Queda nas doações, mesmo esperada para esta época, está sendo ainda mais severa do que o imaginado (Alexsander Ferraz/AT) O Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, vive uma situação crítica: o estoque de sangue está em estado de emergência, com bolsas suficientes para apenas uma semana. A queda nas doações, apesar de esperada para a época do ano, está sendo ainda mais severa do que o imaginado e afeta, principalmente, pacientes com câncer. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Os pacientes continuam precisando”, afirma a médica hemoterapeuta e coordenadora técnica do Hemonúcleo do HGA, Silvana Biagini. Ela explica que pacientes onco-hematológicos, que lutam contra cânceres como a leucemia, são os que mais demandam transfusões. Nestes casos, a maioria das células cancerígenas, alvo da quimioterapia, está na medula óssea. O tratamento “zera” a medula, que fica incapaz de produzir células sanguíneas por cerca de duas semanas. Por isso, pacientes nessa condição precisam de sangue, em especial para obter plaquetas. As plaquetas, explica Silvana, são fragmentos de células responsáveis pela fase inicial da coagulação sanguínea. Quando abaixo do esperado, há risco de o paciente sofrer sangramento espontâneo. O concentrado de plaquetas proveniente de uma doação tem validade de apenas cinco dias, um deles para exames. “Cada doação de sangue dá um concentrado de plaquetas, e cada paciente precisaria de cinco doadores todos os dias”, diz a médica, que ressalta não haver nenhum possível substituto sintético para esta célula. Efeito dominó Em situações assim, o pouco sangue disponível é direcionado a quem precisa mais. E, se o estoque é o suficiente apenas para suprir pacientes onco-hematológicos, os que sofrem de outras doenças ficam sem possibilidades. É aí que cirurgias eletivas (não emergenciais), por exemplo, começam a ser suspensas. “Se continuarmos deste jeito, vamos ter que adiar cirurgias marcadas com muita antecedência. Às vezes, o paciente está há dois, três meses na fila. É um pecado, mas está meio catastrófico”, diz Silvana. Em último caso, quimioterapias poderiam ser desmarcadas, já que o tratamento impede o crescimento de células sanguíneas. Silvana e outros representantes de postos de coleta do Estado estudam contornar a situação. Por exemplo, fazendo coletas externas.