Escultura de papelão montada por alunos da UME Ayrton Senna e intitulada Monstro do Lixo chamou atenção de quem passava pelo Centro histórico santista (Sílvio Luiz/AT) A conexão entre quem pode contribuir com o ambiental, o social e a governança - conceitos que norteiam as práticas ESG - e aqueles que precisam de assistência e oportunidade norteou os debates no Encontro das Cidades ODS, nesta sexta (21), na Associação Comercial de Santos (ACS). No evento, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor mostraram o que vem sendo feito para atingir as metas da Agenda 2030 dentro do escopo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e como é possível melhorar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O encontro reuniu representantes de prefeituras, governos do Estado e Federal, empresas privadas — principalmente do setor portuário — e instituições sociais sem fins lucrativos. A programação envolveu painéis de debates e exposições culturais e de economia criativa. Tudo montado no bulevar da Rua XV de Novembro. O chefe de Departamento de Políticas Públicas de ODS da Prefeitura, Fábio Tatsubô, classificou o evento desta sexta (21) como “um marco histórico no País”. Segundo ele, “é a primeira vez que a sociedade se une em uma mesma agenda. É uma ação genuína do Movimento ODS, são recursos das próprias empresas que estão ajudando a colaborar. A intenção é falar menos e fazer mais ações ODS, conectar todos e replicar em seus territórios”. Articulador do movimento em Santos, Tatsubô apontou iniciativas já encaminhadas. “Uma ação que começa agora é conectar pequenas e médias empresas pelo Sebrae. Além disso, o Parque Tecnológico iniciará o processo do Repositório ODS de Pesquisa Acadêmica. São muitas ações e a nossa cidade está completamente conectada”. A coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da ACS, Andréa Ribeiro, disse que a entidade empresarial se uniu à Prefeitura em janeiro, no Movimento ODS Santos 2030. “Já estamos como 130 empresas signatárias, muitas entre as associadas, idealizando e realização ações para o cumprimento das métricas da agenda. A intenção é unificar o serviço público, o terceiro setor, a sociedade civil e a iniciativa privada. A associação está de portas abertas a qualquer pessoa ou empresa que quiser fazer parte”. O secretário estadual da Justiça e Cidadania em exercício, Raul Christiano, salientou que a pasta “é a condutora da maioria das políticas de objetivos de desenvolvimento sustentável. É uma secretaria ODS. As ações ODS devem ser políticas públicas de Estado e não de governo”. Setor privado A especialista de Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social dos terminais TEG, Teag e TES, Joyce Santos, citou o projeto Eco Comunidade, que tem por objetivo incentivar moradores do Jardim Conceiçãozinha, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, a coletar plástico que pode ser trocado por alimentos. “O morador troca plástico por uma cesta de hortifrúti. Geralmente, eles trocam 15 quilos de plástico por 15 quilos de alimentos. Esses plásticos poderiam estar no lixão ou em bueiros e, agora, têm o destino correto. É um projeto que empodera a comunidade, que fica responsável por ele, fazendo toda a gestão e com consciência ambiental”. Já o diretor de Estratégia Corporativa do Grupo Unimar, Thiago Santos, observou que o encontro traz conscientização. “Quando a gente pensa em linhas de sustentabilidade, é um caminho natural levar essa responsabilidade ao Poder Público, mas um evento como esse faz a conexão perfeita entre setor público, sociedade civil e iniciativa privada”. Rede Sementeira Membro da Rede Sementeira, que reúne 33 instituições de assistência social de Santos, a relações públicas da Casa da Esperança de Santos, Danielle Passos, ressaltou que o evento é importante para conectar a iniciativa privada e o terceiro setor. “É uma oportunidade para que as empresas enxerguem os trabalhos do terceiro setor com a relevância que eles têm e, também, apoiem financeiramente esses projetos. A gente tem dificuldade de manter os projetos que, às vezes, são prejudicados ou descontinuados, por falta de investimento”.