Projeto-piloto adotado no Monte Serrat é uma solução baseada na natureza, diz coordenadora (Sílvio Luiz/ AT) Com o objetivo de antecipar soluções de problemas que as mudanças climáticas podem provocar em Santos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Semam) aprovou um novo conjunto de ações do Plano Municipal de Ação Climática de Santos (PACS): o Plano Operativo Anual 2024 (POA). Entre as prioridades que receberam sinal verde em julho e foram oficializadas na semana retrasada, em publicação no Diário Oficial do Município, está a contratação, até o final do ano, do primeiro inventário municipal de emissão de gases do efeito estufa (GEEs). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Prefeitura, o POA, documento que reúne as ações a serem executadas, é fundamental à Cidade por planejar e integrar ações e por definir os recursos necessários para se executar esse trabalho. Somente com o inventário previsto no POA, por exemplo, será possível definir metas para redução dos impactos provocados pela mudança do clima. A coordenadora da Seção de Mudanças Climáticas da Secretaria, Greice Pedro, explica que o Plano Municipal de Ação Climática é de janeiro de 2022 e prevê, desde então, eventos que poderão ocorrer de forma mais frequente em Santos. “O plano pensa em diretrizes e ações em oito eixos, para a gente se adaptar àquelas mudanças que irão acontecer. Nesse caminho da mitigação, na verdade, a gente deve reduzir a emissão de gases do efeito estufa, diminuindo a velocidade com que o aquecimento global acontece”. De acordo com o secretário adjunto da Semam, Marcus Neves Fernandes, o inventário, que ainda não foi elaborado, vai mapear as fontes que geram gases de efeito estufa na Cidade. “Ele é uma das metas constantes no Plano de Ação Climática de Santos. Esse inventário será contratado. Uma consultoria externa fará esse estudo. No momento, estamos analisando propostas de consultorias”. No documento, devem constar todas as fontes municipais de GEEs, como a frota urbana, indústrias e aterros. “Seu objetivo primário é o conhecimento dessas fontes e a quantidade de cada uma de suas emissões. Tendo esse estudo, as cidades podem melhor controlar essas emissões e desenvolver políticas de mitigação”, explica. Documento indica eventos que poderão ocorrer com mais frequência na cidade, a exemplo das ressacas (Alexsander Ferraz/ AT) Adaptação e redução Greice menciona que a ação climática pode ser dividida em duas grandes partes: uma, de adaptação, buscando adequar-se às mudanças climáticas em curso, e a outra, de mitigação, formada por ações para reduzir a emissão de GEEs. “Por consequência, contribuindo para que o planeta não ultrapasse os limites de aumento de temperatura global, definidos no Acordo de Paris.” Outro exemplo que ela menciona é de adaptação da Cidade. “A gente desenvolve já oficinais com moradores do Monte Serrat. O que a gente usa é uma abordagem chamada de adaptação baseada em ecossistemas (AbE). É uma das ações desse POA a implementação de fato, no território, de parte das soluções que a gente discutiu e construiu com os moradores”, diz. O projeto piloto de AbE no Monte Serrat é uma solução baseada na natureza para que a população se adapte melhor a efeitos negativos da mudança do clima. “Por exemplo, recuperar a vegetação natural nos morros contribui para a redução da velocidade das águas durante chuvas fortes. Também contribui para manter mais baixa a temperatura nas áreas próximas, ajudando as pessoas a enfrentar os episódios de altas temperaturas e ilhas de calor”. Mais vegetação pode contribuir, ainda, para a infiltração da água no solo, reabastecendo reservatórios naturais subterrâneos. Será possível definir metas de substituição parcial de veículos automotores por meios como a bicicleta (Vanessa Rodrigues/ AT) Inventário ajudará a fixar objetivos O inventário de emissão de gases de efeito estufa é o primeiro passo para que uma cidade ou empresa, por exemplo, fixe metas para a redução de emissões. “O inventário mostra a quantidade de CO2 (gás carbônico) equivalente emitido por atividade: transporte, resíduos sólidos, supressão de vegetação. A partir desse valor, é possível definir metas para a redução destas emissões, por exemplo: substituir ‘x’ por cento da frota automotiva, aumentando o número ou a proporção de veículos elétricos, reduzir a emissão veicular pelo incentivo, por exemplo, à ampliação de ciclovias”, cita Greice Pedro. A adoção completa do Plano Municipal de Ação Climática exige mais integração dos órgãos públicos municipais e da sociedade. As mudanças climáticas tendem a se intensificar, mas é possível agir não apenas para se adaptar a elas, mas também, para reduzir as emissões de GEE. Efeitos locais No caso de Santos, a Prefeitura afirma que o PACS destaca que, por ser uma cidade costeira, pode, ainda, ser impactada diretamente pelo aumento do nível do mar. Entre os efeitos que essas mudanças podem trazer para a população, estão alagamentos e inundações, deslizamentos em áreas de encostas, necessidade de adaptação ou realocação de infraestruturas e moradias e prejuízos à saúde causados pelas altas temperaturas, tanto pelo incremento das condições de dispersão de transmissores de doenças quanto pelos efeitos diretos em pessoas vulneráveis, como idosos e gestantes.