[[legacy_image_304707]] Mais de 16 mil toneladas de areia foram retiradas dos Canais 1, 2 e 3, no processo chamado de desassoreamento, entre janeiro e julho deste ano em Santos. O balanço da Prefeitura joga luz sobre um fenômeno antigo que se intensifica nos períodos de ressaca, quando o acúmulo de areia na praia fica ainda mais perceptível. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Não é incomum ver a faixa dos Canais 1, 2 e 3 com mais areia em relação à dos Canais 4, 5 e 6. Quando a maré sobe, a areia é carregada e pode resultar na interrupção da circulação de água no interior dos Canais. Para nivelar o volume de sedimentos, a Administração Municipal e a Progresso e Desenvolvimento de Santos (Prodesan) trabalham juntas usando maquinário para transportar a areia excedente aos Canais e às praias com menos volume. Como é feito o transporte?Rodrigo Paixão, assessor técnico e prefeito regional da Zona da Orla, responsável por supervisionar as operações da Prodesan, afirma que o fenômeno de assoreamento ocorre há décadas em Santos. Para transportar a areia, um grupo de trabalhadores opera uma pá carregadeira, uma escavadeira e uma retroescavadeira. Quatro caminhões basculantes, normalmente dois da Prefeitura e dois da Prodesan, levam a areia de um trecho para o outro. “Pelos indicadores de pesquisa, essa areia se acumula muito por causa do Emissário. É um fenômeno em que a água vem e desassorea, causa a erosão nos Canais 4, 5 e 6 e se acumula nos Canais 1, 2 e 3. O Emissário cria essa barreira e não deixa a maré levar a areia para o lado de São Vicente”, explica Rodrigo. Eventos naturais e ação humanaRonaldo Christofoletti, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que dinâmicas naturais e do homem contribuem para o cenário. Naturalmente, alguns lugares acumulam mais ou menos sedimentos em determinadas épocas do ano, também de acordo com a força das ondas. “Quando temos áreas urbanizadas, em que automaticamente mexemos com a linha de costa, passamos a poder ter uma dinâmica mais forte. De repente, o que era para ser restinga, vegetação que inclusive ajuda a proteger a passagem de areia para o ambiente mais terreste, é removida para a construção de calçadões, ruas e prédios”, diz. Há ainda o aumento dos eventos extremos em relação às condições meteorológicas. A ressaca sempre existiu, mas a maior frequência e intensidade faz com que a dinâmica se altere ainda mais. “Já são detectadas áreas de maior erosão e deposição dependendo da época do ano em que as correntes e a força da água chegam um pouco mais fortes. Esse processo vai se intensificando. A ação da Prefeitura é para tentar minimizar esse impacto para o ser humano para que a praia continue com uma logística similiar”. Serviço diárioO serviço de desassoreamento dos Canais é feito rotineiramente, de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h. Segundo a Prefeitura, são cerca de oito viagens diárias para o transporte de areia entre eles, quatro pela manhã e quatro à tarde. “Nas épocas de ressaca, intensificamos os trabalhos, principalmente dentro dos canais. Mas o serviço é diário”, acrescenta Rodrigo. Ele afirma que, após uma ressaca forte, leva até mais de um mês para fazer o trabalho pesado de renivelamento. De acordo com a coordenação da Prefeitura Regional da Zona da Orla e Intermediária (ZOI), em casos de grande volume de areia, ela fica na praia de um a dois dias até ser transportada ao destino. Nos períodos de chuva, também há reforço aos fins de semana, quando existe menor movimento de banhistas na praia. Os serviços nesse cenário são complementados aos sábados, das 7h às 11h.