissmann, e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Podemos chamar de terceira onda, desde que a gente entenda que ela é um novo aumento do número de casos em um cenário em que nunca eles nunca chegaram a diminuir de maneira relevante. E continuamos com dados obscenos: mais de 2 mil mortes por dia”, acrescenta o infectologista Evaldo Stanislau, diretor da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI). A rotina dos hospitais leva a crer que a preocupação se torne real e em pouco tempo. “Dou plantão aos fins de semana e vejo que a procura por vaga aumentou. As UTIs particulares estão lotadas. Certamente teremos um período muito ruim. Não tenho dúvida”, informa o médico infectologista Marcos Caseiro. O afrouxamento da restrição à circulação de pessoas, com consequentes aglomerações, menos isolamento social e a cepa indiana, com alto poder de transmissão, tornam o cenário pior, segundo os infectologistas ouvidos pela Reportagem. “Considero essa variante uma ameaça real. Vai desestabilizar ainda mais a nossa rede de assistência, caso se confirma o que a gente imagina”, avisa Stanislau. Segundo ele, essa nova cepa “é a Usain Bolt (ex-velocista jamaicano, campeão olímpico) em velocidade de transmissão. Não necessariamente causa uma doença mais grave. Mas acomete muita gente ao mesmo tempo e, com isso, sobrecarrega a rede de assistência”. Saída Para tentar controlar a situação, as soluções seriam testagem em massa, distanciamento e vacinação mais rápida. “Estamos longe dessa proteção”, observa Marcos Caseiro. Redobrar os cuidados na hora do uso da máscara é uma medida prática a ser tomada desde já. “Não basta ver as pessoas usando aquela máscara de tecido larga no rosto, com nariz para fora. As autoridades e empresas precisam indicar a máscara certa e do jeito certo. Neste momento, eu recomendaria que a gente passe a usar (o modelo) PFF2 ou dupla máscara para aumentar a nossa segurança”, propõe Stanilau. Para o infectologista Jacyr Pasternak, a batalha não será fácil. “Com a baixa vacinação, acho que vai ser difícil controlar, uma vez que a tolerância ao isolamento social e ao lockdown também diminuiu.”