[[legacy_image_343360]] Santos tem imunizado mais crianças e adolescentes do que o esperado e está melhor do que no cenário nacional na cobertura vacinal contra o HPV, o papilomavírus humano - que pode causar, por exemplo, câncer no colo do útero. No ano passado, o Município atingiu cobertura vacinal de 98%, ultrapassando a meta, de 95%. Neste ano, segundo a Prefeitura, Santos vacinou mais pessoas do que o esperado em janeiro e fevereiro, o equivalente a 131% do público previsto. Novamente, são números acima da média nacional. O Ministério da Saúde informa que, no País, entre 2018 e este ano, 75,61% das meninas receberam a primeira dose da vacina e 58,19% completaram o esquema vacinal de duas doses. Entre os meninos, 52,86% receberam a primeira dose, e 33,12%, a segunda. Santos teve, no ano passado, avanço na cobertura vacinal em relação a 2022, que ficou em 48,3%, considerada baixa pela Administração. “Foi feita uma força-tarefa com as unidades de saúde, a Secretaria de Educação e o Rotary Club Santos Boqueirão para conseguir vacinar essas crianças”, afirma a chefe do Departamento de Vigilância em Saúde do Município, Ana Paula Valeiras. A vacina é oferecida gratuitamente para meninas e meninos com idade entre 9 e 14 anos, e a pessoas de 9 a 45 anos com condições clínicas especiais, como aquelas que vivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea, pacientes oncológicos (imunossuprimidos) e vítimas de abuso sexual. Em Santos, o imunizante pode ser obtido em todas as unidades de saúde da rede pública municipal, de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. Aos sábados, a vacinação ocorre das 9 horas às 15h30 em unidades selecionadas, informadas pela Prefeitura às sextas-feiras. ImportânciaA vacina contra o HPV, oferecida gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), está disponível na rede pública desde 2014, quando foi incluída no Plano Nacional de Imunizações (PNI). De acordo com o infectologista Marcos Caseiro, o imunizante é considerado fundamental na prevenção de doenças que podem atingir homens e mulheres. Uma das doenças que podem ser provocadas pelo HPV é o câncer do colo do útero, um dos tipos mais comuns entre mulheres. “Em algumas estatísticas, o câncer do colo do útero é o segundo e, em outras, o terceiro tipo de câncer mais prevalente em mulheres. Em 99% das vezes, está relacionado ao HPV”, afirma o médico. Caseiro ressalta que o vírus pode causar cânceres na região cervical, como na língua, na boca, na garganta e na faringe. Nos homens, o HPV pode provocar câncer de pênis. SegurançaApesar da alta prevalência do vírus, que, segundo o Ministério da Saúde, atinge na região genital 54,4% das mulheres que iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens, a vacina se mostra eficaz para prevenir doenças transmissíveis pelo contato sexual. “Existem estudos que mostram que, com a vacinação, no Canadá e na Austrália desabaram a níveis insignificantes tanto o câncer de colo de útero em mulheres como também uma infecção sexualmente transmissível muito comum em homens e mulheres que é o condiloma acuminado, conhecido como crista de galo”, explica o infectologista Marcos Caseiro. Nesses dois países, segundo Caseiro, a imunização foi feita, inicialmente, só em meninas. Os resultados mostraram que, indiretamente, os números de casos de condiloma em meninos também diminuíram. Por isso, o médico reforça a importância de se vacinar. “Poucos países distribuem essa vacina gratuitamente, como ocorre no nosso País. Então, não tem justificativa para não tomar essa vacina, que é absolutamente segura”, diz.