O microplástico se forma da degradação do plástico no mar; chega ao organismo humano pelos peixes (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) A contaminação por microplásticos já atinge cerca de 70% das praias brasileiras e tem colocado cientistas, gestores públicos e ambientalistas em alerta em todo o mundo. Em meio a esse cenário, Santos será sede do 1º Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos (Simpea), que ocorrerá entre os dias 9 e 13, na Universidade Santa Cecília (Unisanta), reunindo especialistas do Brasil e do exterior para discutir pesquisas, tecnologias e estratégias voltadas à redução desse tipo de poluição. Promovido pelo Instituto EcoFaxina e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o encontro contará com palestras, oficinas, workshops e atividades técnicas voltadas a estudantes, pesquisadores, profissionais da área ambiental e gestores públicos. Ao todo, 19 especialistas já estão confirmados na programação, incluindo representantes de instituições brasileiras e pesquisadores da Universidade de Dresden, na Alemanha. Em Santos A realização do evento em Santos não ocorre por acaso. A Baixada Santista está inserida em uma das áreas mais impactadas pela presença de microplásticos no País. Estudo desenvolvido pelo Instituto EcoFaxina em parceria com o Ipen apontou o Rio dos Bugres, localizado no sistema estuarino Santos-São Vicente, como o segundo mais poluído do mundo por microplásticos, atrás apenas do Rio Pasur, em Bangladesh. Além disso, o estuário santista figura entre os ambientes aquáticos com maiores índices de contaminação registrados em pesquisas recentes. Segundo o biólogo e diretor do Instituto EcoFaxina, William Schepis, o simpósio busca ampliar o debate sobre um problema ambiental que também tem reflexos na saúde pública. “Já sabemos que os microplásticos estão presentes na cadeia alimentar e nos recursos hídricos. É fundamental aproximar a produção científica das políticas públicas para que possamos avançar em ações efetivas de mitigação”, afirma. Nos oceanos Os microplásticos são fragmentos com menos de cinco milímetros resultantes da degradação de materiais plásticos descartados no ambiente. Estima-se que cerca de oito milhões de toneladas de plástico cheguem aos oceanos todos os anos. Com o tempo, esses resíduos se fragmentam e acabam sendo encontrados em praias, rios, organismos marinhos, águas profundas e até no corpo humano. Durante os cinco dias de programação, os participantes discutirão temas como monitoramento ambiental, legislação, gestão de resíduos, reciclagem de plásticos e aplicações da ciência nuclear no rastreamento e controle da poluição. O evento também abrigará o 1º Workshop de Coleta, Caracterização e Aplicações Nucleares para Mitigação de Microplásticos (NuclearMicro), organizado pelo Ipen. Legenda: Vanessa Rodrigues - 15/12/23 O microplástico se forma da degradação do plástico no mar; chega ao organismo humano pelos peixes INSCRIÇÕES As inscrições para o 1º Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos estão abertas para estudantes do ensino médio, universitários e profissionais interessados. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.simpea.eco.br.