A movimentação horizontal, pela praia e nas paralelas, é mais bem servida do que o trajeto praia-centro em Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) Saudável para o corpo e para o meio ambiente, o transporte por bicicleta está na mira da Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo. No momento, há três projetos de expansão da malha cicloviária em estudo: na Rua Silva Jardim, na Avenida Senador Feijó e uma interligação entre elas, dando continuidade à ciclovia da Avenida Rangel Pestana até o Mercado Municipal, informa o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Essas três ciclovias ajudariam muito na conexão da rede, interligando inclusive a região da Perimetral até a Afonso Pena”, explica. Apesar da boa malha existente, é necessário avançar tanto na melhoria das estruturas quanto na conexão entre elas, afirma o secretário. Atualmente, ele destaca o programa Santos Sustentável, que busca qualificar a via pública para torná-la mais adequada a pedestres e ciclistas. “Temos uma malha bem consolidada, que acompanha as principais vias arteriais da Cidade, mas entendemos que é preciso avançar. Muitas ciclovias foram feitas em outra época e talvez precisem de adequações”. Para isso, a Prefeitura realiza um levantamento para identificar gargalos, o que já orientou intervenções como a da ciclovia da Avenida Afonso Pena. Vias verdes Além disso, a Administração Municipal estuda ampliar a conectividade dentro dos bairros por meio de um novo conceito de redesenho viário, dentro do programa Vias Verdes. “A gente está estudando esse redesenho das vias, com infraestrutura verde e sinalização, para estimular o caminhar e o uso da bicicleta dentro dos bairros, conectando as ciclovias existentes nas bordas”. A proposta busca atender os moradores entre os principais eixos cicloviários da Cidade. “Essa nova forma de organizar as vias locais está sendo discutida com os técnicos da Prefeitura e a CET, para que possamos apresentar à sociedade”. O tema deve ganhar espaço no debate público nos próximos meses. Segundo o secretário, a Prefeitura pretende abrir, no segundo semestre, um ciclo de oficinas para discutir mobilidade urbana com a população. Extensão atual Santos tem, atualmente, 50 quilômetros de ciclovias, distribuídas em 500 quilômetros de malha viária, ou seja, em 10% das vias. “É um modal que a Prefeitura pretende reforçar e estimular”, ressalta o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello. Quem usa todo dia aponta lacunas Para quem pedala todo dia, a percepção é de que, embora o Município tenha uma malha consolidada, ainda há lacunas importantes. “Acredito que deveria ter mais ciclovias. Além de estimular o uso da bicicleta e proporcionar segurança ao ciclista, elas ajudam no trânsito, já que os carros não precisam dividir terreno com as bicicletas”, afirma o estudante Guilherme da Cunha Martinez Cervantes, de 21 anos. Na opinião dele, há espaço para expansão, especialmente nos canais. “Não vejo motivo para não ter ciclovias em todos os canais. Nos canais 2 e 3, que são até mais largos que alguns outros, provavelmente há espaço. Além disso, são vias extremamente movimentadas”. Outro ponto destacado é a dificuldade de deslocamento no sentido transversal da Cidade. Atualmente, os principais eixos cicloviários horizontais se concentram na orla e em avenidas como a Afonso Pena. “Com essa disposição, é inviável se locomover sem precisar usar ruas sem ciclovia ou ciclofaixa”, pondera o estudante. Ele cita como exemplo a Rua Carvalho de Mendonça, onde ciclistas dividem espaço com veículos em meio a trânsito intenso. “A alternativa seria dar uma volta muito maior até o Centro”. Nos canais A avaliação é compartilhada pelo presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, Jessé Teixeira Félix. “Hoje temos muitos ciclistas e poucas ciclovias bem distribuídas. O maior problema é a interligação entre elas”. Segundo ele, nos últimos anos houve reformas em diversas estruturas, mas sem a criação de novas ligações. “Nos canais, como o 4 e o 5, carros invadem as ciclovias. Já na Zona Noroeste, há um trecho que liga o Piratininga à Avenida Nossa Senhora de Fátima que também é pouco seguro”, avalia. Assim como Guilherme, Jessé defende a implantação de novas vias para bicicletas nos canais. “Os canais 2 e 3, em especial, têm calçadas largas e precisam urgentemente de ciclovias. Ali, os ciclistas acabam sendo espremidos pelos carros”.