O número de chamados classificados inicialmente como de baixa prioridade — como dor de cabeça, febre, diarreia, vômito e tontura — pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) cresceu 12% em Santos entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025: de 11.854 para 13.369, segundo a Prefeitura. O coordenador do Samu na Cidade, Marcelo Ismail, afirma que situações nas quais não há sinais de risco imediato à vida exigem que a central avalie cada caso antes de enviar uma equipe. Entre os exemplos dos primeiros oito meses do ano, estão chamados ao Samu por dor de cabeça (9.227, alta de 14% para o ano passado) e dores abdominais (3.291, 11% acima do ano anterior). Após a pandemia de covid-19, a situação piorou. “Os chamados de baixa prioridade demandam recursos que poderiam estar disponíveis para ocorrências de maior gravidade, comprometendo a capacidade operacional do serviço”, diz o secretário de Saúde, Fábio Lopez. Classificação de risco Quando alguém liga para o telefone 192, um técnico auxiliar de regulação médica coleta informações como nome, telefone, endereço, ponto de referência e o que está acontecendo. Depois, a ligação é encaminhada ao médico regulador, responsável por avaliar os sintomas e determinar a prioridade. A classificação é em cinco níveis. Os casos de prioridade vermelha devem ser atendidos em até 15 minutos; os de laranja, até 30; amarela, até uma hora; verde, até duas horas, e azul, até quatro. A classificação depende das informações fornecidas durante a ligação e da avaliação médica. Por isso, a intensidade da dor relatada pelo paciente não é o único critério para determinar a urgência. O coordenador exemplifica: há cólica renal que pode provocar dor intensa, mas não necessariamente representa risco iminente de morte. O médico regulador considera os sintomas e as respostas do paciente para definir a prioridade adequada. Chamar o Samu não significa o envio do paciente a uma sala de emergência. Pode, antes, haver triagem em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em casos leves, recomenda-se procurar uma policlínica. Capacidade O Samu de Santos tem 11 bases, 15 ambulâncias, cinco motolâncias e três quadriciclos usados na faixa de areia durante a alta temporada e em feriados prolongados. Segundo Marcelo Ismail, há, em média, 4,2 mil atendimentos por mês. Um chamado pode levar de 30 a 40 minutos, e uma remoção, de uma hora e meia a duas. Além das queixas clínicas, os trotes também integram os registros de baixa prioridade. Porém, caíram 24%, de 3.486 para 2.633. Como nem sempre se pode identificar uma ocorrência falsa, há situações em que se envia uma equipe ao endereço informado, com prejuízo ao atendimento geral.