[[legacy_image_238740]] A Prefeitura de Santos retoma, nesta sexta (13), licitação para atrair investidores que queiram transformar o antigo prédio do Ambulatório de Especialidades (Ambesp), no Centro, num local com 36 unidades habitacionais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A última tentativa foi em agosto do ano passado, quando não houve interessados. Oprédio, comercial, precisa ser reformado para abrigar moradias, um modelo chamado retrofit (modernização). Segundo membros locais do setor da construção, o modelo é caro, não traz muito lucro ao empresário e precisa de especialistas de fora, pois a Baixada Santista não tem construtoras que façam esse tipo de obra. A Prefeitura, em nota enviada à Reportagem, ressaltou que o projeto é viável técnica e financeiramente. Para o arquiteto e urbanista José Marques Carriço, que participou da concepção inicial do projeto arquitetônico do prédio, há pontos que podem explicar a falta de interesse, como o fato de serem poucas unidades e não haver vagas de garagem. “Talvez pelas características desse imóvel, não feche a conta. Não é um número grande de unidades dentro do prédio e é algo que está fora dos padrões imobiliários da Cidade”. Carriço diz que a região central enfrenta esse problema com habitações sociais, pois, para se tornarem viáveis, precisam de alto subsídio público. “Há alguns exemplos em Santos, como na Zona Noroeste, onde foram feitas unidades. Mas são prédios com mais habitações, o que torna o projeto mais viável economicamente ao incorporador”, pondera. Edital Na quarta-feira, o Diário Oficial trouxe comunicado informando que, a partir de hoje, a sessão de abertura da licitação para o projeto continuará. O certame é feito pela Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab-ST). Segundo o edital, os recursos virão de uma parceria entre Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU, estadual), Prefeitura e Cohab-ST. Após a assinatura do contrato, o prazo para execução da obra será de dois anos, já se contando o tempo para apresentação dos projetos, que é de três meses a partir da assinatura do convênio. História Em estado de abandono, o edifício, na Rua Gonçalves Dias, 8, na esquina com a Rua do Comércio, foi cedido ao Município em 13 de dezembro de 2021 pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Pelo acordo, a Prefeitura teria dois anos para começar as obras. O prédio tem sete andares e 1,8 mil metros quadrados. A Reportagem esteve no local e verificou que o prédio está com muitas janelas sem vidros e serve de abrigo para aves. Apesar disso, há tapumes, e o acesso de pessoas à construção está fechado. Em dezembro de 2021, A Tribuna mostrou que a situação era a mesma. Na ocasião, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Glaucus Farinello, disse que as famílias que ocupariam o prédio seriam definidas pela Cohab-ST, em diálogo com os movimentos de moradia. “Durante muitos anos, só balada e restaurante não deram a vitalidade que esperamos para a região. Se comparar com outros centros históricos do mundo, você verá que, neles, convivem restaurantes, atividade de rua, habitação, hotel, um Centro vivo. É isso que queremos trazer”, comentou. Retrofit em prédio de 3 andares O arquiteto e ex-secretário de Obras e Serviços Públicos de Santos Cláudio Abdalla afirma que o modelo de retrofit é viável financeiramente, mas observa que os construtores que trabalham com esse tipo de obra são de fora da região. Abdalla foi contratado para transformar um prédio de três andares — o primeiro andar é uma loja, o segundo são salas, e o terceiro, uma espécie de almoxarifado — em um prédio residencial com apartamentos pequenos, no estilo quitinete. “Os processos ainda estão em andamento, mas o que posso dizer é que é um tipo de projeto viável economicamente, eu gosto muito. Acho um excelente modelo”, diz ele. O projeto no qual trabalha também é no Centro de Santos. “Acho que é uma ótima solução para a municipalidade”, acrescenta.