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Sexta-feira

28 de Fevereiro de 2020

'Santos pode ter um dos cinco maiores portos do mundo. Essa é sua vocação', diz Doria

Em entrevista exclusiva para A Tribuna, governador de São Paulo comentou sobre balsas, turismo e o crescimento da região da Baixada Santista

No aniversário de 474 anos de Santos, o governador João Doria (PSDB) destaca que a vocação turística da cidade é um motivo de orgulho para todos. Em entrevista ao Grupo Tribuna, ele também disse ver na área logística e de transportes um “potencial extraordinário”. Tudo devido ao Porto de Santos, que para o governador pode se tornar “um dos cinco maiores do mundo” e influenciar a economia de todo o estado.

Neste primeiro ano do seu governo, que avaliação o senhor faz para a região da Baixada Santista?

Com o bom time que temos, fizemos o que era preciso fazer, não só pra Baixada, como todo o litoral e Vale do Ribeira. Eu sou o governador de todo o estado. Meus secretários são os mesmos que há um ano, e um corpo técnico muito bom. O segredo é ter metas claras, falar a verdade, executar com criatividade. Isso nos ajuda muito. Quero destacar que em diversos momentos tivemos o apoio dos prefeitos que tiveram a disposição de entender que a eleição havia terminado e que agora é hora de fazer gestão. Destaco aqui o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, que agiu de forma correta em benefício do cidadão. Praia Grande também, com o Mourão muito dedicado a construir pontes e parcerias.

Mas quais pontos, especificamente, o senhor destaca como positivos para a Baixada Santista?

Na Saúde, os investimentos que fizemos nas unidades e também no Corujão da Saúde. Nos exames de imagem, por exemplo, nós zeramos o déficit na Baixada, todos feitos em menos de 30 dias. Agora estamos iniciando o Corujão 2, que é para as cirurgias eletivas. Na Educação, várias escolas da Baixada foram escolhidas para o ensino integral a partir deste ano. O grande destaque que faço é para a Segurança Pública. Tivemos uma redução de todos os indicadores de criminalidade na Baixada Santista, exceto um: o feminicídio. E por que? Porque nós estimulamos a denúncia, através de campanhas. Identificamos através de pesquisa que 82% das ameaças e agressões ocorrem dentro de casa. Na questão da mobilidade, foram mais de R$ 200 milhões em investimentos na Baixada, Litoral Norte e Vale do Ribeira, incluindo as travessias.

Na questão do feminicídio, há algum projeto específico para trabalhar essa questão, já que ocorre dentro do ambiente doméstico?

Tem, e foi o que fizemos, primeiro com as campanhas para estimular as mulheres a denunciarem seus agressores. Tem que denunciar mesmo. Também criamos o aplicativo SOS Mulher, para que elas acionem os canais policiais quando for necessário.

Em relação à travessia de balsas, a privatização da Dersa está mantida?

Sim, até a metade deste ano vamos fazer o leilão do sistema de balsas para que seja privatizado. Eu disse desde o início da minha gestão que a melhor alternativa para melhorar em definitivo o transporte marítimo é o privado. Isso só será retardado por alguma decisão judicial alheia a nossa vontade. No setor público tem essas questões e também a interferência dos istas.

Istas?

Sim, petistas, comunistas, vigaristas e outros istas que nunca querem o bem, só querem dificultar e colocam questões partidárias e ideológicas à frente do interesse da população. Espero que isso não aconteça no processo de privatização do sistema de balsas. Se tudo ocorrer conforme estamos prevendo, esse processo começa e termina ainda este ano. E a partir de 2021 a população já vai se beneficiar com os investimentos privados nessa travessia.

Dados oficiais mostram que de 2002 a 2018 a indústria cresceu mais de 17% no estado, mas na Baixada esse crescimento não chegou a 1%. Que planos estão no seu governo para fazer com que a região volte a crescer e acompanhar essa performance do estado?

A principal indústria da Baixada Santista é o Porto de Santos, que precisa ser privatizado. Sem privatização não haverá expansão. E sem expansão, não há crescimento, geração de empregos e renda, arrecadação de impostos. Eu confio no ministro Tarcísio Gomes de Freitas, que promete a privatização para 2021. Já estive com ele falando sobre o Porto de Santos e o de São Sebastião. No Porto de Santos, ele garante que estará privatizado no próximo ano. É uma nova era para a vida de Santos e Baixada, porque você passa a ter todo o setor econômico desenvolvido e multiplicado em condições melhores e mais eficientes, com mais profundidade, embarcações maiores. Muda toda a história da região, de São Paulo e do Brasil.

