[[legacy_image_224597]] A lei que considera as áreas dos quilombos do Pai Felipe, na Vila Mathias, e do Jabaquara como patrimônios culturais e históricos de Santos foi sancionada nesta quarta-feira (23) pelo prefeito Rogério Santos (PSDB). Na ocasião, ele anunciou a criação de uma Cidade do Samba no primeiro local, que fica no sopé do Monte Serrat. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “(A existência dos quilombos) Representa as origens de Santos, uma história muito importante. É o resgate de parte da nossa memória e da formação do povo santista. O mais importante é que, no Quilombo do Pai Felipe, faremos a Cidade do Samba. Será um centro cultural ligado, justamente, às origens africanas”, diz. Para o prefeito, o espaço exaltará um ponto histórico de Santos. “A construção da Cidade do Samba é algo que vai resgatar parte da história e promover a perpetuação da cultura africana na nossa Cidade”. “Teremos samba, dança e capoeira. É um projeto de integração. Onde hoje é a área da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), aqueles galpões se transformarão em um espaço cultural onde ficam alguns vestígios do Quilombo do Pai Felipe. A gente sempre presta essa homenagem no Dia do Samba”, explica, em alusão à Alvorada do Samba, todo dia 2 de dezembro. O projeto de lei para transformar os dois quilombos em patrimônio cultural e histórico de Santos é do vereador Fabrício Cardoso (Pode). Ele reforça a necessidade de preservar a história da luta pela abolição da escravatura na Cidade. “A gente sempre procura valorizar a história cultural de Santos. Quando a gente viu que alguns trabalhos já vinham sendo feitos, no sentido de solicitar estudos para que alguns quilombos pudessem ser lembrados, a gente pensou em colocar isso por meio de projeto de lei”, conta. Conforme a justificativa do projeto, Pai Felipe liderou pessoas escravizadas que fugiram do Engenho Nossa Senhora das Neves. No começo ele, se fixou no Quilombo do Jabaquara com seus comandados. Por divergências com o líder desse quilombo, Quintino de Lacerda — que, na República, se tornou vereador e presidente da Câmara de Santos —, Pai Felipe partiu para o sopé do Monte Serrat, na Vila Mathias, e fundou seu quilombo. A área foi ocupada pelas oficinas da CET no século passado. Hoje, o local contém uma placa de identificação do reduto do chamado Rei Batuqueiro. “Seria uma maneira de preservar a história de luta e resistência do povo negro de Santos, tendo em vista que esses quilombos eram gigantescos e foram fundamentais em toda essa luta. É uma maneira de tentar valorizar essa passagem e fazer com que, no futuro, jamais seja esquecida”, comenta. O vereador afirma esperar que a medida atraia turistas ao local. O projeto foi sancionado no Salão Nobre Esmeraldo Tarquínio — prefeito eleito em 1968, negro, cassado pela ditadura antes da posse —, no Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura.