Santos foi onde Dom Pedro ficou antes de proclamar a independência (Reprodução/ PMS) Antes de dom Pedro I proclamar a Independência do Brasil, às margens do Riacho do Ipiranga, em São Paulo, em 7 de setembro de 1822, Santos foi um dos últimos pontos de articulação política e estratégica do movimento. Foi onde o príncipe regente esteve dias antes do episódio, visitou a família Andrada e inspecionou as fortificações do litoral de São Paulo. Também foi de Santos que saiu em direção a São Paulo um dos principais personagens daquele processo: o santista José Bonifácio de Andrada e Silva. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O jornalista, pesquisador da história de Santos e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS), Sergio Willians, explica que o Porto e as fortificações davam à Cidade importância estratégica. Aliada a isso, a ligação com os santistas José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos, os Andradas — que formaram um dos principais núcleos políticos daquele período —, foi decisiva. A atuação de Bonifácio se destacou ainda mais quando Portugal pressionou pela retomada do controle sobre o Brasil. Depois da transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, o território havia obtido importância política e econômica que dificultava o retorno à condição anterior. Bonifácio defendeu a formação de um império luso-brasileiro, mantendo-se o centro político no Rio de Janeiro. A proposta não avançou e, com a tentativa portuguesa de recolocar o Brasil em posição subordinada, postulou a Independência. Manter a unidade Para o presidente do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, Arlindo Salgueiro, a escolha de apoiar dom Pedro estava ligada também à preocupação de “manter a unidade do País”. “Era preciso impedir que o território brasileiro se fragmentasse em diversos países, como havia acontecido em grande parte da América espanhola”, complementa Willians. A partir daí, o santista defendeu a permanência do príncipe no Brasil, trabalhou pelo fortalecimento de um governo central e articulou contatos com províncias. Quando dom Pedro recebeu as correspondências no caminho de Santos a São Paulo, uma mensagem decisiva era de José Bonifácio: “O dado está lançado, e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores”. Papel santista foi político e estratégico Após passar por Santos, dom Pedro seguiu para Cubatão e subiu a Serra do Mar. Na manhã de 7 de setembro, no trajeto para São Paulo, recebeu correspondências do Rio de Janeiro com novas determinações das cortes de Lisboa. Horas depois, às margens do Ipiranga, proclamou a Independência. “Então, podemos dizer que o último núcleo urbano importante pelo qual dom Pedro passou antes do episódio que marcou a Independência foi Santos”, afirma Sergio Willians. O pesquisador, porém, ressalta que a participação santista foi diferente da de regiões que posteriormente enfrentaram conflitos armados. “Não houve em Santos uma batalha pela Independência, como ocorreu posteriormente na Bahia e em outras regiões brasileiras. O papel santista foi principalmente político, estratégico e simbólico”. A Independência, porém, não terminou no Ipiranga. Forças portuguesas permaneciam em regiões como Bahia, Maranhão e Pará, e era preciso consolidar militarmente a separação. Bonifácio participou dessa etapa. Seis dias depois do 7 de Setembro, determinou que o representante brasileiro em Buenos Aires, na Argentina, procurasse o almirante britânico Thomas Cochrane para comandar a esquadra brasileira. A força naval teve papel importante na expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em 1823, e, posteriormente, no Maranhão e no Pará. Bonifácio não estava no campo de batalha, mas ajudou a estruturar a atuação política e militar que consolidaria a Independência. “Esse talvez seja um de seus maiores legados: ajudar a garantir que o Brasil independente permanecesse unido”, resume.