O Monte Serrat, em Santos, teria túnel subterrâneo que levaria a rede que conectou a cidade a São Vicente (Divulgação/ Prefeitura de Santos) Um túnel escondido no Monte Serrat segue cercado por mistérios e relatos históricos em Santos, no litoral de São Paulo. Revelada após desmoronamento no morro em 1928, a estrutura subterrânea teria servido como esconderijo e possível refúgio ao longo dos séculos, segundo teorias levantadas por historiadores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há, inclusive, indícios de que existiria mais de um túnel sob os morros de Santos — associados a diferentes usos ao longo do tempo. Entre as teorias levantadas por pesquisadores, essas passagens subterrâneas teriam servido inicialmente como refúgio em períodos de ataques de piratas e, posteriormente, como esconderijo para pessoas escravizadas. Também há registros que mencionam a possibilidade de uso religioso, incluindo interpretações que sugerem funções como capelas ou espaços de culto de comunidades judaicas coloniais. Uma das referências mais antigas remonta ao século 16, envolvendo Mestre Bartolomeu, ferreiro ligado à armada de 1532, e seu filho, Bartolomeu Fernandes. Durante um ataque de piratas à vila de Santos, o filho teria conduzido moradores até uma gruta escondida entre rochas, identificada na tradição local como a Gruta de Nossa Senhora do Desterro. A passagem seria parte de um sistema que conectaria regiões como o antigo Tachinho, atual área da Nova Cintra, até São Vicente, embora sua localização exata nunca tenha sido registrada, conforme informações do site Novo Milênio. Entrada Segundo relato do pesquisador Francisco Martins dos Santos, em sua obra 'História de Santos', em 1928, durante os trabalhos de contenção da encosta do Monte Serrat após um desmoronamento registrado naquele ano, o engenheiro municipal responsável pelas obras, Antônio Gomide Ribeiro dos Santos, que mais tarde viria a ocupar o cargo de prefeito de Santos, teria se deparado com uma pesada grade de ferro que fechava uma abertura no morro. De acordo com o relato, a estrutura estaria tomada pela oxidação e acabou cedendo após anos de exposição ao tempo. "Ao entrar pela abertura, os operários municipais e da City encontraram um grande salão, de quatro por oito metros aproximadamente e totalmente calcetado. Uma banqueta acompanhava as paredes, e um túnel, por onde os trabalhadores penetraram cerca de 30 metros, aparecia no fundo. Aves noturnas atestavam a existência de um respiradouro. Por causa dos deslizamentos que ameaçavam as encostas do Monte Serrat, a entrada teve que ser emparedada com muros de concreto, impossibilitando assim a continuação das pesquisas no local. O fato foi publicado pelos jornais da época, com desenhos e fotografias do local, que atestam a veracidade do que, até então, se tinha por lenda". Breve exploração Após o colapso do antigo portão de ferro que fechava o acesso, o interior teria sido brevemente explorado por algumas pessoas, que observaram a presença de morcegos e corujas em grande quantidade, indicando circulação de ar no ambiente e possível comunicação com outra saída. Um fotógrafo que acompanhou a visita do engenheiro no lugar, conseguiu registrar apenas a entrada da gruta, já comprometida pelo desmoronamento, devido às limitações técnicas da época, de acordo com o site Novo Milênio. Pouco depois, por recomendação técnica e pelo risco de novos deslizamentos, o acesso foi fechado com materiais do próprio morro. A partir desses relatos, pesquisadores chegaram a associar o local à chamada Gruta de São Jerônimo, possivelmente de origem remota. Localização provável De acordo com as indicações reunidas em estudos, a entrada da gruta e do suposto túnel, cujo destino final permanece desconhecido, estaria situada na encosta oriental do Monte Serrat, próximo à antiga escadaria, na região da subida do Morro São Bento, aproximadamente na altura do atual elevado Prefeito Aristides Bastos Machado.