[[legacy_image_321186]] Único representante da Baixada Santista na Conferência do Clima, em Dubai, a COP28, que acabou na semana passada, Marcos Liborio, secretário de Meio Ambiente de Santos e presidente da Câmara de Meio Ambiente do Condesb, fala dos temas macros que circularam pelos 15 dias de debates e o que cabe aos municípios como tarefa, com foco em reduzir as emissões de gases de efeito estufa para frear ou retardar o aquecimento do planeta. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A conferência foi em Dubai, país produtor de petróleo e que mais emite gases de efeito estufa. Falar sobre essa matriz energética foi o tom dos debates? Sem dúvida. Os países que mais queimam combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, são responsáveis por grande parte da emissão de gases de efeito estufa, os que aquecem o nosso planeta. Eu participei de um painel que tratava de um tema que nos interessa muito, o transporte marítimo. A mudança da matriz energética do transporte marítimo é algo que, se começar agora, só terá sido efetivada em 15 ou 20 anos. Por que tanto tempo?Por causa da idade da frota de navios que circulam hoje pelo mundo. Mas não existem ainda navios adaptados para combustíveis mais limpos?Tem, sim, mas são poucos. São os chamados green ships, que ainda circulam em pouquíssima quantidade pelo mundo. Mas é importante que essa indústria logística mais sustentável comece a trabalhar e essa foi uma das discussões na COP28, um tema diretamente ligado à nossa região por causa do Porto de Santos. Além da transição energética, outro tema levantado na conferência foi o protagonismo do Brasil nessa questão das energias limpas. O Brasil tem combustível alternativo, que é o etanol, tem energia solar, eólica, o que precisa é o país assumir esse protagonismo. Eu achei a conferência muito rica em debates... Mas havia uma certa expectativa de que os países presentes estimassem um prazo para o fim dos combustíveis fósseis, mas se falou apenas em transição energética. Isso não causa uma certa frustração?Pelo andamento dos debates, eu não esperava que houvesse um acordo por redução de combustíveis fósseis. Mas, de qualquer forma, fui surpreendido positivamente com a publicação do acordo que fala em transição energética. E por que isso é positivo? Porque lá o ambiente era de certa resistência mesmo, com muitos países produtores de petróleo presentes, mas foi bom. Pelo fato de a COP28 ter sido em Dubai, no centro dos países produtores de petróleo, o texto final da declaração foi positivo?Eu entendo que sim. Depois de 28 COPs, a gente finalmente tem um documento assumindo compromissos. A gente sabe da importância desses países na matriz energética do mundo, então, eles assumirem essa posição é algo bem positivo. Esses debates ainda parecem estar muito no plano das potências mundiais. Como levar essa discussão e essa urgência para a sociedade?O que cabe aos municípios e aos estados?Eu participei de um painel que abordava justamente a questão das lideranças locais, a transformação pelos municípios e a responsabilidade dessas lideranças na implementação de todas essas medidas. Por exemplo, estivemos lá com a entidade que representa os fabricantes de vidros no mundo. Isso é importante porque estamos falando da reciclagem do vidro que acontece nos municípios. É nos municípios que a gente educa as pessoas, fortalece as rotas de reciclagem, de reutilização. Então, a liderança local é imprescindível. E como é que se faz isso? Por meio de capacitação, que se dá a partir da divulgação de materiais de divulgação, cadernos, orientação à gestão dos municípios para fomentar essas práticas sustentáveis. O foco será sempre o consumo menor dos recursos naturais. Outros setores precisam entrar nessa cadeia?Sem dúvida. Também falamos da construção civil. Sabemos que a construção civil e a saúde são as que mais avançam em pesquisas, especialmente para a redução de custos. Então, podemos ter construção civil sustentável tanto para erguer um imóvel como para derrubá-lo, com o aproveitamento do entulho no reúso. São iniciativas locais de fomento à reciclagem não só para consumir menos recursos naturais, como para utilizar menos energia. A Baixada Santista tem o que mostrar de positivo nessa caminhada?Com certeza. Acabamos de aprovar o Plano Metropolitano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que vai subsidiar os prefeitos sobre como lidarmos juntos com essa questão. Temos uma região peculiar. Além da Baixada, poucas regiões têm feito programas conjuntos, como Curitiba, Florianópolis, Fortaleza e Belém, até porque a COP30 será lá, em 2025. O senhor acha que, com essa velocidade que ocorrem as iniciativas nos estados e municípios, o Brasil terá bons resultados a apresentar em 2025? Acredito que sim. O Brasil está focado em fortalecer a bioeconomia, a economia circular. E como esse governo tem um forte viés social, acredito que uma das características, até lá, seja o fortalecimento de segmentos como cooperativas de catadores, de reciclagem, de movimentos sociais... E o financiamento para incentivar essas iniciativas?Pois é. Nada acontece sem financiamento. Eu, por exemplo, participei de um painel em que vários municípios apresentaram projetos de adaptação climática. Eu já estou trabalhando em uma minuta que nos permita trazer investimentos a Santos. Às vezes, o incentivo não vem em forma de dinheiro, mas em forma de soluções ou de recursos para implantá-los. O senhor é o presidente da Câmara de Meio Ambiente do Condesb. Como avançar em outras soluções ambientais metropolitanas?Uma das coisas a fazer é avançar na educação ambiental, que precisa ter o mesmo formato em toda a região. A população flutuante, que vem na temporada, precisa ser atingida também. Ela não foi alcançada durante o ano com nossos programas ambientais. Então, precisamos ter uma comunicação assertiva e estratégica, para que possamos nos comunicar como Baixada Santista. Esse turista precisa respeitar as nossas regras, as nossas praias, os rios, as trilhas. É importante adequar essa comunicação para que ela seja homogênea.