E como a privatização pode ajudar na geração de empregos?

Você potencializa as operações, multiplica a capacidade de movimentação e, com isso, gera novas e mais oportunidades. Isso é fundamental, especialmente agora, em que a economia começa a dar sinais de recuperação, inclusive em São Paulo. São Paulo cresceu 2,6% em 2019. O Brasil cresceu 1%. Quanto mais velocidade, tecnologia, menos burocracia, mais se exporta, mais mão de obra envolvida, mais resultados econômicos, desenvolvimento e empregos.

Para o Turismo, algum investimento previsto?

A infraestrutura para Turismo é privada. Estado não tem que fazer hotel, centro de convenções. Estado tem que fazer rodovias e o município tem que cuidar de ter ruas limpas, praças. Mas o investimento é privado. O que nós fizemos em 2019 foi a mais poderosa campanha pro-Turismo do estado, o São Paulo para Todos, que chega a todo o país e também em 122 países do mundo todo e 325 milhões de pessoas de fora. Criamos também o stop over, uma iniciativa em que você compra o bilhete aéreo e, através de um acordo feito com a hotelaria e o sistema receptivo, permite que o usuário, com o mesmo bilhete aéreo, fique até três dias em um município para conhecê-lo. Isso permite que ele visite outros municípios antes de chegar ao seu destino final.

O senhor anunciou no ano passado um programa bastante forte de estímulo ao desenvolvimento econômico e social do Vale do Ribeira, o Programa Vale do Futuro. A Baixada Santista está em muito melhores condições, é fato, mas o senhor acha possível criar algum tipo de mecanismo que torne a região mais atrativa para os investidores?

Nós criamos 12 polos de desenvolvimento econômico. É um conjunto de fatores como fontes de financiamento, agilização de aprovações, captação de investimentos internacionais através dos escritórios externos. A Baixada Santista é um desses polos, mas é preciso uma mobilização dos prefeitos. Eu sou um administrador municipalista, acredito no municipalismo e entendo que  a boa gestão do estado é aquela feita junto com os prefeitos, e não contra eles., mas de forma conjunta, com questões partidárias ou ideológicas.

O que o senhor acha que falta à Baixada para torna-la ainda  mais atraente a negócios?

A grande vocação da região é transporte e logística, em função de ter o maior porto da América Latina. É um potencial extraordinário. Pode se tornar um dos cinco maiores do mundo. E esse fator muda a história de uma região e influencia a econômica de todo o estado. Tem que ter esse olhar. Evidentemente que o turismo é uma indústria importante, não-poluente, construtiva, forte geradora de empregos e impostos municipalizados. É um orgulho para Santos saber que é um dos destinos mais desejados.

Eu recomendaria em especial um investimento maior, por parte da iniciativa privada, para congressos, feiras e convenções. Santos  já tem uma boa hotelaria e centro de convenções, mas eu estimularia o Convention Bureau a trabalhar mais coordenadamente com o São Paulo Convention e Visitors Bureau, que criei em 1984 e é totalmente independente. Uma articulação nesse sentido seria muito benéfica para Santos e região, com apoio do estado, para captação de congressos, feiras para Santos, Guarujá e Praia Grande.

Para Cubatão, e o polo petroquímico, que perderam muitos postos de trabalho, o que é possível ao estado fazer para retomar parte da relevância econômica que tinha nas décadas de 80 e 90?

Já fizemos. Falei pessoalmente com o Sérgio Leite, presidente da Usiminas, e apresentamos a ele todas as vantagens do polo, com potencial de investimento, agilização de licenças. Ele está sensível a isso. Vamos continuar estimulando esses novos investimentos.

Que cenário o senhor enxerga para o PSDB na Baixada Santista em 2021, pós-eleições municipais?

Veja, o PSDB hoje é um novo partido. Nossa visão de governo é uma visão liberal, de mercado, voltado a apoia a livre iniciativa, diferente do passado dentro do meu próprio partido. Entendemos a responsabilidade social, mas ela deve estar fundamentada na geração de empregos. Como governador do estado, penso que o melhor programa social é gerar empregos e não apenas fazer a proteção dos menos favorecidos. Precisamos fazer com que todos tenham oportunidade e autonomia e não sejam dependentes do estado. E quem gera emprego é o setor privado, não o setor público. Essa mudança vai se refletir na Baixada e em todo o estado. Menos estado e mais iniciativa privada é o nosso foco.

'A melhor alternativa para melhorar em definitivo o transporte marítimo é o privado' (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)
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