Simone Carvalho de Oliveira: lançamento neste sábado (14), às 16 horas, na Realejo (Alexsander Ferraz/AT) “As crianças são produtoras de conhecimento. Elas sempre têm muito a dizer. Estão, sim, em desenvolvimento, mas são seres íntegros”. As frases são da fonoaudióloga Simone Carvalho de Oliveira, que lança neste sábado (14), às 16 horas, na Realejo Livros, no Gonzaga, o livro A Pandemia sob o Olhar das Crianças e dos Jovens em A Tribuna de Santos. Doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no programa de pós-graduação interdisciplinar em Ciências da Saúde, com ênfase nos estudos das infâncias e crianças, Simone relata em seu livro o que ouviu e vivenciou durante a realização de um projeto desenvolvido em conjunto com o jornal A Tribuna em 2021, quando a pandemia ainda fazia milhares de vítimas no Brasil e no mundo. Durante semanas, A Tribuna realizou encontros virtuais com crianças e adolescentes de bairros de Santos. A intenção era ouvir esse público sobre como a covid-19 estava impactando suas vidas, quais eram os sentimentos que prevaleciam e como lidavam com o isolamento social e a privação de ir à escola e de encontrar amigos e parentes. Simone participou de todas as rodas de conversa feitas com públicos atendidos pelos projetos do Sesc-Santos (Curumim e Juventudes) e também com crianças e adolescentes do Arte no Dique, moradores das palafitas do Dique da Vila Gilda. Cultura dinâmica Segundo a autora, estudar crianças e ouvir diretamente o que elas passam é um desafio. “Estamos acostumados a enxergá-las como seres incompletos, que precisam ser socializados, preparados para o futuro”. E mais: “A cultura não é algo que se passa ‘em bloco’ do adulto para a criança. A cultura é dinâmica, está em constante transformação”. Em seu livro, Simone reproduz falas que foram ditas durante os encontros, evidenciando uma percepção refinada daquele momento. Medo e cansaço foram sentimentos nomeados nos relatos e, também, nas expressões das crianças e dos adolescentes, as quais podiam ser percebidas nos olhares e nas dinâmicas propostas pelos coordenadores do Sesc. Imprensa Simone, que cursou Jornalismo até o segundo ano, entende que a presença das falas de crianças e adolescentes na imprensa deveria ser maior. “Quando as crianças não se identificam com o que veem e ouvem, elas podem não se interessar em participar, daí a importância da representatividade infantil nos meios de comunicação, nos debates públicos, nas reportagens e nos mais diversos contextos que as rodeiam”, considera a fonoaudióloga.